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Luiz Palombo, um sertanejo nota 10



Para um cara que morava na roça e cortava cana chegar um dia a ser radialista foi a realização de um sonho. Algo mágico

Célia Pires

Para o pequeno Hermínio Luiz Palombo de sete anos uma das coisas mais gostosas depois de voltar da roça, onde cortava cana com seu facão, era se divertir com um dos únicos brinquedos que teve e que ganhou do seu pai, um cavalinho de pau que chamava de Corisco e como não havia televisão, uma das principais e únicas diversões era ouvir rádio. Aliás, a primeira coisa que assistiu na TV foi a novela O Direito de Nascer.
Quando contava 11 anos de idade sua família se mudou para Boa Esperança, pois o pai havia adquirido um sítio. Ali o jovem Luiz ajudou a plantar e cortava cana até os 16 anos quando foi passou a guiar caminhão. Aos 18 anos quando tirou a carteira de habilitação carregava cana em Boa Esperança e levava para a Usina Tamoio. E foi ouvindo rádio enquanto dirigia o caminhão que foi se espelhando em um dos maiores comunicadores que havia no Brasil e que atuava na Radio Nacional de São Paulo. “O saudoso Edgard tem dois filhos que moram em Araraquara, inclusive cheguei a trabalhar com um deles. Contei que me inspirava nele, que gostava da maneira que ele apresentava os artistas, mas infelizmente não tive a chance de conhecê-lo”.

Viação Cometa
Luiz Palombo, depois de trabalhar como caminhoneiro trabalhou na Viação Cometa por 20 anos e trabalhando na empresa, ele conta que se usava muito o rádio amador do ônibus e assim foi tomando mais gosto pelo rádio. Até que um dia alguém falou que ele uma voz bonita.
Palombo se emociona ao relembra o início de sua carreira no rádio iniciada de uma forma inusitada. Em 1982, num evento onde se apresentou com seu saudoso parceiro Peixoto. Faltou o locutor, Tony Mineiro para apresentar as duplas e o diretor da rádio Tunico Nogueira, da Morada do Sol, o chamou para substituir o cara que havia faltado. Ele foi. Anotou os nomes dos cantores que se apresentariam. Ali, naquela hora, foi o momento que como dizem os ‘antigos’ um anjo passou e disse ‘amém’. Assim que terminou o show e desceu do palco, o diretor disse que estava contratado, que ele era o cara que precisavam no rádio. Assim, ali tudo começou e nunca mais parou. Ali nascia para o cenário sertanejo o Luiz Palombo, a ‘figuraça’, o ‘comédia total’, o grande garotinho, o talentoso, o locutor e comunicador nota 10.
Por incompatibilidade de salários, Palombo continuou trabalhando na Viação Cometa e passou a apresentar o programa intitulado ‘ Viola Cabocla’ todos os sábados , das 16 às 19 horas.
Depois de cinco anos, Palombo acabou pedindo a conta da Cometa, deixando muitos passageiros saudosos da sua simpatia e foi se dedicar integralmente ao rádio.
Ali na emissora Morada do Sol, também atuou na TV num programa que ia ao ar de segunda a sexta-feira. Ali apresentava clipes das 14 às 16 horas. Posteriormente foi para a rádio Bandeirantes,hoje Nativa FM,onde apresentava o ‘Canto da Terra’. Depois foi para a Aracoara FM, hoje Jovem Pan onde permaneceu durante uns cinco anos.Ali apresentava o ‘Sertanejo Nota 10’ e ganhou fama a vinheta : Luiz Palombo o sertanejo Nota”. Foi a primeira FM a tocar sertanejo em Araraquara. A audiência era estupenda. Palombo, como se diz popularmente, era o Rei da Cocada! Ali vieram grandes artistas como Gian e Giovani, Chitãozinho e Xororó, entre outros.
Com a venda da Aracoara para Joven Pan, Palombo foi para a Rádio Cultura onde permaneceu durante alguns anos apresentando o ‘Viola Cabocla’.
Palombo nunca saiu de cenário do rádio. Era só sair de uma emissora para entrar em outra no outro dia. Depois da Cultura foi para a Brasil FM onde está há nove anos apresentando o programa , das 16 às 18 horas, de segunda à sexta-feira, onde resgata o nome ‘Viola Cabocla’. O programa traz, muitas vezes, artistas para se apresentarem ao vivo. “É uma alegria estar fazendo rádio até hoje, algo que se Deus me der voz vou fazer até o fim da minha vida”.

Família
Nasceu no dia 14 de julho de 1950, em Araraquara. Foi criado na Usina Tamoio, no Bela Vista. É o filho primogênito de Vicente Palombo e Florinda Tassim Palombo e irmão de Maria, Isabel, Luísa e Ricardo. É avô de Isabella e de Murillo.
Do primeiro casamento Rita de quem permanece amigo nasceram Patrícia, Vanessa, e os gêmeos Luiz Henrique e Gabriela, que é vereadora. “A Gabriela se inspirou um pouco em mim, pois sempre gostou muito de politica, mas nunca quis se candidatar apesar dos inúmeros convites. Para mim politica não combina com radialista, mas quando a minha filha saiu foi um sonho realizado através dela. Fiquei feliz e espero que ela cresça na politica”.
Casado em segundas núpcias com Solange tem a filha Rafaela, de 15 anos.
Luiz Palombo considera vida um círculo onde depois de muita girar voltamos ao mesmo lugar.
Para ele os pais foram tudo. “Meu pai, por exemplo, era um herói para mim, me ensinou a ser honesto, trabalhador, a pensar na família, aquela precaução típica do italiano”.
Palombo que se tornou evangélico, diz que depois da conversão se espelho muito mais em Deus. “Vou ao culto e peço para que me abra e abençõe os caminhos”.
Vale lembrar que futebol sempre foi uma de suas paixões. Foi técnico e também jogou. Foi treinador de vários times de futebol de salão amador de salão, sendo campeão várias vezes.
Ele brinca que por conta da idade deixou de fazer algumas coisas. Antes fazia muitos eventos, a maioria beneficentes, mas uma coisa que nunca deixar de fazer e que é uma de suas paixões é pescar. Conta que aprendeu muitas técnicas com seu pai, que considera seu ídolo. “Era uma forma de ficar com ele e quando um filho vai comigo pescar é uma grande alegria”.

Tião Carrero
Questionado sobre qual artista seria seu ídolo, Palombo se emociona ao responder Tião Carrero,que para ele é uma filosofia de vida. “Tive o prazer de conversar, cantar junto com ele. E pedi para o empresário dele que me deixasse tocar na viola do Tião Carrero, pois ele não deixava ninguém pegar. É através das músicas dele que eu vivo”, diz, relembrando que quando Tião Carrero veio se apresentar em Araraquara, Palombo e seu parceiro Peixoto fizeram a abertura do show.
Para Palombo falar do que significou estar cara a cara com o ídolo é o mesmo que tocar em seu coração. Ele se emociona até às lágrimas.
Ele se recorda que em 1972 quando ainda trabalhava como caminhoneiro passou por Piracicaba onde avistou um circo com uma placa que anunciava a apresentação de Tião Carrero e Pardinho. Não tinha dinheiro para pagar o ingresso. O dinheiro mal dava para um pão com mortadela. Como a vontade era maior do que a vergonha contou ao porteiro sua situação e pediu ao mesmo que o deixasse entrar. Ele assentiu, só pedindo para que esperasse todo mundo entrar. Quando entrou ouviu a dupla cantando junto com o repentista Neguinho Parafuso, de Piracicaba, que anos mais tarde depois de sua morte se tornaria tema de uma das músicas da dupla.”É uma das músicas que mais toco nos meus programas “, diz ele.
Em 95 quando ainda trabalhava na Aracoara FM foi considerado pela mídia um dos cinco melhores comunicadores de São Paulo. O sucesso foi tanto que foi convidado para fazer júri no Raul Gil. Ele se recorda que a Darci Veras, hoje prefeita de Ribeirão Preto, uma das escolhidas, também participou como jurada.
Palombo realizou vários festivais de viola e se orgulha com o fato de várias duplas terem se destacado. Também promovia a Festa do Caminhoneiro que terminou por conta da Lei Seca. “Festa sem cerveja não dá”, brinca ele.
Ao longo de sua trajetória, o comunicador conheceu muitos e muitos artistas renomados do cenário sertanejo e perdeu a conta de quantas fotos tirou junto a artistas, principalmente durante festivais.
Luiz Palombo tem hoje uma beleza madura e conserva ainda o mesmo brilho nos verdes olhos do menino que foi um dia, mas desde sempre se esquivou com respeito do assédio das suas admiradoras.
Palombo chegou a compor algumas músicas com seu antigo parceiro Peixoto, mas cantavam mais do que compunham. A gravação também é reconhecido por sua generosidade em dar chance aos novos talentos sem nunca ter explorado ninguém, mas tem uma coisa: se não for bom ele não toca!

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