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Edição especial de aniversário de Araraquara

Edição especial de aniversário de Araraquara

Um araraquarense no Senta a Pua

Criado em 18 de dezembro de 1943, exatamente um ano e quatro meses após o Brasil declarar guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), o 1º Grupo de Caça brasileiro operou durante a campanha da Itália, na 2ª. Guerra Mundial, principalmente como uma unidade de caça-bombadeiros, realizando o bombardeio picado sobre alvos diversos.

Sua função principal era o apoio às Forças Terrestres por meio de ataque as posições de bateria inimigas, causando o isolamento sistemático do Campo de Batalha pela interrupção das vias de comunicações ferroviárias e rodoviárias que ligavam a Linha de Frente alemã na Itália, no Vale do pó, e este ao território alemão.

O 1º. Grupo de Caça brasileiro, comandado pelo Tenente Coronel Nero Moura, ficou subordinado ao 350º. Fighter Group, o mais aguerrido daqueles que atuavam nas Forças Aliadas do Mediterrâneo, e ligado ao 62º. Fighter Wing, norte-americanos, comandados respectivamente por Ariel Nielsen e Robert Israel Jr.

No total, foram pouco mais de dois anos entre treinamentos e batalhas. Ao final da Guerra os jovens oficiais brasileiros que formaram as esquadrilhas do Senta a Pua, deixaram escritos nos céus da Europa uma das mais heroicas e destacadas páginas da história da aviação mundial, passando a ser conhecidos como os mais aguerridos, habilidosos, bravos e “malucos” dentre aqueles que lutaram por lá.

Oposição e “Pulo”

Em quase todas as missões os caça-bombardeiros brasileiros encontraram forte resistência das armas antiaéreas alemãs, que eram numerosíssimas em todo o Vale do Pó e nos Apeninos. Os calibres destas armas eram de meia polegada, 20 milímetros, 40 milímetros, e grande quantidade do celebre canhão antiaéreo de 88 milímetros que podia atingir um avião a 16 mil pés de altura. O 88 era bastante temido pelos aviadores porque, além da artilharia alemã ser de extraordinária eficiência, os tiros eram monitorados por radar.

Na 1ª rajada normalmente eles erravam, na 2ª., no entanto, os tiros já vinham corrigidos pelo radar (que demorava cerca de 5 segundos para a fazer correção), e aí entrava a técnica evasiva dos pilotos brasileiros. Sabedores do funcionamento do aparelho inimigo, logo que alguém notava os primeiros tiros apressava-se a gritar no rádio: “Flak” – então todos começavam a “pular”, alterando altura, e mudando de direção para a direita, esquerda, direita. O radar ficava “maluco” e não acertava ninguém.

É importante ressaltar que a Guerra na Itália somente acabou quando chegou a noticia do suicídio de Hitler. As vitórias da FEB e do Senta a Pua, portanto, aconteceram, sempre, diante de forte oposição.

Esquadrilha Amarela

O 1º. Grupo de Caça brasileiro foi dividido em quatro esquadrilhas: Amarela, Verde, Vermelha e Azul. A Amarela virou lenda e é citada até os dias de hoje como exemplo de coragem e abnegação. Comandada aguerrido Capitão Joel Miranda, ela fez uma Guerra diferente.

A tática aérea para caça-bombardeiros que preferem atacar a baixa altitude, caso dos brasileiros, prevê uma série de atitudes evasivas. Joel não as utilizava. Atacava. Enfiava seu avião em vôo picado bem no meio da artilharia inimiga, soltava suas bombas, e seguia em vôo raso metralhando todo alvo que surgisse.

Foi fantástico, porém, a Esquadrilha Amarela teve vida curta. Em menos de quatro meses ela foi extinta. Dos nove homens que a compunham sobraram três: Pessoa Ramos, Fernando Rocha (o araraquarense, Fernando Correa Rocha) e Leon Lara de Araújo. Todos os demais foram abatidos. Os três remanescentes foram designados para outras esquadrilhas. Pessoa Ramos e Rocha, para a Verde, e Lara para a Azul.

O araraquarense Comandante Fernando Correa Rocha, cursava o 4º. ano de Direito quando soube que o Brasil estava preparando um Grupo de Caça para lutar na Guerra e que para tal, precisava formar pilotos nos EUA. Não teve dúvidas. Largou tudo e se apresentou.

Nos corredores no Ministério responsável, quando tentava conversar com o “Ministrinho”(apelido do, então, Major Nero Moura), na tentativa de ser escolhido e enviado para os Estados Unidos, O Comandante Rocha conheceu outro Fernando, o Mocellyn, um paranaense que havia largado a faculdade de Odontologia e estava ali pela mesma causa. Ficaram amigos, e seguiram juntos.

A saga dos aviadores brasileiros da 2ª Guerra Mundial

  • Dos 48 oficiais do 1º. Grupo de Caça brasileiro que tomaram parte nas operações aéreas houve um total de 22 baixas, sendo que 5 foram mortos, abatidos pela artilharia antiaérea alemã, 8 tiveram seus aviões abatidos tendo saltado de pára-quedas sobre o território inimigo e sido aprisionados, 6 foram afastados de vôo por esgotamento físico e 3 faleceram em acidentes de aviação.

 

  • Entre 1944 e 1945 o Senta a Pua fez 2.546 Saídas Ofensivas na Itália; 04 Saídas Defensivas; teve 445 Missões executadas; 6.144 horas de vôo em operações; 4.432 bombas lançadas; 1.180.200 munições de calibre 50 disparadas; 850 foguetes lançados; destruíram 2.499 alvos (pontes, trens, edifícios etc.), e danificaram 1.965 outros durante a Campanha.

 

  • Nos 4 primeiros meses de 1945 o Grupo de Caça brasileiro fez 1.728 saídas, e teve 123 vezes os aviões atingidos pelo fogo antiaéreo inimigo, o que dá uma média de um avião atingido para cada 17 saídas. Dá para se ter uma idéia de quantos pousos forçados tiveram que fazer.

 

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