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Odair Peta: Araraquara é a cidade que escolhi para viver

O apresentador se encantou com a cidade desde o primeiro momento em que colocou os pés nela

Célia Pires
Odair Peta ao lado de sua equipe que é composta por ícones do esporte como Wilson Silveira Luiz vem fazendo um enorme sucesso nas tardes de sábado com o Programa Esporte e Lazer, na Morada AM.
Para esse homem, cujos olhos azuis ganham um brilho ainda maior quando fala de Araraquara, a cidade é maravilhosa, bela e acolhedora. Foi aqui que os dois filhos que representam seu maior orgulho se formaram professores, além claro, de sua netinha Cecilia.
Odair Peta antes de vir para Araraquara morava em São Paulo trabalhava em uma metalúrgica como encarregado e coordenador geral, a Microgear, onde tinha um bom salário.
Certo dia conversando com o dono da empresa sugeriu ao mesmo a ideia de se montar uma loja de peças de tratores no interior e um dos locais mais apropriados para isso seria Ribeirão Preto, mas chegando naquela localidade Peta percebeu que havia muito em comum com a capital, principal o movimento e assim acabou optando por Araraquara que era muito mais tranquila. Foi em dezembro de 1993.
Araraquara ele conhecia através da Ferroviária que judiava de seu time, o Palmeiras, toda vez que ia para São Paulo. Acabou se encantando com a cidade. Falou com a esposa e logo estava residindo aqui com ela e com os filhos Tiely, na época com 4 anos e Marcelo com 7 anos.
Golpe fatal
Depois de um ano com a loja montada, Peta estava indo bem, andando sozinho por assim dizer, sem o apoio do agora sócio em São Paulo, mas acabou sofrendo um golpe muito grande por conta de um trator que foi roubado e desequilibrou toda a finança da loja.
Para ajudar, a esposa havia sofrido uma queda ao tentar pular um obstáculo na pista de atletismo sofrendo três fraturas no tornozelo.
Como conhecesse pouca gente na cidade, sua mãe veio para ajudar, mas ele também pode contar com a solidariedade de alguns vizinhos. “Quando perdi esse trator perdi todo o capital que tinha para trabalhar e não dava mais para ter mercadoria e não tinha mais como alimentar a loja para que eu prosseguisse”.
Com todos esses dissabores, sua esposa cogitou de voltarem para São Paulo, mas Peta estava com o propósito de ficar. “Essa é a terra que eu escolhi para ficar e aqui vou ficar”, insistia ele.
Nesse interim, um amigo, o convida para sair ele diz não, pois estava muito chateado de ver a situação e, além disso, a esposa estava de repouso por conta da queda, mas com a insistência acabou indo na Fazenda 7S. “Eu fui jogar e era véspera de natal e chegando lá, infelizmente, para terminar a fase ruim tomei uma cotovelada debaixo do nariz e acabei levando seis pontos. Assim fiquei na véspera de Natal com a boca quebrada, minha esposa também machucada, sem dinheiro para tocar o ano, pois tinha perdido o trator através de um golpe, pois havia pago com um cheque roubado”.
Mas depois do Natal, com a cabeça mais fresca Peta ligou para São Paulo para o sócio Clóvis e jogou a toalha dizendo que não ia conseguir levar o negócio adiante, pois não tinha capital, o roubo do trator tinha sido um golpe duro demais. A pergunta era : como recomeçar em Araraquara?
Tomadinhas coloridas
Sem muita saída, começou a vender umas tomadinhas coloridas sugeridas e enviadas pelo cunhado que mora em São Paulo. Uma das primeiras lojas foi do Tinho do The Jungles. “Aquilo foi febre na cidade. Vendi muito o que possibilitou ao menos que eu ficasse na cidade. Liguei para meu sócio em São Paulo e de comum acordo vendemos a loja e um desses vizinhos solidários que sempre nos perguntavam se a gente precisava de alguma coisa fazia tortas muito gostosas e um dia nos presenteou com uma. Falei para minha esposa: será que ela não ensina a gente a fazer tortas? Então, além de vender tomadas eu passei a vender tortas. Fui conhecendo o pessoal da Chalu que me ajudou muito aqui em Araraquara, pois por intermédio deles passaram a me indicar outras pessoas que começaram a ser meus amigos também”.
Assim, Peta passou a vender uma série de coisas: tomadas, lanternas tortas, etc. Com as vendas indo bem falou para o sócio que não era mais necessário enviar mais nenhum tostão, bastava deixar o fax, e o telefone para trabalhar, que aliás é o mesmo até hoje e que nunca pretende se desfazer.
Nova etapa
Assim uma nova etapa surgia na vida de Odair Peta.
Ele havia inscrito seu filho Marcelo, então com sete anos na escolinha do Armando Clemente, figura que foi muito importante tanto na sua vida quanto na de seu filho. “Meu menino ia aos sábados na escolinha e eu acompanhava. O Clemente de vez em quando ‘malandramente’ saia e dizia: Seo Peta, o senhor que entende de futebol toma conta aqui pra mim. Assim comecei a tomar conta dos meninos. Certo dia conheci o Wilsinho Telarolli que convidou meu filho para jogar no 22 de Agosto e ele acabou me convidando para ir tomar conta da escolinha dele. Fui pra lá na Talento Esporte, no Esporte Benfica, onde permaneci por alguns anos”.
Ainda na Talento Esporte, certo dia veio uma pessoa de Bauru incumbida de procurá-lo, mas acabou indo bater na porta errada e no último minuto do segundo tempo acabou encontrando Peta e fez uma proposta que era a mudança de nome da escola de Talento Esporte para Chute Inicial Corinthians, uma franquia do grande time. A sua função seria a de gerenciar a escola. Aceitou. “Acabei conhecendo Julimar José Francisco e Donato que foram atletas da Ferroviária e os convidei para trabalhar comigo. A escola ficou super organizada com quase quinhentas crianças por um período bom”.
Mas foi chegando um momento em que o campo não suportava mais tanta gente até que o dono da escola resolveu parar e fechar a escola, mas não Peta. Assim convidou Julimar e juntos fundaram a Toque Inicial que encerrou suas atividades há dois anos.
Chegou a montar um projeto piloto da escolinha no Jardim América, mas que não vingou por falta de patrocínios. Também atuou na Secretaria de Esportes (Fundesport) com uma escola de futebol que era paga, mas que fazia ações sociais através de bolsas e parcerias com algumas empresas, como as de informática e vários médicos como nutricionistas e lavanderia Requinte. E não precisava ter vocação, bastava querer treinar.
Hoje Peta vende uniformes, faz filmagens esportivas e tem o portal www.esporteelazer.com.br
A primeira filmagem a gente nunca esquece
No tempo da Talento Esporte, Peta comprou uma pequena filmadora. “Tinha uma televisãozinha e cheguei um dia filmando, coloquei o nome das crianças no visor e eu ia filmando e narrando o jogo. O pessoal me ouviu e disse que eu tinha talento para fazer filmagem e sugeriram que começasse. Assim em 1998 fez a sua primeira filmagem. Era um jogo do Atlas. Ginásio lotado. Teve que ficar em cima de uma mesa. Foi feliz pois conseguia filmar muito bem. Assim conseguiu registrar um gol de placa, diferente onde o jogador deu dois dribles, dois chapéus sem deixar a bola cair. As pessoas começaram a contratá-lo para fazer filmagens. Assim, além da escolinha, passou a viver de filmagens esportivas sem contar os salgados que ainda continuava vendendo. E foi assim que a vida foi dando uma guinada.
Depois dessa filmagens encontro Evandro Rocha que o convidou para fazer um programa de esporte. Toninho, Antônio Carlos Rodrigues dos Santos, fez um piloto para o programa cujo nome foi dado por Peta foi veiculado primeiro na Brasil FM, o Esporte e Lazer.
Tempos depois o programa passou a ser apresentado na Morada do Sol AM ,onde está sendo veiculado até hoje.
Um pouco de Peta
Odair Peta nasceu em São Paulo no dia sete de setembro de 1953. É filho do saudoso João Peta que era natural de Descalvado e de Angelina Picolli Peta. É irmão de José Antônio e de Maria de Lurdes. Casado com Vânia dos Santos Peta há 30 anos. Dessa união nasceram Marcelo e Tiely.
Em São Paulo morava no Carandiru e segundo ele, do lado de fora, na Zona Norte. Estudou num galpão que funcionava como escola, a Toledo Barbosa. Quando parou de estudar seu pai sentou no ‘pé’ de sua cama e perguntou a razão. Tinha 12 anos de idade. Disse ao pai que não tinha dinheiro para comprar um doce, como uma paçoca, um quebra queixo, beber uma Tubaína, comer um bauru. “Eu via aquele sanduiche e ficava doido. Aquilo me dava muita fome”, conta ele que acrescenta que seu avô era jardineiro e ele, Peta, teve uma ideia aonde hoje é Center Norte, onde antigamente tinha uma lagoa onde ao lado ficava os cavalos da prefeitura que eram usados pelos lixeiros ou entregadores de leite e ali, no meio dos cavalos ele ia com uma pá pegar o esterco. Colocava em cima de uma bicicletinha e ia vender nas casas que tinham jardim para ter um dinheirinho nos finais de semana”.
Seu cunhado perguntou se ele não queria aprender alguma profissão, como disse que sim, o mesmo disse que ia leválo a seu amigo Paulinho. Da sua casa até a Vila Guilherme era muito longe e a sua velha bicicletinha estava quebrada e não tinha ônibus. Assim ia à pé ate a alfaiataria.Ali com 15 anos já era um alfaiate. Só não colocava manga no paletó e a gola.
O resto fazia tudo. Assim com 16 anos passou a trabalhar na sua casa. Fazia calça para muitos cantores sem saber quem era. “Eu me lembro que o Osmar Santos falava do Tomazini que fazia calças para ministros, cantores, jogadores, como Pelé,enfim grandes personalidades. E esse Tomazini atendia todos os jogadores daquela época e ele me mandava as calças para costurar. Só que eu costurava e não sabia qual deles iria vestir essa ou aquela calça”.
Mais tarde foi trabalhar numa gráfica.Ali se formou tipógrafo.Fez curso de fotografia preto e branco.Foi parar na gráfica de Neide Bonfiglioli, dona do Banco Auxiliar da Sica, onde foi encarregado e coordenador geral.
Quando saiu da gráfica foi trabalhar numa loja de auto peças de trator para ser vendedor onde acabou sendo encarregado geral e mais tarde contratado da Microgear onde foi o início de sua história em Araraquara.
No fim de tudo a lição que Peta tira é que sempre ajudou, mas que também foi muito ajudado pelas pessoas. “Eu sempre espero ter saúde, pois amigos eu tenho”.

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