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Projeto Roseli fecha o ano com festival no Sesi

Carlos André de Souza

No último sábado, na quadra poliesportiva do Sesi, na Vila Xavier, foi realizado o Festival de Basquete do Projeto Roseli, com o objetivo de encerrar as atividades do ano de 2011 com uma confraternização entre professores, pais, autoridades e as alunas que integram o programa concretizado com o apoio da Secretaria de Esportes e Lazer e Fundesport.

O projeto atende aproximadamente 140 meninas de 10 a 15 anos, estudantes de escolas públicas de oito pontos da cidade: Jardim Maria Luiza, Melhado, Jardim Universal, São José, Adalberto Roxo, Hortênsias, Jardim Indaiá e Jardim Paraíso. Os professores vão até os bairros e ministram as aulas nas quadras de esportes das escolas, em períodos fora dos horários das aulas. Em algumas localidades, as aulas de basquete são realizadas à noite, dando a oportunidade de serem integrados tanto alunos que estudam no período da manhã como da tarde.

A idealizadora é a ex-jogadora da seleção brasileira de basquete, Roseli Gustavo, araraquarense que coleciona diversos títulos como o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1991 em Cuba, o mundial em 1994 na Austrália e a medalha de prata nas Olimpíadas de 1996 em Atlanta, Estados Unidos. Ao lado do professor Gilberto Paganini Marin, que é um dos maiores incentivadores da modalidade na cidade, a ex-atleta conseguiu transformar o sonho em realidade. “Depois que voltei para a cidade em 2005, eu queria fazer alguma coisa para a comunidade de Araraquara. Eu saí daqui muito cedo, com 13 anos. Para mim, foi muito importante ficar esse tempo fora, em razão de tudo o que aprendi, mas eu queria que as meninas tivessem a oportunidade de permanecerem aqui em Araraquara e de aprender aqui o que eu tive que aprender fora”, conta Roseli.
Quando cursava Educação Física na Uniara, o projeto começou a sair do papel. “Em 2008 começamos a ter uma conversa com o prefeito Edinho e surgiu essa ideia, que foi realizada com uma verba que era destinada às categorias de base do basquete. Depois de muitas conversas com o Gil, que já era meu professor na Uniara, resolvemos focar no público feminino, pois o masculino já tinha suas categorias de base e o feminino quase que não tinha nada além do trabalho do Gil aqui no Sesi”, relembra.

Posteriormente, o prefeito Marcelo Barbieri assumiu seu mandato e continuou apoiando. “A Roseli é um exemplo dentro e fora das quadras e seu trabalho deve ser valorizado, por ser um trabalho sério e comprometido na divulgação e incentivo ao basquete feminino”, elogiou o prefeito durante seu discurso no sábado.
Segundo Roseli, sempre existiu uma carência em atividades esportivas focadas no público feminino. “Hoje vemos, não só em Araraquara, como no Brasil e no mundo, que não existem muitas políticas voltadas para meninas no esporte. Geralmente é misto e, nesses casos, sabemos que os meninos são mais fortes, as meninas acabam ficando isoladas e elas acabam parando”, relata.

Outro fator bem delineado foi a idade das meninas que integram o projeto, que vai de 9 a 15 anos. “É uma idade de risco, pois estamos vendo cada vez mais meninas dessa idade engravidando e por isso procuramos ter muitas conversas com elas. O projeto proporciona um convívio no esporte, onde elas vão aprender outras coisas além do basquete. Queremos que elas aprendam as regras, disciplina e que possam levar isso para suas vidas. Sabemos que dessas 140 meninas, uma ou duas vão seguir e chegar um dia onde eu cheguei, na seleção brasileira, pois sabemos das dificuldades que temos no Brasil para formarmos campeões. Mas espero que um dia, quando todas estiverem casadas e formando suas famílias, elas possam falar que o projeto fez diferença na vida delas e que passem para seus filhos esse aprendizado”, conclui a campeã.

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