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Vinte de outubro – o Dia Mundial de Combate ao Bullying

Vinte de outubro – o Dia Mundial  de Combate ao Bullying

Autora da primeira Dissertação de Mestrado Publicada, no Brasil, sobre Bullying, falou sobre o assunto ao jornal

Da redação

Para comemorar o Dia Mundial de Combate ao Bullying, o Jornal O Imparcial entrevistou a Professora Ms. Juliana Munaretti de Oliveira Barbieri, autora da primeira Dissertação de Mestrado Publicada, no Brasil, sobre Bullying, autora e co-autora de obras que abordam o tema e, que há 14 anos travou uma luta contra o fenômeno, com o intuito de conscientizar o maior número de pessoas sobre o tema.

Segundo Juliana, ao longo de sua carreira como pesquisadora, docente, escritora e palestrante encontrou pessoas e ao conhecê-las, percebeu quão negligentes encontram-se em relação a questões tão urgentes quanto a palavra prevenção. Ao mesmo tempo, numa rápida reflexão, deparou-se à situações do cotidiano, que demonstraram as mesmas pessoas antecipando-se à futuras e indesejadas questões sem o menor problema. “Então, penso e gostaria de levá-los ao mesmo raciocínio. Ninguém deseja ficar doente; fato! Mas por que precisamos de plano de saúde? Da mesma maneira, cuidamos da nossa saúde e não almejamos morrer, mas muitas pessoas têm plano funerário e outras tantas têm seguro de vida, afinal, paga-se por um serviço que ninguém quer utilizá-lo, não é mesmo? Sem contar no seguro do carro! Onde quero chegar? No simples fato de que a humanidade tenta se precaver e antecipar a problemas que espera-se nunca enfrentar e, agora, o que eu quero saber: Por que não prevenir o Bullying?
Ah! Já sei! Porque passei por isso e sobrevivi ou porque meus filhos são emocionalmente seguros e eu pago uma escola que lhes dá segurança e conhecimento! (Sempre ouço esse argumento).

E, se eu lhe dissesse que ninguém espera que um colega atormentado em sala de aula no passado, ou no ambiente corporativo, venha deixar um rastro de destruição e vidas ceifadas só porque não se divertiu com aquelas brincadeiras diárias e hilárias que ele era o foco!.

Em relação especificamente ao caso de Bullying, tanto para agressores, quanto para vítimas e espectadores existe a carência de habilidades relacionais pelo fato de não as desenvolveram individualmente e porque lhes faltou oportunidade de se sentirem inseridos em contextos caracterizados pedagogicamente, nos quais poderiam aprendê-las e exercitá-las.

Porém, o problema não é apenas familiar, pois nem sempre o contexto-escola e o grupo-classe têm sido para agressores/intimidadores e nem para as vítimas, nem educativos, nem significativos e nem úteis, porque o sistema educativo que os cerca não foi suficientemente incisivo para evitar que caíssem nesses dois estereótipos. Assim, um contexto significativo, para a vítima, é aquele que, antes de mais nada, consegue protegê-la das intimidações e humilhações; e que, depois, permite que desenvolva com menos tensões sua capacidade de autodefesa.

Para o agressor, por sua vez, é um contexto que, de um lado, o paralisa e o revela em sua ação transgressiva e, de outro, o induz a aprender as regras básicas da vida em comum (respeito ao outro, controle dos impulsos etc), da sociabilidade e da solidariedade.

Em relação ao dever do governo, do estado, e do município, a minha Dissertação de Mestrado, bem como as pesquisas realizadas para a sua elaboração, demonstraram a possibilidade de existência de despreocupação e despreparo dos governos em todas as esferas em lidar com o Bullying, pois, por mais que se criem leis (e, elas já existem) abordando o tema, não existe um treinamento específico para que os servidores públicos (e aqui refiro-me aos servidores da educação, saúde, segurança pública e judiciário), para que as ações sejam eficazes a ponto de acabar com essa problemática”, resumiu.

Segundo a professora, há também a intimidação sistemática na rede mundial de computadores (cyberbullying), quando se usarem os instrumentos que lhe são próprios para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial.

Foto : Arquivo O Imparcial

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