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Ignácio de Loyola Brandão toma posse hoje na ABL

A cerimônia será transmitida pela prefeitura através de sua página no Facebook

Ignácio de Loyola Brandão toma posse hoje na ABL

Ariane Padovani

O escritor araraquarense Ignácio de Loyola Brandão, de 83 anos, tomará posse nesta sexta-feira (18) da cadeira número 11 da Academia Brasileira de Letras (ABL), em uma cerimônia no palacete Petit Trianon, no Rio de Janeiro.

Ignácio de Loyola foi eleito, por unanimidade, no dia 14 de março deste ano para ocupar uma das 40 cadeiras que constituem a ABL, lugar que antes pertencia ao jurista e sociólogo Helio Jaguaribe, falecido em setembro de 2018. Quando um dos membros morre, a cadeira é declarada vaga em uma sessão denominada “Saudade” e os interessados em ocupá-la têm cerca de dois meses para se candidatarem. O araraquarense concorreu com outros 11 candidatos e será recebido em seu novo posto pelo acadêmico e escritor Antônio Torres.

“Eu nunca tinha pensado em me candidatar, achava que não era para mim. Mas é para mim, também. Quero abraçar o mundo com as mãos, com os pés. Não sei quanto tempo mais eu tenho, mas sinto uma vontade tão grande de chegar lá em cima, e esse era mais um passo, mais um degrau subido”, disse o autor, em março, para o jornal Estadão. “Confesso que foi um misto de surpresa e emoção. Veja bem, eu, vindo de Araraquara, de uma família pobre, e chegar até aqui, na Academia Brasileira de Letras, parecia um sonho quando recebi a notícia. Estava no trânsito, no Rio de Janeiro, num táxi, quando recebi a ligação do amigo Marco Luchessi. Fiquei sem voz ao ouvi-lo dizer que foi uma vitória acachapante. Fiquei imensamente feliz, claro. Lembro que foi no dia de aniversário da morte da Marielle Franco (vereadora do PSOL-RJ), o trânsito estava uma loucura, e eu no meio desse turbilhão”, recordou.

Marco Lucchesi, presidente da ABL, fez uma alusão ao escritor brasileiro Machado de Assis ao falar de Loyola. “Ignácio de Loyola Brandão é um escritor puro-sangue, radical. Sua obra, consagrada no Brasil e no exterior, traz um misto de alta cultura e ironia, olhar incisivo e viés experimental. Os romances ‘Zero’ e ‘Não verás país nenhum’ já se tornaram patrimônio da nossa ficção. Ignácio renova e enriquece a ‘Casa de Machado’”, afirmou.

História

Loyola nasceu em Araraquara, em 31 de julho de 1936. Iniciou sua carreira de jornalista ainda muito jovem no jornal O Imparcial de Araraquara, antes de ir para São Paulo, aos 21 anos. Passou pela redação do jornal ‘Última Hora’ e de diversas revistas, e ainda é cronista do jornal Estado de S. Paulo.

Seu primeiro livro de contos denominado ‘Depois do Sol’ o lançou na literatura em 1965, mas foi com o romance ‘Zero’, publicado em 1975, que ganhou notoriedade. A obra foi proibida no Brasil durante a ditadura, mas publicada na Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. O livro foi liberado em 1979 e chegou a vender 900 mil exemplares.

‘Não Verás País Nenhum’ é o seu best-seller, com 1 milhão de cópias vendidas. Ignácio também escreveu ‘Bebel que a Cidade Comeu’, de 1968, ‘Obscenidades para uma dona de casa, de 1981 e ‘O Beijo Não Vem da Boca’, de 1985, dentre muitas outras obras. O escritor é ainda autor de coletâneas de crônicas, como ‘Se For para Chorar, que Seja de Alegria’, de 2016, e ‘O Mel de Ocara: Ler, Viajar, Comer’, de 2015. O araraquarense escreveu também as histórias infantis ‘O Menino Que Vendia Palavras’, em 2008, vencedor do Prêmio Jabuti, e ‘O Menino que Perguntava’, em 2011.

Recebeu, da União Brasileira de Escritores e o da Associação Paulista de Críticos de Arte, o Prêmio Fundação Biblioteca Nacional e Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto da sua obra, além do Prêmio Jabuti. Brandão se junta a outros imortais de sua geração que também chegaram à ABL, como João Ubaldo Ribeiro, Moacyr Scliar, Nélida Piñon, Antonio Torres e Rosiska Darcy (esta última, aliás, foi a primeira a citar seu nome como possível candidato para a cadeira vaga). O grupo ainda inclui nomes de ex-acadêmicos como Moacyr Scliar e João Ubaldo Ribeiro, mortos em 2011 e 2014, respectivamente. Seu ingresso coroa a continuidade de uma safra de ficcionistas que atravessaram a pior época da censura durante a ditadura militar.

Ignácio passou algum tempo sem lançar um livro novo. No ano passado, ele voltou ao romance com ‘Desta Terra Nada Vai Sobrar a Não Ser o Vento que Sopra sobre ela’. “Acabei de lançar um novo livro. O título foi tirado de um poema de Bertold Brecht, que retrata um pouco o que estamos vivendo, uma distopia, uma certa continuação de ‘Não Verás País Nenhum’. É uma história de amor contada através de uma viagem. Tem um dos finais mais surpreendentes que já escrevi. Mas não vou dizer nada sobre isso, claro”, falou.

O escritor confessou em entrevista à agência Lusa durante a terceira edição da Festa Literária do Pelourinho (Filipelô), realizada em Salvador, seu medo de que a censura volte. “Ela já está vindo. Vivemos um momento muito delicado, muito triste. Eu, nos meus 83 anos, nunca vivi isto. Vivi na ditadura militar, mas antes era aberto”, declarou.

Academia Brasileira de Letras

A ABL é uma instituição cultural fundada no Rio de Janeiro em 20 de julho de 1987 pelos escritores Machado de Assis, Lúcio de Mendonça, Inglês de Sousa, Olavo Bilac, Afonso Celso, Graça Aranha, Medeiros e Albuquerque, Joaquim Nabuco, Teixeira de Melo, Visconde de Taunay e Ruy Barbosa.

A Academia, que teve Machado de Assis como primeiro presidente, tem por objetivo o cultivo da língua e da literatura nacional. É composta por 40 membros efetivos e perpétuos, além de 20 sócios correspondentes estrangeiros.

Homenagens em Araraquara

Ignácio de Loyola Brandão foi homenageado, em julho deste ano, na Escola Estadual Bento de Abreu (EEBA), onde estudou no fim da década de 1950. A homenagem, oferecida por um grupo de ex-alunos dos anos de 1968, 1969 e 1970, rendeu ao escritor uma placa, que foi colocada em destaque na escola para eternizar a comemoração, que continuou com um almoço da Academia Araraquarense de Letras ao seu patrono com a entrega de um cartão de prata.

O escritor araraquarense também foi homenageado no jogo de estreia da Ferroviária no Campeonato Brasileiro da Série D, na Fonte Luminosa, em maio. Antes do início da partida, Brandão foi chamado ao campo, onde recebeu do presidente afeano Carlos Alberto Salmazo uma camisa da Locomotiva de número 11, referente ao número da cadeira que irá ocupar na ABL. Ele também se juntou ao time para a execução do hino nacional e para a foto da equipe perfilada. Para encerrar a ocasião, Loyola também deu o pontapé inicial da partida.

Na cidade, o Concurso Nacional de Contos de Araraquara Prêmio Ignácio de Loyola Brandão, que já está em sua 14ª edição, foi criado para homenagear o escritor.

Transmissão ao vivo

A Prefeitura Municipal de Araraquara vai transmitir a vivo a posse de Ignácio de Loyola Brandão nesta sexta-feira, a partir das 21h, na página oficial do município no Facebook.

 

O escritor araraquarense foi homenageado por ex-alunos do EEBA

 

Ignácio recebeu as homenagens acompanhado de familiares

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