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Morre a radialista Baby Soares, um ícone do jornalismo regional

Baby tinha 56 anos. Deixa uma filha, Ariela, irmãos, parentes e amigos.

Baby Soares: profissional destemida e ética que imprimiu sua marca no jornalismo da cidadeCÉLIA PIRES

A notícia de que a radialista Baby Soares havia falecido na madrugada dessa segunda-feira, 2, no hospital São Paulo vítima de uma hemorragia, consequência de uma grave hepatite C que acabou evoluindo para cirrose, pegou muita gente de surpresa. Ela que era âncora do ‘Jornal da Cultura’, da Rádio Cultura de Araraquara estava afastada para tratamento de saúde e aguardava um transplante de fígado. Não deu tempo. Seu corpo está sendo velado no Velório Almeida. O féretro sairá às 14 para o cemitério São Bento. Baby tinha 56 anos. Deixa uma filha, Ariela, irmãos, parentes e amigos.

Baby Soares, ou melhor, Neusa Soares, era carinhosamente chamada de Neusinha pelos amigos mais íntimos. Mas na carreira começou como Baby Lene. O Baby e era um apelido, pois as pessoas achavam que tinha uma carinha infantil e o Lene foi dado por Antonio Carlos Rodrigues dos Santos, ex-diretor da Rádio Cultura que achava sua voz muito parecida com uma importante locutora de São Paulo que havia sido assassinada, a Miriam Lene. Quando abraçou somente o jornalismo passou a assumir seu sobrenome: Soares.

Leonina nascida em 30 de julho, sempre foi uma ‘fera’ causando ‘buxixo’ por onde passou. Fosse nos programas musicais ou no jornalismo onde não tinha medo de denunciar a corrupção não importa de onde viesse. Na Rádio Clube de São Carlos, por exemplo, era líder de audiência e foi ali onde mais combateu a corrupção. Em entrevista em 2009 ao O Imparcial ela contou que não foi expulsa da cidade, mas que estava com a vida sob ameaça, andando de carro blindado.” A injustiça que fere aqueles que não podem se defender me causa indignação”, dizia ela que chegou a ser chamada de Magdalena de saias, uma alusão ao colega, o jornalista José Carlos Magdalena com quem trabalhou na Rádio Morado do Sol.

Ícone do jornalismo
Outra coisa que ela amava era a dança, principalmente, o tango. “Acho que minha foi e é um tango que sempre traz histórias de vida onde se tem alegrias, tristezas, amores e desamores. O tango traz essa carga de sentimentos muito fortes. É intenso e se parece muito comigo”, falava a jornalista que também falava que era uma pessoa extremamente apaixonada pela vida.

Mas como diz o ex-prefeito de Araraquara, deputado estadual e presidente do estado de São Paulo, Edinho Silva, a obra de Baby Soares foi marcante e sempre pautada pela ética e pela coragem na apuração de fatos relevantes para a sociedade. “Ela era uma defensora implacável dos animais e motivou a Câmara de Vereadores a proibir a instalação de circos com animais e a criar lei protetiva aos cães e gatos abandonados nas ruas da cidade. Como ex-vereador e ex-prefeito de Araraquara construímos com ela parcerias importantes, sempre pensando nos interesses coletivos. A morte precoce da jornalista deixa uma lacuna na imprensa de Araraquara e da nossa região”.

O prefeito Marcelo Barbieri também lamentou a morte da jornalista e segundo ele, ao registrar com “olhar crítico e questionador” os fatos jornalísticos da cidade e da região, Baby Soares se tornou uma “pessoa especial”, que fará com que muitas pessoas sintam falta dela. “Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento da radialista Baby Soares. Sem dúvida fica uma lacuna no jornalismo regional. O empenho e a competência com que exercia seu trabalho, noticiando os acontecimentos com um olhar crítico e questionador, fizeram dela uma pessoa especial que deixará em todos muita saudade”.

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