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Ansiedade infantil é assunto sério

Psicóloga alerta sobre a importância de observar os sintomas para não tratar a patologia como frescura

Ansiedade infantil é assunto sério

Ariane Padovani

As crianças, assim como os adultos, podem sofrer com a ansiedade, que atualmente é uma das patologias psiquiátricas mais comuns durante a infância, perdendo apenas para os Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Mas como saber se o seu filho está apenas sendo birrento ou realmente sentindo medos, preocupações e angústias excessivas que prejudicam sua rotina e bem-estar?

De acordo com Camila Gama Mendonça, psicóloga na Clínica Multiterapia Integrada, estar ansioso significa sentir-se preocupado, nervoso ou temeroso, e quando nos sentimos ameaçados ou em perigo real, a ansiedade age como um sistema de alarme para nos manter longe do dano. “Com as crianças não é diferente, elas têm medo e ansiedade com frequência. A maioria desses medos e ansiedades infantis é normal, muitas vezes decorrentes do processo de aprendizagem de cada fase. Por exemplo, a criança vai aprender a andar de bicicleta ou começar a ir à escola, que é uma coisa nova, vai conhecer amigos novos, então gera aquela ansiedade, assim como nos adultos”, explicou Camila.

O comum é que, após a criança passar por essas novas etapas, a ansiedade desapareça naturalmente e ela retome seu comportamento habitual. “A ansiedade passa a ser um problema quando se torna disfuncional e impede a criança de realizar tarefas simples, como ir para a escola, aprender algo novo, ter mudanças na rotina ou brincar com outras crianças. Nesses casos pode-se falar em Transtorno de Ansiedade. Jovens e crianças apresentam ou apresentarão algum traço de ansiedade, por isso, os pais ou os responsáveis precisam sempre ficar atentos quando o simples se torna muito difícil para a criança ou até mesmo monstruoso, ela tem medo e não consegue lidar com ele. Então é importante ficar atento aos sinais e levar em conta a idade e a fase pela qual a criança está passando”, instruiu a psicóloga.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito por um psicólogo caso os episódios de ansiedade aconteçam com frequência dentro de um determinado período de tempo, porém existem alguns sintomas que os próprios pais podem identificar na criança. “Estar mais irritada e chorosa que o normal, ter dificuldade para pegar no sono, acordar mais vezes do que o costume durante a noite, voltar a chupar chupeta ou dedo, roer as unhas, fazer xixi nas calças e ter pesadelos frequentes. É importante procurar um profissional, pois além da intervenção do psicólogo, pode ser também que seja necessário o uso de medicações. É ideal que se identifique uma possível situação de ansiedade excessiva ou crônica e consulte um psicólogo para fazer uma avaliação correta e receber orientações adaptadas a cada caso”, detalhou Camila.

Apoio da família

Após o profissional diagnosticar o Transtorno de Ansiedade, os pais e familiares têm um papel muito importante durante os períodos de crise pela qual a criança vai passar. “No entanto, essa tarefa pode ser bem complicada e mesmo os pais mais bem-intencionados acabam cometendo erros que agravam a ansiedade. Geralmente nas minhas sessões eu trabalho com uma técnica simples que pode ajudar a criança a controlar os seus próprios níveis de ansiedade quando estiver sozinha. Nas terapias eu ensino a criança a respirar, que é uma das técnicas de relaxamento, inspirar e expirar bem devagarzinho, inspirar por três segundos e expirar por três segundos. Assim ela consegue desviar o pensamento que está causando a ansiedade nela naquele momento. Enquanto respira ela pensa em coisas boas, pensa positivo, até conseguir se acalmar. Outras técnicas também são aplicadas em sessões. Os pais são essenciais para ajudar, por isso não trabalho só com a criança e, sim, com orientações aos responsáveis para que eles aprendam a lidar com a criança quando ela estiver em crise de ansiedade”, narrou Camila.

A psicóloga enfatiza a importância de os pais não acharem que a criança está com ‘frescura’ para que os sintomas não sejam ignorados. “É preciso observar mais os seus filhos, saber identificar o que eles realmente precisam em cada momento e fase de suas vidas. Nem sempre é frescura. Ansiedade existe em crianças, em adolescentes, adultos e idosos, e sempre vai estar presente na vida de todos, mas ela precisa estar controlada”, finalizou a profissional.

Preocupações em excesso

O filho de seis anos de Patrícia, que é paciente de Camila, demonstra a sua ansiedade através de preocupações que, para ele, são bastante reais. “A gente via que ele era ansioso pelas coisas básicas. Se falávamos que íamos viajar ele não dormia, falava bastante disso, planejava, queria arrumar a mala com bastante antecedência, mas até então era saudável. Eu sou bastante ansiosa, sou uma pessoa agitada, então ele tem um pouco isso de mim. Mas no ano passado ele teve um episódio na escola no qual foi repreendido e, então, nós percebemos que ele realmente estava sofrendo com a ansiedade. Ele ficava preocupado porque na segunda-feira tinha aula com determinado professor, perguntava, chorava, dormia preocupado com o dia de amanhã. Quando vai chegando o final de semana, que é quando eu trabalho, ele fica preocupado, querendo saber que hora que eu vou e volto, e se eu vou buscar ele na casa da minha sogra”, contou Patrícia.

Os pais levaram o pequeno ao psicólogo e ele apresentou melhoras, mas Patrícia credita a diminuição dos sintomas ao fato de a criança ter mudado de escola e de rotina, já que o tratamento na época foi bastante vago. “Porém, esse ano, quando meu marido mudou de serviço e começou a trabalhar à noite e meu filho foi repreendido novamente na escola, a ansiedade dele voltou com os mesmos sintomas. Ele ficava preocupado de ir para a escola, de o meu marido ir trabalhar e a gente ficar sozinhos à noite, então iniciamos outro tratamento psicológico e dessa vez estamos vendo uma melhora. Fomos viajar há alguns dias e ele ficou preocupado se íamos pegar alguma turbulência, se ia chover, se o carro tem combustível. Tudo o que ele escuta a gente falar, ele já fica com aquilo na cabeça e sofre com isso. Ele pega tudo o que conversamos e põe na realidade dele”, narrou Patrícia.

Confira dicas de alguns livros sobre ansiedade que podem ajudar pais e filhos:

– Brincando de mindfulness: 50 exercícios para praticar a atenção plena com crianças, Patricia Calazans, Editora Matrix

– Quietinho feito um sapo: Exercícios de meditação para crianças (e seus pais), Eline Snel, Editora Bicicleta Amarela

– O que Fazer Quando Você se Preocupa Demais: Um Guia para as Crianças Superarem a Ansiedade, Dawn Huebner, Editora Artmed

– Criança ansiosa: Compreender o medo do medo e devolver a coragem, Jean Dumas, Editora Edições Loyola

– Ansiedade: Como enfrentar o mal do século para filhos e alunos, Augusto Cury, Editora Benvirá

– Preocupações, Nunca Mais!:  um Livro Sobre Como Lidar com a Preocupação e Ansiedade, Christine A. Adams, Editora Paulus

– Meditação em ação para crianças: Como ajudar seu filho a lidar com o estresse e a ser mais feliz, gentil e compassivo, Susan Kaiser Greenland, Editora Lúcida Letra

– Que chato!, Leila Hakimelahi, Editora Lemos Editorial

– 52 meditações para você e seu filho, Mike Nappa e Jill Wuellner, Editora Publicações Pão Diário.

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