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Haroldo Petlik é absolvido

Gustavo de Alcântara Faria foi condenado a 30 anos de reclusão no regime fechado, à revelia. Juiz expediu mandado de Prisão Cautelar contra ele

José Augusto Chrispim

O júri popular, presidido pelo juiz José Roberto Bernardi Liberal, absolveu na noite de ontem (28) o médico Haroldo Petlik da acusação de ser o mandante do assassinato de sua esposa, a professora Suzana Petlik, no carnaval de 1994. Já Gustavo de Alcântara Faria foi condenado a 30 anos de reclusão no regime fechado, à revelia.
Ao final do julgamento, Luiz Eduardo Petlik, o filho mais velho de Haroldo, falou com a imprensa sobre a sensação de alívio pela absolvição do pai. “A absolvição é motivo para comemorar o fim de toda a indignação que causou esse processo para nossa família. Nós passamos 20 anos sem falar sobre o caso por orientação dos advogados, para que as informações não fossem distorcidas. Agora vamos seguir a vida sem esse fardo”, desabafou Luiz.
O advogado de defesa, José Luiz Oliveira Lima falou em nome de Haroldo, que não concedeu entrevista, mas disse estar aliviado. Lima disse que o Tribunal foi soberano e absolveu seu cliente. “O significado da sentença é que agora, a família vai poder seguir a vida em paz. O ponto crucial para a vitória da defesa foi a total ausência de provas”, resumiu.

Condenação
Gustavo de Alcântara Faria foi condenado a 30 anos de reclusão no regime fechado, acusado pelo artigo 121 do código penal (homicídio). O crime teve vários agravantes pela total insensibilidade do autor com a vítima, dolo intenso e por ser considerado delito perverso.
O juiz expediu um mandado de Prisão Cautelar contra o réu que se encontra em local desconhecido.
A defesa conseguiu desvincular o autor do crime ao médico. Gustavo foi considerado o único envolvido no homicídio.
Segundo o próprio advogado de defesa, o Ministério Público pode recorrer da sentença de Haroldo Petlik.

O julgamento
O debate entre o promotor de justiça Herivelton de Almeida e os advogados de defesa do médico Haroldo Petlik foi tenso nessa quinta-feira (28), no Fórum de Araraquara. O promotor acusou o médico de adultério, uso de drogas e de promover festas com prostitutas em sua chácara. Já os advogados de defesa acusaram a polícia de ter sido leviana na investigação do crime e de ter montado uma farsa contra seu cliente.

Promotoria
Por volta de 9h58, o promotor Herivelto de Almeida chegou à audiência e justificou seu atraso, pois estaria se informado do paradeiro de Gustavo Alcântara, acusado de ser o executor do homicídio da professora Suzana Petlik. Em seguida, Herivelto relatou como foi feito o trabalho policial na época e disse que nunca viu tanto empenho dos policiais, desqualificando a tese da defesa sobre os erros que teriam sido cometidos pelos policiais.
Ele apresentou provas periciais e fotos da vítima e do local do crime para os presentes, além do exame necroscópico e alguns laudos periciais.
Herivelton apresentou várias linhas de investigação que foram seguidas em seis meses que, segundo ele, mostrariam que o trabalho da polícia teria sido feito de forma correta desde o início.
No final de sua apresentação, o promotor apresentou três depoimentos que foram gravados em São Carlos com três mulheres que tiveram contato com Gustavo Alcântara Faria na época do crime. Uma delas disse que o acusado teria falado sobre a morte da professora de Araraquara a mando do marido dela.
Na sua conclusão, Herivelton disse aos jurados que Haroldo e Gustavo teriam se unido para cometerem o crime e, inclusive, a defesa tentava impedir a condenação de Gustavo para que ele não revelasse o motivo do crime. “Quem fez isso não foi o pai de Cláudia, Luís Eduardo e Daniel, mas sim o marido. E o executor é Gustavo Alcântara de Faria”, concluiu o promotor.

Defesa
Segundo o advogado Rodrigo Dall´Acqua, o trabalho da polícia apresentou inúmeras falhas. Na época, não foi feito o exame de DNA na vítima e nenhum exame mais detalhado no corpo, além das roupas da professora terem sido incineradas pelo Instituto de Criminalística (IML).
“A polícia foi incompetente e montaram uma farsa para incriminar os réus. Se a polícia tivesse trabalhado um pouco mais, o assassino de Suzana já estaria preso”, disse Dall´Acqua.
De acordo com a defesa, pode ter havido uma tentativa de estupro ou até mesmo um estupro por parte do assassino, mas, devido à falta de exames mais detalhados não se pode comprovar esta tese. A demora no início das investigações também foi apontada como falha grave pela acusação. A reconstituição do crime só foi feita depois de um ano.
Outro ponto importante apontado pela defesa foi que um mês depois do crime, um indivíduo foi preso acusado de estupro. O crime teria ocorrido na mesma região onde o corpo de Suzana foi encontrado e, isso, poderia relacioná-lo com o homicídio.
Já a advogada Josimara Veiga Ruiz, que representou Gustavo de Alcântara Faria, acusado de ser o executor do homicídio, defendeu a inocência de seu cliente e alegou que ele estaria em uma festa em um clube, no dia do crime. Ela também negou que houvesse prova de ligação dele com Haroldo Petlik e premeditação do crime.

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