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Os esquecidos



Depois de um mês da reintegração de posse do Novo Horizonte, acampados ainda aguardam por seus pertences

Os esquecidos

Da redação

Cerca de 70 famílias que estão acampadas em frente à antiga Estação de Trem do Distrito de Bueno de Andrada, desde o último dia 19 de junho, ainda aguardam uma resposta das autoridades sobre a situação de descaso em que vivem. Há um mês, o Itesp realizou a reintegração de posse da área, onde cerca de 270 famílias moravam e trabalhavam no interior do Assentamento Monte Alegre III, em Matão.

A reportagem do O Imparcial voltou ao acampamento depois de um mês, para verificar as condições de sobrevivência dos acampados e o que havia sido realizado em relação ao acordo feito com o Itesp que previa o transporte e local para armazenamento dos móveis, bens e animais das famílias que deixaram o local. As 264 edificações que haviam na área foram demolidas e, segundo Luciano Chagas Sobrinho, que é coordenador do grupo, os moradores não conseguiram retirar seus pertences dos barracos e, agora, não conseguem reavê-los, pois não foram informados onde está localizado o barracão que deveria guardar os móveis e, até, objetos pessoais como documentos e medicamentos.

“Desde quando iniciamos as reuniões com o Itesp, eles nos prometeram outras terras para a gente se mudar, mas não cumpriram com a palavra. Agora estamos jogados aqui sem nenhuma resposta e nem apoio de nenhum órgão público, somente a população ainda está nos ajudando com doações de água e alimentos. Além dos nossos pertences, nossos animais que deveriam ter sido encaminhados para um local apropriado, onde seriam mantidos até conseguirmos retirá-los, ou morreram ou se perderam. Somente algumas vacas nós conseguimos descobrir que estão em um sítio perto de Boa Esperança, mas o dono cobrou para a gente retirá-los de lá R$ 50,00 por dia, por cada animal, pelo aluguel do pasto. Eles eram nosso sustento, quem vai pagar por isso? Até nossos cachorros foram mortos no dia da reintegração. Isso é desumano”, relatou Luciano.

Descaso

Os trabalhadores rurais José Antônio Aparecido e Maria Simões relataram para a reportagem que na última sexta-feira (13), foram até o escritório do Itesp, em Araraquara, para se informar onde estariam seus pertences para que pudessem busca-los, porém, foram informados que o Instituto já não tinha mais responsabilidade sobre o caso e que deveriam procurar o juiz que deu a sentença de reintegração de posse. “Nós perdemos tudo, meus documentos estavam em uma pasta no meu guarda-roupa e não me deixaram pegar no dia que retiraram a gente de lá. Além disso, meu filho é especial e usa medicamentos específicos que também estavam na minha casa e não pude pegar. Na sexta-feira fui com meu marido na Itesp perguntar das minhas coisas e o advogado gritou comigo e disse que era para a gente procurar o juiz. Nossas coisas estão todas abandonadas, perdemos tudo”, reclamou Maria.

Impasse

No dia da reintegração, o diretor de políticas de desenvolvimento do Itesp, Marco Silva, relatou à reportagem que a ação foi realizada depois de várias reuniões com os acampados e quando não restava mais nenhum recurso legal. Porém, os acampados mostraram um laudo de uma vistoria ambiental que foi realizada na área do acampamento em 21/09/2015, que comprova que a região que o Itesp diz ser uma área de preservação ambiental, era apenas um pasto abandonado quando eles lá chegaram. Além disso, os acampados dizem não entender o porquê de a sentença de reintegração de posse ter sido dada por um juiz de Araraquara, sendo que o acampamento estava localizado no interior do Assentamento Monte Alegre III, que pertence à cidade de Matão.

Resposta do Itesp

O Itesp foi procurado pela reportagem e alegou que não tem informação de animais mortos ou perdidos.

O Instituto também relatou que encaminhou um pedido na semana passada solicitando ao juiz responsável pela ação que as famílias retirem os animais e os pertences em um prazo de cinco dias. O juiz deferiu o pedido do Itesp e as famílias, por meio dos advogados, serão intimadas para retirada dos objetos e dos animais no prazo solicitado.
Fotos : O Imparcial

Gado de propriedade de assentados, fotografados em uma propriedade em Boa Esperança do Sul

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