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Delegado fala sobre violência e pede reforma no Código Penal Brasileiro

“Qualquer lei que venha aumentar a punição para o crime de receptação é bem vinda”, diz Dr. Wendel

Delegado fala sobre violência e pede reforma no Código Penal Brasileiro

Da redação

A população brasileira não aguenta mais tantas notícias sobre crimes violentos que são cada dia mais comuns no país. Pensando nisso, a reportagem do O Imparcial falou com um especialista na área de combate ao crime, o Dr. Wendel Luiz Pinto de Souza e Silva que é delegado da Polícia Civil e responsável pelo 98º Distrito Policial do Jardim Mirian, na Capital paulista.

O araraquarense Dr. Wendel está na Polícia Civil há 18 anos e já trabalhou em áreas com altos índices criminais como a região do bairro Capão Redondo, na Capital de São Paulo, área que já foi considerada uma das mais perigosas do mundo. O delegado diz que a impunidade no país é muito grande, por isso, a Justiça tem que mudar. “A deficiência no Judiciário permite que uma assassina como Suzane Richithofen tenha direito a saída para o Dia das Mães, isso é inadmissível. Um delegado da Polícia Federal foi morto nessa segunda-feira, na cidade de São Paulo, por um preso que estava de indulto e tinha 5 passagens criminais. A Justiça precisa mudar, tem que haver penas mais severas”, resumiu.

Outro ponto apontado como negativo pelo delegado foi em relação às Audiências de Custódia, que recentemente se tornaram obrigatórias atendendo uma determinação judicial, que prevê que a pessoas detidas sejam levadas a presença de um juiz dentro de 24 horas após sua detenção, para que sejam avaliadas as condições em que foi realizada a sua detenção e para que se julgue se há a necessidade da prisão ou não. “Muitas vezes a Audiência não é necessária e, além disso, tira os agentes de segurança do trabalho cotidiano para acompanharem os acusados. É necessária uma revisão no Código Penal, pois muitas vezes o acusado sai da Audiência antes do policial que fez sua prisão deixar a delegacia”, reclamou.

Endurecimento da Lei

Wendel ressaltou a importância da criação da Lei 9.503/2014 que aumentou a fiscalização sobre os desmanches de veículos no Estado de São Paulo e também a Lei que obriga escolta em todos os transportes de cargas de explosivos no Estado. “As duas Leis ajudaram a reduzir os crimes no Estado, tanto os que envolvem roubos e furtos de veículos como as explosões de caixas eletrônicos. Todas as Leis que vêm para endurecer as penas são bem vindas. No caso da receptação o crime ainda é mais grave, tanto que em outros países as penas são maiores que as dos ladrões. Já no caso das quadrilhas de roubos a caixas bancários e empresas de valores, a polícia só chega aos culpados através do trabalho de inteligência”, destacou.

Quanto a uma possível mudança que pudesse enfraquecer a Lei do Desarmamento, Wendel diz que é totalmente contra, ele entende que o povo brasileiro não está preparado para andar armado. “Nem nos Estados Unidos, onde já existe uma cultura de armamento, as pessoas estão totalmente preparadas. No Brasil a situação fugiria do controle, ia virar um bang bang”, pontuou.

Melhores salários

Para Wendel, o envolvimento de policiais em quadrilhas de roubos a caixas eletrônicos e outros tipos de crimes, se deve principalmente aos baixos salários da categoria. De acordo com ele, faltam investimentos e estrutura para o trabalho do policial. “No Rio de Janeiro, o auxílio moradia do Judiciário é maior que o salário de um policial com 10 anos de trabalho. Isso precisa mudar”,

Combate à violência

A violência tem um custo muito alto para o país, pois todos os serviços e mercadorias têm seus custos finais acrescidos dos gastos com seguros e sistemas de segurança privada, por exemplo, e isso gera um alto preço a se pagar. Em um país mais seguro sobra mais dinheiro para outras áreas importantes. Mas o combate à violência não está somente na figura do policial, ela tem que passar pelo Judiciário, pelo Legislativo e, acima de tudo, pela sociedade. Investir em segurança é investir no policial, na educação para o combate ao uso de droga e na distribuição de renda. “Quando a situação chega à figura do policial, é porque os outros setores não surtiram efeitos”, concluiu.

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