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AFE: Uma paixão grená



Camisas do time retratam o amor incondicional da torcida pelo clube

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O primeiro da maioria, o segundo de todos. Esse poderia ser um dos lemas que sustenta o amor incondicional dos torcedores pela Ferroviária, principal cartão postal da cidade. Em Araraquara, quem não tem a AFE como opção prioritária, reserva um espaço especial em seu coração para o grená e branco. Além da tradição, a rica história e conquistas do clube culminam com a manutenção e renovação das novas gerações de afeanos, mesmo após 18 anos ausente da elite do futebol paulista. Hoje, a torcida que acompanha indistintamente a Ferrinha, tem na maioria dos seus membros, representantes que nunca viram a Locomotiva em ação na 1ª Divisão.

Na iminência de toda competição, além da expectativa acerca do desempenho do time, muitos vivem a ansiedade inerente ao modelo do uniforme da Ferroviária. A camisa, chamada pela torcida de “Manto Grená”, é motivo de orgulho para os amantes da AFE. O trato com o público no Museu do Futebol é parâmetro para constatarmos, que além dos aficionados da equipe, os visitantes de outras localidades também aprovam e elogiam com veemência as cores do clube. No local, invariavelmente ouvimos o seguinte comentário. “O diferencial na camisa da Ferroviária é que não estamos falando de vermelho, nem avinhado ou tampouco roxo. É grená mesmo. Essa tonalidade é sensacional!”, exclamam. Não é por acaso que muitas pessoas presentes no museu, querem saber como adquirir a camisa e demais objetos do clube, a fim de levar como recordação para suas respectivas cidades. Percebemos ainda que o uniforme é peça de desejo de muitos colecionadores, justamente pelo fato do grená ser a cor predominante. Muitas vezes não conseguimos mensurar o quanto a Ferrinha é admirada por torcedores de outras agremiações.

Atual técnico da equipe feminina da Ferroviária/Fundesport, Douglas Onça, ídolo do clube, além do quinto maior artilheiro da AFE, costumeiramente se refere ao jaleco grená, como sua ‘segunda pele’.Recentemente, em passagem pelo museu, o ex-jogador Ministro, que fez parte do primeiro elenco em 1951, com a sabedoria dos seus 90 anos, mirou as camisas do time e disparou. “Ah Ferrinha! Tuas cores nos encantam!”. Vários aspectos podem ser questionados nos 63 de existência da agremiação, contudo, se existe um consenso, podemos afirmar que tal unanimidade está associada à combinação grená e branco.

O porquê do grená e branco

A Ferroviária foi fundada em 12 de abril de 1950. Nessa data, muitos assuntos estiveram em pauta, dentre eles, a cor da camisa do novo clube. Para o nome do time não houve grandes debates, pois a opção em usar a elipse da Estrada de Ferro Araraquara (EFA), com a inversão da sigla foi aclamada por todos.

Todavia, no que diz respeito às cores, a decisão exigiu tratativas mais acaloradas. Houve várias propostas, uma delas do presidente fundador, Antônio Tavares Pereira Lima. Seus contemporâneos afirmam que ele propôs o azul e branco, por conta da simpatia pela Seleção Carioca. Outra versão diz que seu intento era homenagear uma antiga associação ferroviária. Porém, Silvio Barini, torneiro-mecânico da AFE, discursou acerca da cor grená para o uniforme. Um argumento pra lá de plausível, levando em conta a origem da agremiação e a semelhança com a carenagem das locomotivas, que tinham tonalidade parecida. Ao término da votação prevaleceu o grená e branco. Corre a versão, que em 1952, quando inventou a ADA (Associação Desportiva Araraquara), Pereira Lima fez questão de estabelecer a cor que havia pensado para a Ferroviária. O distintivo da Desportiva era similar ao do selecionado do Rio de Janeiro.

Passagens interessantes

A Ferroviária jamais abriu mão de suas cores originais. Inicialmente o time atuava com a camisa grená. Não tardou para que a Locomotiva também envergasse o jaleco branco. É interessante mencionar, que houve algumas tentativas de ajustes no modelo da camisa no começo da trajetória do clube. Aconteceu ainda uma situação curiosa.

No Paulista da 2ª Divisão de 1951, o primeiro disputado pela AFE, o time esteve perto de chegar às finais. A Ferroviária estava inserida no grupo da Região Central e terminou a fase de classificatória empatada com a mesma pontuação da Inter de Bebedouro. Foi necessário a disputa de uma partida extra entre ambos, para definir quem seguiria no certame. O desafio ocorreu em Ribeirão Preto, no estádio Luis Pereira, reduto dos botafoguenses. No intuito de granjear a simpatia dos torcedores locais, a diretoria da AFE decidiu jogar com o uniforme do Botafogo. Hoje, diante de tamanha rivalidade, a atitude deixaria pasmos os afeanos. O resultado não foi o esperado, pois a Ferrinha perdeu por 3 a 0. Talvez esse revés tenha contribuído para a sequência dos êxitos futuros diante do Pantera.

Na temporada de 53 o corpo diretivo do clube apresentou um uniforme que a Ferroviária usou em poucos confrontos: camisa branca, tendo uma faixa grená na transversal, sem o distintivo. No ano seguinte, em várias oportunidades, a Locomotiva atuou com a camisa listrada em grená e branco na horizontal. Atualmente o modelo é aprovado por uma fatia considerável da torcida, mas na época não caiu no gosto popular. Essa é a explicação apresentada por aqueles que viveram o período. Entretanto, não está descartada que a ideia dos mandatários pudesse realmente ser de caráter efêmero.

Ideal grená

O apreço dos torcedores pelas cores do time é tão significativo, que nas ocasiões em que as empresas responsáveis pela confecção da camisa não conseguiram resgatar o grená tradicional, se aproximando algumas vezes do vermelho ou roxo, as reclamações foram constantes. A paixão pela AFE e por suas cores estão acima de tudo.

O grená de todas as modalidades

Não foi apenas no futebol que a Ferroviária teve suas glórias. Em outras modalidades, como ciclismo, natação, atletismo, basquete e bocha, o clube invariavelmente se destacou, sempre com número significativo de adeptos.

Em 1983, AFE estampa patrocínio pela primeira vez

As camisas dos clubes de futebol têm sido objeto de crescente cobiça por marcas em busca de visibilidade. No entanto, o patrocínio começou a aquecer-se nos anos 80. Inicialmente as empresas fornecedoras de material esportivo foram permitidas a divulgar seus logotipos nas camisas, embora já fabricassem as mesmas. Posteriormente a propaganda pôde ser feita só na parte de trás da camisa. Nos anos seguintes, muitos clubes aderiram à novidade.

A partir de 1982, o Conselho Nacional de Desporto (CND) permitiu o uso de propaganda nas camisas. A princípio, os contratos de patrocínio eram firmados por curtos períodos, geralmente em jogos de relevância. Isso aconteceu com a AFE na Taça de Ouro de 1983. O time começou o Nacional sem logomarca, estampando o patrocínio no decorrer da competição.Depois disso, os contratos foram ficando mais duradouros.

A marca Ferroviária

Desde quando surgiram os primeiros patrocinadores no início do ano 80, a gloriosa camisa grená exibiu uma infinidade de propagandas: Tintas Wanda, Frutropic, Consórcio Gaplan, Chaban, Lupo, Cutrale, Moema, TWS, Sachs, Predilecta, Unimed, Patrezão, Damha, Savegnago, entre outros. Várias empresas confeccionaram os uniformes, como Lupo, Hering, Nakal, Troféu e Goalkeeper.

Os modelos e a qualidade dos tecidos foram os mais diversos com gola olímpica, em formato ‘V’, gola tradicional, listas retas, diagonais, emblemas bordados, silkados, ora o com o nome de Araraquara embaixo do emblema, ora sem referência a cidade.

Uniforme comemorativo na inauguração da Arena Fonte Luminosa

Em 22 de outubro de 2009, a moderna Arena Fonte Luminosa foi inaugurada. Na oportunidade, a Ferroviária enfrentou o Ituano pela Copa Paulista, vencendo o jogo por 2 a 1. No citado confronto a Ferroviária esteve em campo com o uniforme comemorativo na cor amarela. A camisa foi usada uma única vez. Uma plateia de 21. 254 expectadores acompanharam o duelo.

Exposição: “AFE, uma História Grená”

Teve inicio ontem, no Museu do Futebol, a exposição”AFE, uma História Grená”. A amostra resgata a história da Ferroviária através de suas camisas.A mostra exibe material inédito utilizado por ex-jogadores. Destaque para a camisa e agasalho da campanha vitoriosa de 1955, bem como um exemplar utilizado por Bazani, maior ídolo do clube, além de outras novidades.

Vale lembrar que hoje, dentro da programação: “Museu aos domingos”, o espaço estará aberto das 10h às 14h. A entrada é gratuita.

Visite o Museu!
O Museu do Futebol e Esporte de Araraquara está aguardando sua visita. O espaço fica aberto ao público de segunda a sexta, das 8h às 17h e aos sábados das 8h30 às 12h. A entrada é gratuita e o telefone para contato é 3322-2207.


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