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OAB realiza primeira pesquisa de campo sobre a Comissão da Verdade da Escravidão Negra



Visita a Santa Eudóxia, que foi um grande quilombo, marca o início dos trabalhos de pesquisas

Célia Pires
Domingo foi um dia de pesquisa de campo da Comissão da Verdade da Escravidão Negra OAB Araraquara, onde 32 pessoas foram ao Quilombo de Santa Eudóxia, Cachoeira de Itararé, Rio Mogi e Fazenda Santa Maria do Monjolinho.
Vale destacar o empenho de Carmelita Silva que serviu de anfitriã para esse grande, embora dolorido, mergulho na história.
Ruth Correa Lofrano, secretária da Comissão da Verdade da Escravidão da OAB Araraquara disse que o grande papel da referida Comissão é de resgatar a história verdadeira da escravidão e com isso dar subsídios para fazer políticas afirmativas de igualdade racial efetivas. “Saber realmente o que precisa ser feito, o que foi nossa história e resgatá-la. Por isso a OAB criou essa Comissão”.
Ruth explica que a Comissão Nacional foi criada em outubro do ano passado. “A seccional de São Paulo está criando a dela também, mas Araraquara saiu na frente, criando a primeira local do interior de São Paulo”.
Para a secretária, a visita a Santa Eudóxia, que foi um grande quilombo, marca o início dos trabalhos de pesquisas, de visitas. “Ouvimos o depoimento do José Augusto Pereira e da Dona Madalena, neta do Pata Seca, escravo que foi reprodutor e pai de centenas de filhos”.
A visita segundo ela, acrescentou muita coisa que desconhecia, como em Santa Eudóxia. “Visitamos locais muito ligados à questão da escravidão, como a Fazenda Santa Maria do Monjolinho que foi uma fazenda de escravos”.
Relatório
De acordo com Ruth, será feito um relatório que será encaminhado para a Comissão Nacional que vai organizar toda a documentação a nível nacional. “É preciso pensar num mundo igualitário, sabemos que existe racismo, pode me chamar de maluca ou utópica, mas ainda acredito que ainda poderemos chegar em um mundo onde independente da cor da pele as pessoas vão ter acesso à educação, ao emprego, as conquistas por seus próprios méritos e vão ter oportunidades iguais, pois existe sim uma exclusão, onde só não enxerga quem não quer”.
Página no Facebook: Comissão da Verdade OAB Araraquara
O próximo encontro acontece hoje dia 1º de julho, às 19 horas na Uniara.
Boa impressão
Para a coordenadora do Centro Afro, Alessandra Laurindo, essa primeira pesquisa de campo foi extremamente importante pelo envolvimento maior da Comissão. “Foi o primeiro trabalho de campo juntos e isso estimula que os demais trabalhos possam ter um pouco mais de comprometimento da Comissão que já é muito comprometida, mas comprometimento com a história como ela realmente aconteceu”.
Para Alessandra, a Comissão já começa bem com o caminho de uma história verdadeira, com fatos reais. “Vendo a história da nossa região e que faz parte do nosso processo, da nossa vivência. Então nada como fazer esse trabalho de campo, de você vir e saber exatamente como aconteceu na nossa vizinhança e que tem ligação direta com Araraquara, sem dúvida, e esse processo de escravização da gente resgatar, inclusive, essa história que é perdida, que não nos é contada na verdade. A Comissão está de parabéns, sem dúvida, por que começa pelo certo”.
Alessandra ainda acrescenta que a visita servirá de base e estimulará cada vez mais para que a Comissão se aprofunde nos estudos para que saia com todas as evidências possíveis de como se deu a escravização na nossa região. “Agora temos fatos concretos, inclusive, com provas documentais que nos foram mostradas e que ninguém está inventando nada, realmente aconteceu aqui muito próximo e de maneira muito brutal e nos foi mostrado com todas as provas possíveis”.
Apoiadores
A Comissão da Verdade Municipal sobre a Escravidão Negra, cujo presidente é Darci Honório, conta com apoio também da Unesp e do Nupe – Núcleo Negro da Unesp para pesquisadores em extensão de Araraquara.
Ainda apóiam: Uniara; Neab – Núcleo de Estudos Afro Brasileiros; Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Ceppir); Centro de Referência Afro Mestre Jorge; Conselho Municipal de Combate à Discriminação e ao Racismo (Comcedir); Fundação Casa; e lideranças do Movimento Negro, entre outros simpatizantes da causa.
As reuniões, abertas ao público em geral, são realizadas na Uniara e o interessado em participar, ou ceder materiais pertinentes ao tema, pode obter mais informações na OAB, cujo telefone é o 3336-0703, ou no Centro de Referência Afro Mestre Jorge, com telefone 3322-8316.Legenda- Primeira pesquisa de campo: Santa Eudóxia.

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