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Opinião: Basquete araraquarese: Próximo do fim ou perto do começo?

No meu primeiro livro, “A Maldição das Moedas”, eu conto uma história sobre o satânico poder do dinheiro sobre os homens.

No meu primeiro livro, “A Maldição das Moedas”, eu conto uma história sobre o satânico poder do dinheiro sobre os homens. E isso é fato! Há milhares de anos as cifras determinam todos os rumos nesse planeta e tornam as pessoas reais escravas de um nocivo poder que sequer compreendem. O maldito dinheiro constrói impérios, mas destrói almas. Ele gera iludidos bem sucedidos, mas mata boas pessoas. E, pior, ele realiza sonhos, mas cobra um preço tão alto para tais realizações que sorrateiramente rouba a essência dos corações. E quem começa a não mais ouvir a sincera voz do coração para dar atenção somente à razão, há muito já se tornou um tolo escravo do poder que sequer compreende…
Tudo isso, todas essas “escravidões”, acontecem em âmbitos gerais. Familiares se matam por maiores fatias nas heranças, profissionais pisam e atropelam sem medir conseqüências na busca cega por melhor espaço nas empresas, empresários e banqueiros esmagam sem piedade por lucros e retornos mais sanguinários, políticos se aperfeiçoam cada vez mais na arte de mentir e roubar descaradamente e assim por diante. E, infelizmente, no esporte não é diferente. Os bastidores e as articulações vão além do que imagina-se. Falsos e passageiros ídolos são forjados somente por moedas enquanto verdadeiros e explícitos talentos são enterrados vivos pela falta delas. Os “poderosos” possuem o toque de Midas numa das mãos e o tato da morte na outra, sempre só com os interesses comerciais em vista.
O complexo e traiçoeiro sistema capitalista não permite erros. Isso também é fato clássico. Mas, que bom seria se alguns desses poderosos deixassem só por um minuto os interesses financeiros de lado e pensassem, “só por um minuto”, com o coração… Afinal, o que se leva desse mundo? De que vale tanto poder se a forma de usá-lo nunca transforma tristeza em alegria? De que vale tanta egoísta influência se ela é direcionada somente para aumentar mais e mais a própria influência egoísta? O que pode ser, nessa vida, mais valioso e gratificante que usar o que se tem para mudar para melhor a vida de outras pessoas?
E exata e infelizmente é isso que vem acontecendo com o basquete de Araraquara. Está sendo lentamente sepultado pela falta de apoio das grandes empresas. Essas que se posicionam com indiferença diante de tanto que poderiam proporcionar por “poucos trocados” mensais. Poucos trocados se comparados ao poder dos seus fartos caixas. Logicamente a alegação é e será sempre a falta de retorno dos investimentos, baseada somente nos interesses já mencionados – “sempre os malditos interesses”…
A nossa querida Cultrale, por exemplo, é um orgulho para a cidade. É um nome mundial, gera milhares de empregos que alavancam a economia local, seus impostos recolhidos são imprescindíveis em todos os níveis governamentais e, por tais, sua força geral é indescritível. Entretanto tem também seus lados nocivos à sociedade.
Com as devidas compensações já foi presenteada com uma rua “pública”, tem semáforos de trânsito em avenida de fluxo rápido somente para uso particular e benefício próprio, supostamente já matou peixes do rio na região dos Machados, mesmo contra vontade nos faz sentir cheiro de laranja todo o tempo e assim por diante.
Essa poderosíssima indústria não dá um só real direto para o esporte de base de Araraquara. Amigo diretor responsável pelas “doações”: faça sua “laranjinha” ser ainda mais respeitada e amada, estampe-a também nos uniformes dos nossos meninos gigantes e ajude-os a se tornarem ainda maiores. Os valores necessários para dar continuidade ao projeto e aos sonhos dos garotos vocês têm nos consoles dos seus carrões chiques… Pode ser que tempos atrás tenham se decepcionado com parcerias mal sucedidas e certas “obscuridades” dos bastidores esportivos, mas sempre é tempo para acreditar que ainda existem pessoas realmente bem intencionadas.
A nossa igualmente querida Lupo é outro caso. Seu famoso logotipo anda cada vez mais exposto “nas bundas” de juízes e jogadores de futebol de todas as séries e em todos os estados brasileiros – agora até em alguns times da América do Sul. Toda essa exposição é mais um exemplo de orgulho, já que projeta também o nome da cidade para o mundo. Há algum tempo a Lupo gentilmente contribuía com um valor mensal que em muito ajudava e fazia dessa empresa a maior patrocinadora do esporte. Bons tempos de alegria… De repente e sem muita conversa desanimAram, baixaram o numeral e agora não querem mais colaborar com mais nada. Dizem que em alguns momentos difíceis o chão some sob os pés. Mas nesse caso em específico foi a “quadra” que desapareceu sob os grandes tênis…
Amigos “Lupos”: nós sabemos que o Neymar é o cara da vez e a hipnotizante novela “Global” das nove uma eterna vitrine de luxo. Mas, tudo só para eles? É claro que os milhões gastos aí são de vocês e, por tal, não devem satisfação a ninguém; contudo será que não sobra nem um restinho para os “nossos arremessadores”? Como eu mencionei acima, será que não dá para pensar um pouquinho mais com o coração e deixar a razão financeira de lado nesse caso específico? Vocês são “gente boa daqui” e obviamente amam a cidade como todos nós amamos. O basquete pode não ter a mesma força de retorno em massa do futebol e os nossos jogadores grandões podem não ser tão lindos quanto os galãs das lacrimejantes novelas, porém essas pessoas estão se arrastando em busca de pouco para continuar existindo. São jovens insistentemente tentando trilhar um bom rumo. Pensem nisso com carinho, por favor…
Lembrem-se que o ídolo Oscar “Mão Santa” também já foi um grande “cara da vez” com seus feitos até internacionais. Mas logicamente tudo com os devidos apoios.
Eu citei essas duas empresas pelo poder e pela fama que possuem, mas existem em Araraquara centenas de outras grandes e médias que se enquadram a esse direto pedido de apoio. Na verdade pedido quase de socorro… “Poderosos amigos investidores”: infelizmente cada vez mais crianças e adolescentes se envolvem com as assassinas drogas, mas muitas outras buscam nos esportes de base chances para um futuro melhor – inclusive no basquete. Por tal, amigos, pensem também com carinho e com o coração sobre o quanto podem fazer por esses futuros.
A falta de apoio financeiro é logicamente a base dos fracassos, mas existem ainda mais dificuldades em meio ao desanimador mar de problemas. Algumas pessoas especiais que também muito poderiam fazer em virtude dos seus cargos e posições, só interferem negativamente – igualmente levadas pelo poder do dinheiro. Os nomes desses senhores serão ignorados pois só os fatos são relevantes. Um influente personagem da alta diretoria da Ferroviária, por exemplo, insiste na tese que Araraquara não comporta outros esportes além do futebol masculino.
Ele insiste também que todos os recursos financeiros, tanto públicos quanto privados, sejam direcionados somente aos cofres da AFE. Tudo só para eles, sem “desperdícios com outras bobagens”. Entendem melhor agora o que tento explicar sobre o maldito poder dos valores? Percebam o nível de egoísmo máximo desse caso. O futebol de fato é uma mina de ouro, mas nem “só” disso pode viver e ser lembrada uma cidade que acelera e caminha rumo ao topo. Uma cidade como a nossa não pode pensar pequeno como esse senhor. Além do que desde os anos 80 não somos lembrados por bom futebol. Ou seja, desperdícios com “bobagens” podem ter várias óticas…
Além desse caso existem outras pessoas que agem de formas igualmente estranhas. Parecem rodar propositalmente na “contramão” em certos trechos da longa estrada. Dizem-se preocupadas, posicionam-se como leais amantes dos esportes de base e, principalmente, com o bem estar geral das desprivilegiadas crianças da periferia.
Os discursos são bonitos e as teorias lindas, entretanto as práticas são bem contraditórias. Em qualquer mínima situação, muitas vezes pessoais, esquecem a nobre causa e enaltecem egoístas particularidades desnecessárias. Particularidades essas que nada agregam e somente mal fazem aos objetivos reais do contexto. Agir assim é o mesmo que conviver num belo, explicitamente feliz e elogiável casamento, mas “trair” em qualquer mínima chance. Ou seja, que absurdo estranho amor é esse?
O caminho do basquete é dividido em etapas baseadas na idade dos (as) atletas. A prefeitura banca com recursos próprios escolinhas espalhadas pela cidade para “arrebanhar interessados” com idade média de até 12 anos. O trabalho do nosso prefeito, Marcelo Barbieri, tem sido exemplar e determinante nessa área, tanto que o nosso time juvenil sub 19 é destaque nas competições e vem conseguindo resultados fantásticos – mesmo “aos trancos e barrancos”. A Fundesport também vem atuando de excelente forma como apoiadora. Dias atrás, por exemplo, em conjunto trouxeram até mesmo a “Rainha Hortência” para prestigiar e dar incentivo a essas escolinhas. Ninguém melhor que umas maiores “cestinhas” da história do nosso basquete feminino para avalizar o projeto. Entretanto a própria Fundesport anda “penando” ultimamente, visto que também necessita de patrocinadores para atuar – os recursos públicos para tais fundações são restritos.
Os próximos passos, de acordo com a idade gradativa após 12, são direcionados pelo SESI. Lá os atletas vão passando por uma espécie de aperfeiçoamento e afunilamento rumo ao time profissional – ABA. E aí surgem mais problemas por falta de incentivo. Mesmo diante de vários destaques, regularmente é necessário gastar mais para buscar e contratar jogadores de outras cidades por desistências, abandonos, ausências em treinos e assim por diante. Em virtude disso às vezes a cidade fica fora de competições em certas categorias por falta de atletas e assim por diante também. Em resumo: a coisa começa certa com as crianças lá em baixo e vem chegando cada vez mais despedaçada na zona profissional.
Entretanto, senhoras e senhores, a organização burocrática e os detalhes técnicos para um bom desenrolar das equipes não são relevantes para o momento. Para o nome da cidade se destacar no cenário nacional temos profissionais competentes, empenhados e realmente bem intencionados. A questão aqui é somente a falta de investimentos! A questão são os patrocinadores que os garotos precisam urgentemente para uma reestruturação igualmente urgente.
A temporada principal (nacional) 2011/2012 infelizmente já é triste passado, visto que não conseguimos agir em tempo. Mas ainda há como objetivos um promissor campeonato paulista e uma Copa Brasil – ambas também vistosas competições. Entretanto, não se sabe se haverá dinheiro para os míseros custos existenciais até mesmo nessas batalhas. Não se sabe sequer se os meninos terão “meias” para usar… Uma triste realidade que pode ser mudada com mínimas ações, mas ações imediatas.
Os incentivos da prefeitura na época certa da vida dos atletas e a presença da Hortência ajudando mostra que o nosso basquete está bem perto do começo. Porém, o cruel desinteresse dos que muito podem fazer em termos de valores deixa perigosamente claro que o esporte está próximo ao fim. Que o destino e os devidos “corações” façam suas partes e que todos nós saiamos ganhando com o resultado final – principalmente as crianças sonhadoras que precisam de um “brilhante time principal” como espelho para esses sonhos.
Abraços aos amigos “mosqueteiros” – Paulilo, J.R. Fernandes e Campesan – e a todos os persistentes jogadores que mais lutam fora das quadras do que dentro delas. Vocês são “os caras”! Agradecimentos antecipados também aos grandes empresários que lerem e isso e… mexerem-se. Obrigado especial ao empenhado Eduardo Di Poi – Diretor esportivo da ABA – pelas descontraídas conversas que geram esses textos. Textos esses que têm como finalidade somente sensibilizar quem pode ajudar para que se prolifere a alegria geral.

Vicente S. Junior – “Junião” – Jardim Martinez / Araraquara.
Email:juniaobandamamiferos@gmail.com

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