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Messias na corda bamba



Complicações no governo de Bolsonaro podem levar mourão à presidente

Messias na corda bamba

José A C Silva

A relação entre o presidente Jair Bolsonaro e seu vice Hamilton Mourão nunca foi das melhores; denúncias contra a família do presidente tem azedado o relacionamento, já desgastado. Podendo Jair levar uma rasteira, assumindo a presidência Morão. Ontem, um político de Araraquara voltou de uma reunião em São Paulo e comentou que este assunto está fervendo em todo o Brasil.

A situação está tão esquisita entre os companheiros de chapa que pode levar Mourão a oferecer a cabeça de Bolsonaro para a opinião pública credenciá-lo como herói nacional. O vice-presidente pediu para os filhos de Bolsonaro pararem de dar palpites na presidência, mas eles não obedeceram e recentemente assistimos o episódio envolvendo Carlos Bolsonaro, que levou à saída do ex-ministro da Secretaria-Geral Gustavo Bebianno. Outro agravante foi o vazamento das conversas – publicadas pela revista Veja no início da tarde dessa terça-feira (19) -, sobre uma troca de mensagens de áudio via WhatsApp entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno. O material expõe desentendimentos entre o presidente e o seu colega de sigla, que foi demitido na última segunda-feira (18).

A relação entre os dois ficou abalada desde que o jornal Folha de S.Paulo revelou as suspeitas de candidaturas laranjas no PSL, na época em que Bolsonaro era candidato à Presidência da República e Bebianno presidia a sigla.

A situação piorou quando o filho de Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, chamou o ex-ministro de mentiroso em posts no Twitter. Bebianno disse ter falado com Bolsonaro em 13 de fevereiro, mas Carlos afirmou que não era verdade e que não havia crise no governo.

O próprio presidente endossou o comportamento do filho, retuitando a postagem em que Carlos garantia que o pai não conversou com o então secretário-geral da Presidência da República.

O material que vem à tona revela que Bolsonaro e Bebianno estiveram em contato entre os dias 12 e 13 de fevereiro.

A troca de mensagens começou na terça-feira (12). Um dos temas era a agenda como ministro, que previa um encontro entre Bebianno e o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. Ao receber retorno do chefe de Executivo, a quem chama de “capitão”, Bebianno retrucou: “Algo contra, capitão?”. Depois de insistir com novas mensagens por escrito, Bebianno teve a resposta de que a Globo é uma “inimiga do governo” e que, ao fazer contatos com a emissora, o colocaria em posição delicada com “as outras emissoras”.

A partir daquele momento, o ex-ministro e o presidente discutem.

Relação desgastada

De acordo com o professor do departamento de ciência política da UFMG, Thiago Coacci a péssima relação entre o presidente Jair Bolsonaro (PLS) e seu vice Hamilton Mourão (PRTB) já não é segredo para ninguém. Grupos que apoiam ambos se entrincheiram na defesa do capitão reformado do Exército ou do general reformado, e as rusgas entre ambos correm pelos bastidores de Brasília e, muitas vezes, ganham destaque na imprensa.

Mas até onde pode chegar o acirramento entre os companheiros de chapa? Para especialistas, Mourão pode decidir puxar o tapete de Bolsonaro, caso a relação entre ambos se deteriore ainda mais.

De acordo com o professor do departamento de ciência política da UFMG, Thiago Coacci, a relação entre os dois nunca foi boa. Mourão foi escolhido de última hora, após o presidente ter sido preterido por nomes como o ex-senador Magno Malta (PR), o deputado federal Phillipe Bragança (PSL) e a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL).

“A escolha acabou calhando, porque Mourão tem um perfil bastante distinto do Bolsonaro. Por mais que o presidente tente se vender como candidato do Exército, é sabido que ele não é bem visto pelas forças armadas. Ao menos, não pela elite dos mlitares”, diz o professor.

Ele lembra que o presidente teve mais força entre o baixo clero das Forças Armadas, enquanto Mourão, general reformado, é uma figura mais palatável a essa elite do Exército. Parte do conflito advém desta diferença.

“A figura do Bolsonaro foi se alterando ao longo do tempo, aprendendo quais discursos e pautas tinham mais apelo popular, entrando em uma pauta liberal. Entra também a aproximação com os Estados Unidos, o discurso contrário às pautas de direitos humanos e principalmente essa questão da luta contra a suposta ideologia de gênero. Dificilmente essas sejam pautas que o Mourão e a elite do Exército sequer estejam preocupados”, explica Coacci.

Golpe de Mourão

Os próximos passos da relação entre Bolsonaro e Mourão são difíceis de prever, visto que a conjuntura política no Brasil passa por momento de mudanças constantes. “Isso afeta a imagem do governo como um todo, incluindo o Mourão e as forças armadas. Se a coisa feder muito, há chances do Mourão tentar se desvincular disso e uma das formas é cortar a cabeça do Bolsonaro e se pintar de herói contra a corrupção que corta até a própria carne se para isso for necessário”, avalia Coacci, ressaltando que outros cenários são possíveis, mas que um golpe por parte do vice não pode ser descartado.

Institucionalidade em risco

Enquanto o desgaste entre presidente e vice se amplia, quem sofre é o país, já que as idas e vindas de opinião e posicionamento geram estabilidade e insegurança, o oposto do que a institucionalidade presidencial deveria produzir.

“As decisões presidenciais costumam ter efeitos grandes e ainda irradiar por diversas instituições por todo o país. Uma ida e vinda de uma decisão, por exemplo, pode custar muito dinheiro, pode desgastar relações políticas e comerciais com outros países, isso sem falar na vida concreta de algumas pessoas que podem ser afetadas diretamente”, diz o professor.

Ele lembra de exemplos concretos disso nos primeiros dias da gestão Bolsonaro, como a decisão de mudar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, criticada por Mourão e pelos militares, que vetaram a medida. A mudança de posição causou prejuízo a frigoríficos que foram cortados da lista de exportadores regulamentados pela Arábia Saudita, em resposta ao posicionamento brasileiro

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