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Associação Sacrário de Amor: Há quatro anos trazendo dignidade e acolhimento

A casa de acolhimento sem fins lucrativos busca a reinserção social de dependentes químicos

Associação Sacrário de Amor: Há quatro anos trazendo dignidade e acolhimento

José Augusto Chrispim

 

Amor ao próximo. Essa é a expressão que mais identifica a senhora Maria Lúcia Batista Akutsu, de 66 anos, que está a frente da casa de acolhimento Associação Sacrário de Amor, localizada na Avenida Pedro José Larocca, no Jardim Santa Adélia, em Araraquara. A casa acolhe, atualmente, 30 homens com vício etílico ou em drogas, sendo que muitos deles foram recolhidos em situação de morador de rua.

De acordo com Maria Akutsu, a casa não é uma clínica de recuperação, mas sim, um local de acolhimento que tem como tema básico da recuperação dos acolhidos a espiritualidade. “Aqui não administramos medicamentos, mas ensinamos o caminho da libertação do vício através da religiosidade. Além da assistente social que nos ajuda, temos quatro pessoas que trabalham de forma voluntária na casa. Muitas pessoas que nos procuram são moradores de rua que, muitas vezes, não têm família na cidade. Hoje temos 30 internos, mas, além deles, muitas pessoas chegam até aqui pedindo comida e, mesmo com dificuldade, a gente acaba ajudando a todos que nos procuram”, ressalta.

 

Mais de 200 atendidos em 4 anos

Maria destaca que a associação não recebe nenhuma ajuda financeira governamental e nem de empresas, por isso, utiliza sua própria aposentadoria e de outros três internos para manter a instituição em funcionamento. A única fonte de renda gerada no local é da confecção de balas de coco que são vendidas pelos próprios internos pelos bairros da cidade. “Nós vivemos com dificuldade, pois pagamos R$ 1.650,00 de aluguel pelas duas chácaras que compreendem a associação, e a única ajuda que recebemos da prefeitura é através do Banco de Alimentos que nos fornece verduras e legumes semanalmente. Hoje possuímos também um grande valor na conta de água que estamos com dificuldade para quitar. Mas mesmo assim, não desistimos da nossa missão de devolver essas pessoas ao caminho certo, e nossa recompensa é vê-los saindo daqui com a dignidade restabelecida. Muitos saíram daqui e voltaram para suas famílias, voltaram a trabalhar. Isso não tem preço”, comemora.

 

Amor ao próximo

Maria atribui como o motivo principal do trabalho voluntário que realiza no local ao ‘amor aos irmãos’. “Eu sempre trabalhei com grupos de oração na igreja católica e com trabalho voluntário, tanto aqui no Brasil com no Japão, país onde morei por 9 anos. Lá eu trabalhei com evangelização de brasileiros em quatro igrejas de quatro cidades distintas – Komaki, Kasugai, Tagimi e Misunami -, onde ajudei a formar quatro comunidades que participavam de grupos de oração, além de cursos de batizados, entre outras atividades. Uma situação que me chamou a atenção lá no Japão foi a alta taxa de depressão entre os moradores de rua, que dormem em pequenas casas feitas de madeira nas ruas das cidades. Fizemos muitos trabalhos humanitários com essas pessoas”, relatou.

Maria destaca que depois que voltou ao Brasil, em 2011, trabalhou em uma rádio religiosa em Américo Brasiliense, onde formou três grupos de oração. E, há quatro anos, colocou em prática seu sonho de montar a casa de acolhimento que já atendeu cerca de 200 pessoas. “Entre as muitas histórias de superação que vivenciamos aqui, eu destaco a do casal Ricardo e Márcia Miranda. Os dois vieram de Taubaté para que ela se tratasse de uma tuberculose no Hospital Nestor Goulart Reis, em Américo Brasiliense. Durante os 9 meses em que a Márcia ficou internada, Ricardo veio até aqui, a princípio apenas para tomar um banho e se alimentar, porém, quando eu lhe perguntei se ele queria sair do vício em crack, que já durava cerca de 20 anos, e mudar de vida, ele se mostrou aberto a recuperação e se transformou em outra pessoa. Resumindo a história, quando se reencontraram depois que ela se curou da doença, se casaram e fomos chamados para sermos padrinhos. Os dois formaram uma bela família e vivem felizes até hoje. Eu não quero reconhecimento público pelo meu trabalho, a minha melhor recompensa é saber que isso é fruto do Sacrário. Minha alegria é quando vejo esses meninos caminhando”, concluiu.

 

Doações

Quem puder ajudar com doações em dinheiro ou até mesmo alimentos, móveis e roupas em bom estado, devem ligar nos telefones: (16) 99644-0453 ou 3358-0225.

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