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Triatleta de Araraquara viaja para a disputa do Mundial

No Canadá, Renato Dantas competirá nas distâncias sprint e standard

O engenheiro químico Renato Dantas, morador de Araraquara, depois de ter disputado três vezes o Campeonato Mundial de Triathlon Ironman no Havaí, volta a participar de um mundial agora nas distâncias sprint e standard e, desta vez, com as melhores chances já alcançadas.
Renato, que é funcionário da Receita Federal em Araraquara, é atleta patrocinado pelo Estúdio Esporte Fino de Treinamento Funcional, e embarcou no último domingo para o Canadá, para Edmonton – cidade anfitriã da 26ª edição do Campeonato Mundial de Triathlon, a Grande Final.
Natural de Jaboticabal, Renatinho – como é chamado – foi dessas crianças que praticaram diversos esportes junto a seus irmãos, mas sem competir para valer. O esporte veio forte para sua vida quando, com 19 anos, em 1993, foi cursar Engenharia Química na Unicamp, em Campinas, e acabou sendo convidado a integrar a equipe de natação da faculdade.
Daí para iniciar-se no duathlon foi fácil – e só não começou no triathlon porque não tinha bicicleta nesta época. Mas foi questão de meses e lá estava Renatinho com uma bicicleta bastante velha, mas que o faria dar início na jornada que o acompanha até hoje: a paixão pelo triathlon.
Início
Passou a treinar junto à equipe de triathlon da PUCC e o primeiro circuito que participou foi o Troféu Brasil de Triathlon, na época eram cinco etapas em Santos. “Era um Short Triathlon, ou sprint, como é chamado hoje, e tinha gente do Brasil inteiro para a prova de 750 metros de natação, 20 km ciclismo e 5 km corrida. Comecei fazendo esse circuito”, lembra. “Minha colocação era em torno do 40º lugar neste início”.
No final de 1994, resolveu encarar um “Meio Ironman”. “A prova é metade do Iron Man. São 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida. Competi com uma Caloi 12 não apropriada e acabei em 3º lugar no geral. Percebi que levava jeito para o triathlon e, principalmente, para provas mais longas das que eu estava acostumado”.
Aproveitando o ritmo e os resultados, Renatinho começou a treinar mais forte. “Comecei treinar mais e ter mais resultados positivos no amador, como no Troféu Brasil de 1995, onde fui vice-campeão na categoria 20-24 anos”. Foi nessa época que começou a sonhar com os 3,8 km de natação, 180 km de bike e 42 km de corrida do Ironman – mas a faculdade ainda era um empecilho para treinar como gostaria. “Eu corria cedo, antes da aula, e nadava à noite, após as aulas! Era bastante cansativo o ritmo”, conta.
Para puxar o ritmo e dar continuidade ao sonho do Ironman, Renatinho resolveu que em 1996 iria participar das provas da categoria elite para ver como se sairia nesta categoria mais forte e se deu bem. Impulsionou ainda mais seu desejo para o Iron e, em 1997 – último ano de faculdade – enfim participou de uma seletiva para o Ironman do Havaí, e se classificou em 1º lugar na sua categoria. E sabe o que aconteceu? Ele não foi! Nesta época não contava com patrocínio e era estudante “duro”. Não deu.
Seletivas
Mas nada estava perdido e, em 1998, lá vai Renatinho de novo para mais uma seletiva. Neste ano o atleta estava residindo em São Carlos, onde cursou mestrado na Universidade Federal. Seu tempo estava mais livre para os treinos e contava com uma bolsa, o que lhe permitiria arcar com os custos das provas.
No meio do ano participou de outra seletiva, em Porto Seguro, agora para o 1º Ironman oficial do Brasil. O resultado foi excelente: 2º lugar em sua categoria e a garantia de participação no Mundial. Vaga garantida e inscrição paga, mas pouco tempo para treinar no ritmo que o evento exigia.
Conseguiu uma passagem com bom preço, pouco antes de desistir de sua participação, “achava que não estava treinando num ritmo de Mundial”.
Foi, mas por um triz não ficou. “Tinha passaporte, mas não o visto. Consegui na semana do evento! Mas foi uma semana perdida atrás de documentação e acabei não treinando”, explica.
Para ajudar, quando chegou no Havaí, sua mala sumiu com sua roupa e tênis de competição. Estresse total! Mas mesmo assim, Renatinho fez uma boa prova e ficou em 3º em sua categoria e 82º lugar no geral, com o tempo de 9h39.
Com um bom patrocinador no início de 1999, Renatinho voltou-se para o Ironman competindo na categoria profissional e alcançando o 5º lugar na seletiva de Porto Seguro. Em outubro estava no Havaí novamente, competindo com os melhores profissionais do mundo e trazendo o título de “melhor brasileiro” da prova. Sua posição saltou para o 43º lugar no geral e o tempo caiu para 9h10.
No ano seguinte livrou-se do mestrado e renovou o patrocínio. Tudo caminhava bem… até chegar a semana da seletiva para o IM, em Porto Seguro, quando Renatinho adoeceu. Ficou em 7º lugar no geral e não conseguiu umas das cinco vagas destinadas à elite.
Mas não queria ficar de fora e começou a pesquisar provas, quando encontrou o Ironman na Florida, nos Estados Unidos. “Apesar de ser uma prova amadora e sem premiação, eu achava que ficaria, no máximo, entre os cinco primeiros colocados. Acabou que ganhei a prova e estipulei um recorde (8h55) que é mantido até hoje”.
A seletiva de 2001 para o IM, em Florianópolis, foi bastante concorrida e contou com diversos atletas internacionais. Apesar de ter sido o 2º melhor brasileiro da prova, Renato não se classificou (ficou em 11º lugar no geral com o tempo de 8h42).
Em novembro do mesmo ano, em outra seletiva da equipe de elite para o IM 2002, Renato assegurou o 9º lugar. Como eram sete vagas e houve duas desistências, ele conseguiu se classificar para o evento de 2002… e aí rumo ao Havaí novamente!
O ano de 2002 marcou a última participação de Renatinho no Ironman Havaí, com a classificação em 29º lugar e o tempo de 9h05. Depois disso, mesmo treinando, deixou as provas e competições e dedicou-se ao trabalho, que o trouxe a Araraquara em 2008.
Vale destacar que, por dois anos seguidos (2002 e 2003), Renato foi vice-campeão brasileiro de triathlon em longa distância, em Fortaleza e Brasília respectivamente.
Canadá 2014
Há dois anos, em 2012, Renatinho voltou a treinar mais intensamente. E veio com tudo. Com o apoio do irmão, Ricardo Dantas, seu técnico, ele tem uma rotina bastante pesada de treinos. “O Ricardo é de Florianópolis e me envia os treinos nas três modalidades, enquanto o André Pavani, do Estúdio Esporte Fino, me orienta com o fortalecimento com exercícios funcionais”.
Este ano Renato garantiu o título de “melhor tempo brasileiro” na Maratona de Paris (2h37). Agora, para as provas em Edmonton, vem numa rotina forte de treinos.
Ele conta que serão duas provas no Canadá. “No dia 29 de agosto será um ‘Sprint Triathlon’, enquanto no dia 01 de setembro será a prova ‘Standart’ com a distância olímpica de: 1,5 km de natação, 40 km de bike e 10 km de corrida. No Sprint Triatlhon, as provas são metade da Standart”, explica.
Renatinho parte de Araraquara no domingo. “É ideal chegar uma semana antes, por causa do fuso e do clima. Assim dá para me adaptar melhor”, revela.
De acordo com o atleta, ele vem treinando forte e sem problemas com lesões. “Estou me sentindo bem e acho que farei uma ótima prova. A intenção é ficar entre os cinco da minha categoria (40-44 anos) na categoria Standart”.
“Gostaria de agradecer também a Academia Acqua, onde realizei os treinos de natação em pleno inverno, e a Graciano Chevrolet pelo apoio, além da Esporte Fino que foi fundamental nesta preparação”, lembra Renato.
É a quarta vez que o Canadá recebe o Campeonato Mundial, inclusive Edmonton foi sede em 2001. A expectativa é que Renatinho represente muito bem o Brasil e faça uma prova onde possa superar seu tempo e suas expectativas.

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