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A crucificação da Parada Gay

A polêmica sobre a crucificação de uma transexual na av. Paulista vem trazendo discussões ferrenhas entre cristãos e público LGBT

Suze Timpani
A 19ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), em clima de matinê tomou a avenida Paulista, em São Paulo, no último domingo com o tema “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me!”, com 18 trios elétricos e milhares de pessoas.
A polêmica aconteceu em torno da atriz Viviany Beleboni, de 26 anos, que é transexual e espírita, e chocou parte dos participantes. A discussão tomou uma proporção enorme nas redes sociais. Ela se prendeu à cruz, encenando o sofrimento de Jesus. Segundo ela, a ideia era “representar a agressão e a dor que a comunidade LGBT tem passado”. “Nunca tive a intenção de atacar a igreja. A ideia era mesmo, protestar contra a homofobia”, explicou Viviany.
Ela diz ainda que, em cima da cruz, uma placa foi colocada com o texto: “Basta de homofobia”. “As pessoas não sabem ler? Coloquei a placa justamente para ficar claro que era um protesto. E mais: tudo bem encenar a paixão de cristo, mas quando é um travesti não pode, não é?”.
Muitos cristãos encaram a cena como blasfêmia, um atentado a igreja, a religião e a família tradicional. Tal a indignação fez o deputado distrital Rodrigo Delmasso (PTN-DF), evangélico da Sara Nossa Terra, protocolar uma ação no Ministério Público Federal alegando crime de intolerância.
Para uma maioria cristã, o que está faltando é respeito por parte do LGBT. Denis Gonçalves acredita que o respeito é uma via de mão dupla, “e o que vemos é uma verdadeira declaração de guerra”.
Para Josiane Pachiega, “independente de opções sexuais, a imagem é apelativa, a figura de Jesus Cristo, é sagrada e não deveria ser usada em vão por ninguém”.
Valéria Franco diz que “cada um viva sua sexualidade sem se expor ao ridículo, diante dos olhos de Deus somos todos iguais.
Para a empresária Angelita Generoso, que segue preceitos cristãos, “enquanto houver preconceito, racismo, intolerância e desrespeito, haverá dissensões e guerras. Povos se matam para tentarem impor sua religião, política, preferências sexuais e genética. E vamos acumulando ao longo da história, um verdadeiro circo dos horrores, crimes hediondos contra a humanidade.
Mesmo em viagem fora do país o Gestor de Políticas Públicas LGBT de Araraquara, Paulo Tetti, enviou uma nota dizendo que “Não temos dúvida, que muitos acham que viramos gay, e na verdade, sempre fomos, apenas nos descobrimos quando nossa orientação sexual aflora, ou seja, já sabemos por quem sentimos atração. Acho que a Parada Gay é um ato político e necessário, temos que sair as ruas para reivindicar nossos direitos. A foto mostra a crucificação de Cristo e a população LGBT.
Eu não gosto de entrar neste assunto, cada um tem a sua religião, não interferindo em nossas vidas, está tudo bem.
Temos que lutar por melhor saúde para as travestis e trans. Elas sofrem demais com a transfobia, temos que acabar com o preconceito. Precisamos de mais cidadania e menos discriminação”.
Para o empresário e artista Wilton Vital, um dos mais ferrenhos defensores da Parada LGBT de Araraquara, “a crucificação não é algo EXCLUSIVO DE JESUS CRISTO! Antes e depois de Jesus, essa era a forma da sociedade punir as pessoas que se acreditava serem injustas.
Jesus foi colocado em uma cruz mesmo não tendo feito nada de errado e a comunidade LGBT também é colocada constantemente em uma cruz, apenas por serem eles mesmos.
As pessoas costumam ver as coisas da forma mais preconceituosa possível e nem conseguem entender um pouco só da poesia da imagem.
E vejam só, estão crucificando novamente aqueles que mostraram mais uma cena de crucificação justiceira de um povo contra alguém ou algo.
Todos que comentaram aqui achando a imagem um absurdo provaram o que ela queria mostrar: as pessoas crucificam, julgam e se ofendem sem pensar duas vezes. Mas enquanto isso, LGBTs são assassinados por estes que os acusam de blasfêmia. E essas mortes e acusações não são de hoje”, finalizou Vital.

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