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Santa Casa de Araraquara realiza primeiro implante coclear da história da instituição

Santa Casa de Araraquara realiza primeiro implante coclear da história da instituição

Com 116 anos completos, o último sábado (16) entrou para a história da Santa Casa de Araraquara. Os cirurgiões otorrinolaringologistas, Marcos Marques Rodrigues, Ricardo Nasser e suas equipes, com o acompanhamento do professor doutor Eduardo Tanaka, da USP de Ribeirão Preto, entraram no centro cirúrgico para realizar um procedimento de implante coclear, o primeiro do hospital.

O implante coclear é um dispositivo médico eletrônico para pessoas com perda auditiva de grau severo a profundo. Ele funciona transformando sons em estímulos elétricos, que são enviados diretamente ao nervo auditivo, substituindo parcialmente as células danificadas da cóclea. A ativação do implante é feita, em média, 30 dias após a cirurgia de colocação do implante.

Segundo o doutor Marcos, esta paciente apresenta perda auditiva bilateral, mas possui a fala, o que é muito importante quando se trata de um adulto. “Para que possamos realizar o procedimento em adultos, é importante que eles dominem a fala. Também temos a convicção de que é importante o paciente não ter expectativas muito altas, pois a realidade pós-implante muitas vezes não é aquela que ele imagina. Nesses casos eles vão ter que reaprender a ouvir”, explica o cirurgião.

O aparelho utilizado é um dos últimos modelos disponíveis no mercado internacional e que chegam ao Brasil. “Temos pouquíssimas pessoas implantadas com esse modelo até agora e, sem dúvidas, a Camila é uma das primeiras pessoas no Brasil a recebê-lo”, conta a Gerente de Suporte Clínico da Oticon Medical, empresa fabricante do aparelho, Fabiana Danieli.

A paciente, uma mulher de 40 anos, que nasceu deficiente auditiva e aos cinco anos de idade ganhou sua primeira possibilidade de entrar no mundo dos sons fazendo uso de um aparelho auditivo, já utilizou vários tipos e modelos de aparelhos, mas isso não foi capaz de fazer com que sua audição fosse recuperada ou mantida estabilizada. Gradativamente foi escutando cada vez menos, até perder completamente a audição.

“Estou muito ansiosa para ver o resultado. Só irei saber daqui um mês, mas me sinto preparada para conhecer os sons do mundo. Vivo no silêncio há 35 anos. Meu sonho é ouvir”, emociona-se a paciente, assistente de Recursos Humanos, Camila Palombo Maria de Andrade.

Doutor Marcos relembra sua trajetória até chegar a este grande evento. “Eu não sou de Araraquara e, em 2010, a Santa Casa foi o hospital que me acolheu, me ajudou muito e foi aqui que encontrei apoio para seguir minha caminhada. Quando cheguei ao centro cirúrgico não tinha nada disso e, hoje, ao ver a Santa Casa renovada, com capacidade de fazer um procedimento dessa amplitude, é uma satisfação muito grande. Agradeço à diretoria, que sempre confiou no nosso trabalho, ao convênio São Francisco, enquanto instituição, por proporcionar este momento para nós, e também gostaria de lembrar que não faço a cirurgia sozinho, é a minha equipe como um todo que ameniza os sofrimentos dos nossos pacientes, dando uma qualidade de vida melhor, dentro do possível, para todos eles”, finaliza.

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