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Simplesmente Neyfe

Atualmente ela faz parte do MIS – Museu de Imagem e do Som

Célia Pires

A agente administrativa Neyfe Maria Mattar recebe todo mundo com muito carinho , mas também pega no pé da molecada que freqüenta a Casa da Cultura Antonio Martinez Correa e o MIS, Museu de Imagem e Som, para que tenham respeito por esses lugares, pois são de todos. Ela é da época em que o Mis, inaugurado em 2007, era formado apenas pela Discoteca Jofre David.Neyfe catalogou inúmeros títulos e fotos que hoje se encontram disponíveis para ouvir para serem pesquisados.

Ela se recorda de todos que passaram pela Casa da Cultura, como Amauri Bruno Alves com quem aprendeu muito; Rubens Wiggert, Professor Aluisio Reis de Andrade, entre outros..Atravessou todas as mudanças da Casa da Cultura e se encanta ao falar de um local que quando surgiu deu uma grande abertura para a cidade, como eventos, cursos, um espaço para as pessoas poderem consultar, ensaiar. “Essa dedicação é que fez da Casa da Cultura o que ela é hoje”Ela é do tipo achou serviço, faça, seja qual for seu cargo. “Até limpar a Casa da Cultura nós limpamos e se recorda que chegou a ir para o Teatro Municipal sozinha para servir de exemplo de que se pode ir aos lugares sozinha.Isso há trinta anos. Era preciso mostrar que o teatro era cultura e não luxo.Quanto a questão dos discos que causou grande polêmica por conta de terem sido jogados no lixo, Neyfe está e sempre esteve com a consciência tranqüila. “Ninguém duvida de que amo isso que faço”.

O pai, um exemplo de homem

Seu pai tinha nove irmãos e cada vez que um vinha do Libano, num navio numa viagem que durava 40 dias, quando chegavam iam para uma fazenda de um dos irmãos em Pedra Branca.Para o Brasil vieram cinco e lá no LIbano ficaram cinco, seu foi um deles”. O pai veio do Líbano aos 18 anos.Conheceu sua mãe, filha de italianos num footing em Araraquara.Neyfe se emociona e chora ao falar que os pais tiveram um casamento maravilhoso e que somente se separam com a morte de seu pai.Ela conta que se encontrou aos 25 anos quando seu pai faleceu.

Morava em Ribeirão Preto. “Ai eu vi quem eu era para seguir meu caminho sem o amor da minha vida, que ele, talvez, lá naquele fundo que todos temos. Talvez por isso ao tenha me casado, pois nunca encontrei um homem como meu pai que nunca deixou de demonstrar amor e respeito pela minha mãe e vice-versa. Um cara respeitador e o mais honesto que conheci na minha vida, pois a gente tem uma fama ‘f.d.p’. No Libano era Tanus e no Brasil, depois de naturalizado,passou a se chamar Antônio. Eu sou uma pessoa que ama demais tudo que começa fazer e tenho loucura pelos amigos e quero sempre mais amizades. Sou uma pessoa muito sincera.Sou uma ‘manteiga’”, diz mostrando nos olhos todo o brilho de sua sensibilidade, à flor da pele, à flor dos olhos.A agente diz que não fez festa de debutante ,mas fez festa aos 25. “Dancei a valsa como se fosse aos 15.Viajei muito nessa vida e posso dizer que sou uma pessoa muito feliz.Mas nunca teve vontade de conhecer a terra de seu pai, pela imensa tristeza, pela guerra, a falta de respeito com as pessoas.”Imagine ser uma mulher-bomba?”,lamentaEla diz que não vai à igreja, que foi conhecer várias religiões, mas que hoje somente acredita em Deus.Foi uma mulher muito cobiçada, muito namoradeira, mas não se arrepende de nada.”Tenho tudo que quero”, diz.

Um pouco de Neyfe

Neyfe Maria Mattar nasceu em Araraquara no dia 21 de outubro de 1953.Filha dos saudosos Antônio Mattar e de Adelina Boralli Mattar e irmã de Luiz do Carmo,Cresceu na região central, na Nove de Julho esquina da Dom Pedro. Saudosista conta que tem boas lembranças da infância onde as drogas não haviam tomada conta do mundo: as brincadeiras eram de carrinho de rolimã e passa anel. A maioria praticadas por meninos, pois como o irmão era mais velho acompanhava o mesmo em praticamente tudo que este fazia.” Foi uma infância maravilhosa”, conta sorrindo, acrescentado que eram brincadeiras sadias.Estudou no Coleginho das Freiras(Externato Santa Terezinha); no Grupo da Rua 1, no Francisco Monteiro da Silva, o Chicão. “Eu gostava muito de uma professora, a Davina, que depois veio a ser nossa diretora”.Mas foi difícil de Neyfe sair da escola, pois pulava o muro para tocar na banda da escola onde tocava pifaro.

Assim teve que fazer madureza. Também fez Colégio São Bento e acabou não fazendo faculdade, pois não se encontrou no que queria na epoca que era fisioterapia. “Prestei vestibular e não passei”.Assim em 1975 foi convidada para trabalhar como operadora de caixa numa das primeiras lojas de calçados femininos em Araraquara, a Calçado Samello, contrariando o desejo de seu pai que ciumento dizia que a filha não precisava trabalhar.Tendo a Samello fechado foi convidada a exercer a mesma função numa financeira em Araraquara.Passado algum tempo foi trabalhar na prefeitura. Ela diz a data em que começou: dia 4 de janeiro de 1978. Foi trabalhar no divida ativa.Passaram-se os anos e ela se viu acuada, pois não tinha uma faculdade, consequencia de um namoro de seis anos, cujo parceiro ‘engessava’ suas vontades a fazendo parara no tempo.Liberta foi fazer faculdade de educação física em Ribeirão Preto (Unaerp) depois de não ter passado em fisioterapia. Depois de quatro anos e já formada, como tinha uma licença sem vencimento voltou para Araraquara.Neyfe chegou a ser considerada uma das melhores professoras dos anos 80 na área de ginástica com aperfeiçoamento em aeróbica chegando até mesmo a fazer curso com a famosa Ala Sherman.Em 1983 nasce seu único filho, Adamour Mattar.

Quando voltou a trabalhar na prefeitura tudo estava mudado.Em seu lugar, um computador.Graças a Abranches foi enviada para a Casa da Cultura que na época só tinha cupim. “Ficamos um ano no Teatro Municipal enquanto a Casa era restaurada.Isso faz 35 anos.Não havia secretário de Cultura. Havia a Fundação de Arte e Cultura de Araraquara, sete membros que não eram remunerados.”Eu ficava na area administrativa onde estou até hoje. Cheguei a ser bilheteira e lanterninha no Municipal. Fazia manualmente os ingressos. Hoje as pessoas reclama de fazer no computador”, ri ela, se lembrando que havia a Orquestra de Câmera de Araraquara da Edna Nogueira e os corais da Erlenne e do maestro Moacyr Carlos Junior. “A Casa funcionava como sempre funcionou. Sempre tivemos cursos como de Romário, Kiko Lopes,entre outros. Hoje quem está na casa está continuando o trabalho que começamos”, diz orgulhosa dizendo que apesar das mudanças a essência da Casa continua.

Rica e metida

Certa vez o saudoso pai de Neyfe ganhou na loteria nos anos 70 e muita gente dizia: olha como ela é metida, aliás rica, né bem!Mas passado os anos ela confessa que sua maior riqueza está no tripé: seu filho, amizade e emprego.Sem nenhuma vergonha ela conta que e em 2000 chegou a passar fome depois que sua faleceu. Seu filho Adam estava terminando a faculdade e não tinha muito como ajudá-la, mas pessoas incríveis traziam comida todo dia para ele no serviço.Sua grande alegria foi ver seu único filho Adam que considera o grande amor de sua vida se formando. “O significado do nome Adam é ‘vem do amor’, explica. “Este nome trouxe comigo de Cabo Frio em das vezes que lá estive.

Adorei e coloquei no meu filho. Adam é o diminutivo de Adamour”.Já brincou dizendo que quando morrer quer que seu féretro saia da Casa da CulturaFico o dia inteiro na ‘Casa’. Estou à disposição do povo. São 35 anos de prefeitura. Tenho paixão por aquilo que faço. Deixei, muitas vezes minha casa, meu filho e me dediquei totalmente apo trabalho. O que a faz levantar a cada manhã é o fato de ir para o trabalho. Levanta ás 4h15 da mesa com o pensamento voltado em que tudo vai dar certo. Se produz e brinca dizendo que era para dar uns ‘tiros’ na cidade. “Adoro me empiriquitar, ainda mais sendo filha de árabe”.

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