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Futebol feminino de Araraquara sonha com Marta na Libertadores

Carlos André de Souza
Após a conquista do título do Brasileirão Feminino pelas Guerreiras Grenás no final de novembro, passou a circular entre os torcedores da Ferroviária um comentário de que a meia-atacante Marta, camisa 10 da Seleção Brasileira, poderia vestir a camisa grená em 2015. O ‘boato’ foi levado a sério por poucas pessoas, mas para esclarecer a questão, a reportagem do jornal O Imparcial procurou Danilo Zero dos Santos, diretor responsável pelo time de futebol feminino de Araraquara, que surpreendeu em sua resposta, dizendo que de fato cogita a possibilidade. O sonho, entretanto, depende de vários fatores para se tornar realidade.
“Para nós seria algo espetacular contar com uma atleta como a Marta, que é bem-vinda em qualquer equipe do futebol mundial. Não existe nada concreto e sequer chegamos a conversar com ela, mas tivemos a ideia de tentar trazê-la. Pensamos nisso quando conquistamos a Copa do Brasil e com isso carimbamos a vaga na Libertadores”, revela.
Danilo, no entanto, cita um fator que deve ser determinante para a vinda da atleta de 28 anos para Araraquara. “Diferente da Libertadores masculina, a feminina é disputada inteiramente em uma única cidade-sede.
Araraquara está na briga para receber a competição e caso a escolha de nossa cidade venha a se confirmar, creio que as nossas chances de trazer a Marta aumentarão muito, pois ela iria valorizar ainda mais o bom momento que a modalidade está passando na cidade. A escolha de Araraquara como sede seria o ponto-chave para conseguirmos um patrocínio que viabilizasse essa vinda”, explica.
Atualmente, Marta defende a equipe do Rosengard da Suécia. Pelos planos da Ferroviária/Fundesport, haveria um diálogo para reduzir o salário em relação ao que a craque recebe na Europa. “Como a Libertadores dura apenas um mês e é disputada após o término da temporada européia, acredito que poderíamos conversar para chegarmos a um valor bom para os dois lados. Tudo depende de conversas, mas creio que é um sonho possível”, salienta o diretor.
Obstáculos
Danilo cita outros fatores que podem se tornar obstáculos à frente desse plano. O primeiro deles é o fato de que a Libertadores tem sido disputada no Brasil desde 2009. “O Brasil tem recebido muito a competição, já que os outros países sul-americanos não se candidatam por conta dos custos. Por isso, se alguma cidade de fora do país se candidatar, muito provavelmente irá ganhar. Por outro lado, se tivermos apenas concorrentes do Brasil, vejo que nossas chances são grandes por conta do momento que vive o nosso time e também pela força do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que já declarou seu apoio a Araraquara”, acrescenta.
A escolha de Araraquara também implicaria em melhorias de algumas praças esportivas. “A organização da Libertadores exige três campos de futebol para serem realizados os jogos na cidade, por isso dependeríamos também de nossa estrutura. Além da Arena, também deveríamos investir na reforma de outros campos, como o do Botânico”, completa.
Marta já brilhou em Araraquara
A camisa 10 da Seleção Brasileira já apresentou seu futebol para o público de Araraquara em janeiro de 2011, quando a Arena Fonte Luminosa sediou o Torneio Internacional Interclubes, que contou com as equipes do Santos, Palmeiras, Foz Cataratas e Umea da Suécia. Na ocasião, a atleta deu show e ajudou o time do Santos, na época conhecido como Sereias da Vila, a levantar a taça de forma invicta. Na ocasião, Marta atuava ao lado de Maurine, que hoje defende a Ferroviária e com quem tem grande amizade.
Durante a competição realizada na Morada do Sol, Marta interrompeu sua passagem por aqui para ir até a sede da Fifa em Zurique, na Suíça, onde recebeu sua quinta Bola de Ouro como melhor atleta do planeta. Na volta, imprensa do Brasil inteiro a recepcionou no Hotel Morada do Sol, onde a jogadora concedeu entrevista coletiva e se emocionou ao exibir o troféu.
Na ocasião, Marta também foi homenageada pela Prefeitura de Araraquara com uma placa na Fonte Luminosa, onde também aproveitou para conhecer o Museu do Futebol e Esportes.
Entrosamento com afeanas
Caso venha a vestir a camisa grená na Libertadores de 2015, Marta já estará familiarizada com boa parte do elenco, já que a Ferroviária/Fundesport é o time que mais cede atletas à Seleção Brasileira. No momento, a Seleção comandada pelo técnico Vadão está em Brasília, onde disputa um torneio internacional que conta com Argentina, Estados Unidos e China. O time canarinho conta com seis afeanas no grupo: a goleira Luciana, as zagueiras Mônica e Tayla e as meiocampistas Thaísa, Maurine e Raquel.Raquel, aliás, fez um dos gols da vitória por 4 a 0 sobre a Argentina na última quarta-feira, quando cinco afeanas estiveram em campo. O Brasil voltará a jogar neste domingo, às 18h45, contra os Estados Unidos, com transmissão ao vivo pela Band.
A Libertadores também não será novidade para a camisa 10. Em 2009, Marta foi a protagonista da conquista do Santos, primeiro time campeão da versão feminina da competição sul-americana.
Sondagens
Danilo Zero também revelou à reportagem que a maioria das jogadoras campeãs brasileiras com a Ferroviária/Fundesport receberam propostas para deixar a equipe, mas a diretoria se desdobra para segura-las no elenco. “Todas elas querem ficar, mas muitas vezes a proposta é difícil de ser superada. Estamos conversando para tentar adequar tudo e manter a qualidade do time para 2015”, conta.
Segundo ele, a atleta mais difícil de ser mantida é a meiocampista Maurine. “É uma jogadora famosa e que recuperou seu espaço na Seleção. Assim como as outras, ela quer permanecer aqui e estamos fazendo de tudo para segurá-la em Araraquara”, conclui.
Mais sobre Marta
Marta Vieira da Silva tem 28 anos e é unanimidade quando se fala em futebol feminino. Eleita cinco vezes e concorrendo mais uma vez ao título de melhor jogadora do mundo da Fifa, a meia-atacante é o grande destaque da Seleção Brasileira, com 73 gols marcados em 84 jogos pelo time canarinho.
Nascida em Dois Riachos (AL), ela começou como juvenil do CSA alagoano. O Vasco, em 2000, foi seu primeiro time profissional aos 14 anos de idade. Após dois anos na equipe carioca, transferiu-se para o Santa Cruz, do Recife, que defenderia por mais duas temporadas, antes jogar no Umea IK, da Suécia, clube que atuou de 2004 a 2009. Passou ainda pelo Los Angeles Sol (2010), Santos (2009 e 2010), New York Flash (2011), Tyresö da Suécia (2012-2014) e FC Rosengard da Suécia, time que defende atualmente.

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