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O Esporte pede socorro



Com profissionais demitidos e risco de cortes de viagens, esporte de Araraquara vive momento de apreensão. Secretário Geicy Sabonete busca alternativas para contornar crise financeira

Carlos André de Souza

A semana começou tensa para o esporte de Araraquara com a notícia da demissão de 16 funcionários por conta dos cortes no orçamento da Prefeitura, que vive um momento financeiro turbulento e que tenta equilibrar suas contas. Várias equipes foram afetadas e as que mais sofreram foram as modalidades coletivas, que a partir de agora contam com apenas um funcionário, no caso o técnico, enquanto preparadores físicos e assistentes foram integrados à lista de exoneração. Existem ainda outros 12 profissionais que tiveram seus salários reduzidos.
As modalidades de futsal, handebol, futebol feminino e basquete são as que mais sofreram com os cortes, já que os profissionais demitidos exerciam papeis fundamentais nas comissões técnicas. Algumas das equipes buscam patrocínios pontuais com o intuito de reintegrá-los aos times. Entretanto, o caso mais grave é do basquete feminino, que perdeu o técnico André Carrascoza e pode ser extinto na cidade.
As notícias preocupantes não param por aí, já que ontem surgiu a possibilidade dos cortes afetarem também os custos com viagens. Até mesmo os ônibus que normalmente são colocados à disposição pela Prefeitura não farão mais o transporte das equipes. Apenas um veículo, da própria Fundesport, fará o trabalho e o problema pode surgir quando duas ou mais modalidades tiverem agenda de competições no mesmo dia em outras cidades.
Estima-se que a economia gerada com as reduções nas folha de pagamento chegue a R$ 30 mil por mês. Os profissionais exonerados integravam a folha da Prefeitura, já que recentemente foram recontratados como gestores do município. A preocupação maior, no entanto, é se os cortes começarem a afetar a verba da Fundesport, o que gira em torno de R$ 120 mil mensais. Se forem efetuados cortes nesse montante, a tendência é a dispensa de atletas, a desistência de competições e até mesmo a extinção de diversas modalidades.
A própria participação de Araraquara nos Jogos Abertos do Interior, que já era colocada em dúvida, corre um risco ainda maior com todos esses agravantes. A Fundesport busca alternativas e apoio por parte da iniciativa privada para gerar receitas e contornar a situação.

Sabonete garante: “Vamos virar esse jogo”
O secretário de Esportes de Araraquara, Geicy Rafael Peres, o Sabonete, garante que está buscando alternativas para contornar o problema financeiro que ocasionou a demissão de 16 profissionais do esporte da cidade. “Os nossos técnicos são gestores esportivos. Isso foi uma lei que regulamentamos porque quando entrei aqui o Esporte estava passando por diversos problemas. Resolvemos essa situação quando fizemos esses contratos de gestores esportivos. Mas eles entraram no bolo dos 245 cargos que o prefeito tem. É claro que fiquei chateado, mas como eu disse para o prefeito, eu não vou abandonar o barco. Temos 32 modalidades e a única que caiu foi o skate, porque precisamos dar uma reestruturada na pista de skate, que está com um problema relacionado a usuários de drogas. Então é a única modalidade que não temos no momento uma escolinha. Os cortes não afetaram em nada as escolinhas. Saíram duas pessoas da ginástica e do parque aquático, mas vamos colocar professores em outro horário para repor isso. Os esportes mais afetados foram os coletivos, que tinham técnico, auxiliar técnico e preparado físico. Cortamos de cinco modalidades e perdemos dez pessoas. Estou muito triste com essa situação, mas tenho a certeza absoluta de que vamos recontratar todos eles”, assegura.
Segundo ele, um dos principais motivos para uma boa perspectiva de melhora é a Lei de Incentivo ao Esporte, que a cidade conseguiu e que dá a possibilidade de arrecadação de um valor até R$ 836 mil, que seria descontados do imposto de renda pago por empresas que não teriam nenhum custo a mais para colaborar com o projeto. A exigência, no entanto, é de que a cidade consiga, até outubro, pelo menos 40% desse valor, ou seja, R$ 334 mil. Desse total, a cidade teria angariado algo em torno de R$ 80 mil, oriundos do apoio da Lupo e outras empresas. “Esperamos, com a Lei de Incentivo, contratar de volta esses profissionais. O esporte tem essa vantagem, diferente dos outros cargos da Prefeitura, que não têm essa possibilidade de angariar recursos. Eu, o Danilo Zero, o Joaquim Palomino, o Jair Martineli, o Boi, o Roberto Pereira, inclusive o prefeito Marcelo Barbieri, estamos empenhados em falar com as empresas para levantar esses recursos. Estamos correndo contra o relógio e pedimos a ajuda das empresas da cidade, que podem ajudar sem pagar nada a mais do que já pagam”, explica Sabonete.

Realização de eventos também é uma alternativa
Outra possibilidade de captação de recursos para o esporte de Araraquara é a realização de eventos. Por exemplo, no próximo dia 21 de agosto será realizado o X-Fight MMA, que alugou o Gigantão e que deve ser um evento rentável para a entidade, até mesmo por conta do estacionamento, cujo lucro será da Fundesport. Para setembro, também já está confirmada a realização do XFC, competição internacional de MMA que deve gerar uma renda de R$ 250 mil para a cidade.

Fundesport pede para administrar a Arena
Como relatado nas páginas anteriores, o secretário de Esportes de Araraquara, Geicy Sabonete, procura alternativas para resolver os problemas financeiros da Fundesport. Além da busca de apoio de empresas por meio da Lei de Incentivo ao Esporte e da realização de eventos, o secretário vai pedir para que a Fundesport assuma a administração da Arena Fonte Luminosa, que atualmente é administrada pela Morada do Sol Turismo e Eventos.
Sabonete conta que já comentou sobre essa possibilidade com o prefeito e com a presidente da Morada do Sol, Eneida Miranda de Toledo. Segundo ele, um pedido formal será feito hoje, às 15 horas, em um encontro com Marcelo Barbieri na Prefeitura.
O motivo do pedido é que Sabonete vê o estádio araraquarense como uma fonte de renda, não apenas com a realização de eventos, mas também outras iniciativas. Para ele, o estádio é uma marca do esporte da cidade, por isso deve ser utilizado para render recursos ao esporte.
“Precisamos aumentar os recursos para o esporte. Devemos fazer parceria com os times de fora. Sabemos que ninguém está nadando em dinheiro, mas vamos buscar várias outras maneiras de conseguir esses recursos. Uma delas seria a colocação de mais placas de propaganda ali dentro, porque está escasso. Quando vamos para qualquer cidade da região e de fora, todos perguntam sobre a Ferroviária e sobre a Fonte Luminosa. O campo é administrado pelo Turismo e temos que fazer os recursos virem para o Esporte. Temos ali o piscinas, tênis, parque aquático e acredito que o estádio deva ser administrado junto com todo o Complexo da Arena da Fonte”, explica.
Para trazer jogos à cidade, Sabonete apostaria na boa relação do presidente da Fundesport, Joaquim Palomino, que é também presidente do PTB de Araraquara, com Campos Machado, líder do mesmo partido, que por sua vez tem um bom contato com a Federação Paulista de Futebol (FPF).

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