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Lei que proíbe canudos de plásticos é aprovada por unanimidade

Lei que proíbe canudos de plásticos é aprovada por unanimidade

Na noite da terça-feira (14), durante a 108ª Sessão Ordinária, realizada no Plenário da Câmara Municipal de Araraquara, os vereadores aprovaram, em segundo turno, o projeto do vereador Rafael de Angeli (PSDB) que fomenta a preservação do meio ambiente e a conscientização sobre a sustentabilidade.

O substitutivo nº 3 ao Projeto de Lei Complementar nº 18/2018 altera a legislação de modo a proibir a utilização de canudos de plásticos, exceto os biodegradáveis, em estabelecimentos e qualquer evento de caráter público.

Mas por quê?

De acordo com dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), oito milhões de toneladas de lixo plástico são lançadas nos mares e oceanos por ano, e um dos produtos mais utilizados no mundo, o canudo, é o grande vilão, sendo apontado como um dos maiores poluidores. Estima-se que eles representam 4% do lixo plástico mundial.

Em geral, a vida útil média de um canudinho é de apenas quatro minutos, mas ele fica no meio ambiente por séculos, levando até 400 anos para se decompor. E não é tudo. Como são feitos geralmente de polipropileno e poliestireno, não são biodegradáveis e tendem a continuar poluindo nosso mundo por muito tempo, ou pior, ao se desintegrarem em pedaços menores podem ser ingeridos por animais.

O parlamentar justificou a importância do projeto. “A conscientização tem que ser ampliada, não somente sobre o descarte, mas sobre a redução do uso dos plásticos e dos descartáveis, especialmente do canudo, pois há grande dificuldade de reciclar o material mesmo quando é direcionado às cooperativas, como a Acácia, que realiza um trabalho exemplar, retirando do ‘descarte’ mais de 500 toneladas mensais de resíduos sólidos em nossa cidade”, explicou Rafael.

Plástico? Só se for biodegradável!

Ainda que a lei não tenha sido sancionada, já tem estabelecimento que se adequou às novas regras. Um deles é uma panificadora, no Centro. “Resolvemos experimentar há uns três meses. É uma iniciativa legal e não temos do que reclamar. O modelo que utilizamos é biodegradável e custa pouquíssimo mais do que o antigo. Em um pacote com mil unidades embalados individualmente, por exemplo, fica só uns 10 reais a mais”, relatou o proprietário. Segundo ele, a maioria dos clientes nem notou que tinha substituído o produto. “A qualidade é a mesma, nem dá para perceber a diferença. Quem percebe, acha legal a ideia, e acaba sendo um diferencial”. O material do canudo começa a se decompor em oito meses, levando até dois anos e meio, no máximo, para a biodegradação total.

Outras alternativas

No ano passado, motivada pela consciência ambiental, a proprietária de um café localizado na Vila Harmonia resolveu interromper totalmente o uso de canudos. Os clientes se dividiram. “No geral, a repercussão foi legal, muita gente nos apoiou. Mas teve gente que disse: ‘Aqui eu não venho mais’, e não voltou mesmo”, lembra. Ela acabou optando pela retomada do uso por uma questão de praticidade. “Servimos algumas bebidas, como milk shake, que são muito difíceis de beber sem um canudo. Entendemos a necessidade que os clientes apontaram”.

Para se manter coerente, a solução foi comprar canudos de papel. “Estamos bancando o custo. O de papel é mais caro e, às vezes, se desmancha e precisa ser substituído”, ressalva.

A empresária conheceu a alternativa biodegradável, adorou e disse que adotará o novo canudo “bio” em breve para reduzir os custos. Em seu estabelecimento, ela vende também canudos de alumínio.

“O projeto é um chamariz para a conscientização. Temos que pensar cada vez mais nos malefícios do plástico e incentivar políticas públicas sobre o assunto”, enfatiza o vereador.

Já está valendo?

Após a aprovação na Câmara, o próximo passo é a sanção da lei pelo Prefeito. Os estabelecimentos terão seis meses para se adequarem. Após este período, estarão proibidos de utilizar os canudos de plástico em Araraquara. Quem não cumprir a legislação, será multado. Angeli ainda lembra que “para não perder no bolso, é melhor se adaptar. É fácil e ainda contribui para a preservação do meio ambiente”.

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