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Empresário lamenta início de processo de demolição do Coral

Edson Casalt ainda não se deu por vencido e incita cidade a lutar pela preservação do localComerciante estabelecido há décadas na Avenida 7 de Setembro, Edson Casalt não é apenas mais um dos inúmeros araraquarenses que adotaram o tradicional corredor comercial que liga o centro aos bairros do São José, Carmo e Quitandinha como um atalho para ganhar a vida; e isso, porque a vida de Casalt, literalmente, aconteceu naquela região da cidade.

Morador do Carmo há 51 anos – sua família se instalou por lá em 1960 -, o empresário, que também já respondeu por funções diretivas na Associação Ferroviária de Esportes (AFE), foi um daqueles cidadãos araraquarenses que cresceram mergulhados no mundo da fantasia protagonizado pelo cinema nos anos 60 e 70. E a sala onde Casalt viveu essas fantasias já está com sua fachada quase toda ela no chão, a do Cine Coral.

Inaugurado em 1964, o Cine Coral contava com mais de 1,2 mil assentos, e no auge de sua existência, levava alegria, cultura, lazer e muita diversão para os milhares de moradores daquela rica parte de Araraquara – que apesar de não se localizar no chamado “centro cultural” da cidade; o quadrilátero situado entre as Avenidas Brasil e Feijó, com as Ruas Voluntários da Pátria (5) e Gonçalves Dias (1) – formou gente do quilate de um José Celso Martinez e Ignácio de Loyola Brandão (ambos do São José).

Aqueles eram tempos em que Araraquara ainda contava com duas ricas casas cinematográficas na Rua São Bento (3), o Capri e o Veneza. Ainda tinha de pé o riquíssimo prédio do Teatro Municipal – inaugurado em 1915 -, cuja fachada era idêntica a da Ópera Garnieri, de Paris, e mantinha (ainda) em funcionamento a Escola de Belas Artes e o Conservatório Dramático e Musical – a cidade tinha intensa e rica vida cultural naquela época.

Tudo, porém, já estava caminhando para o fim, e o primeiro grande sonho a ruir foi o Teatro Municipal, cujo prédio, demolido um ano depois da inauguração do Cine Coral, deu lugar ao atual edifício sede da Prefeitura Municipal. Pouco depois, com o fim do auxilio financeiro do município, a Escola de Belas Artes fechou suas portas, mesmo destino reservado ao Conservatório Dramático e Musical da cidade.

Os cinemas de Araraquara (Veneza, Capri, Coral e Plaza), no entanto, ainda resistiriam algumas décadas ao avanço da televisão e das novas tecnologias na área da informação, mas, muito mais pelo idealismo do mecenas dessa arte na cidade, Roberto Afonso, do que propriamente pela viabilidade financeira (com o fortalecimento da televisão, e depois da chegada no mercado dos aparelhos de vídeo-cassete, dos de CD, DVD e da Internet o cinema entrou em colapso).

Hoje, porém, nenhum deles existe mais: dois dos prédios são ocupados por igrejas Evangélicas, um foi adquirido pelas Lojas Americanas e o outro (o do Coral), está sendo remodelado para receber novas casas comerciais.

“É um sonho nosso”
“Quero deixar claro que nunca questionamos o direito de propriedade do prédio do Coral, nunca passou pela nossa cabeça prejudicar os direitos de ninguém. Nós queríamos apenas viabilizar um espaço cultural na Avenida 7, criar um espaço público de lazer para atender as expectativas de nossos jovens e crianças. É um sonho nosso!”, explicou Edson Casalt ao repórter.

Citando o fato de que naquela região da cidade não existem espaços culturais públicos. “O SESC oferece muitas atrações, o Clube Araraquarense também, mas eles não são públicos, suas portas não estão abertas ao cidadão comum”, ressalta.

Casalt lamentou ainda a rapidez com que os proprietários do antigo Cine Coral agiram na descaracterização do prédio, acelerando as obras de demolição, justamente, no instante em que o movimento “Salve o Coral” ganhava força.

“Sabe, não é nada pessoal, mas a descaracterização do edifício aconteceu em menos de uma semana, foi tudo muito rápido. E não quero que pensem que estou denunciando alguma irregularidade, ou coisa assim. Porque se a família agiu dessa forma é porque as obras, com certeza, devem ter a aprovação da Prefeitura. Apenas lamento a forma como isso tudo ocorreu, não precisava ter sido assim”, falou.

Afirmando que o prédio ficou quase uma década com uma placa de “Aluga-se” afixada em sua fachada, sem que aparecessem interessados.

“Os proprietários queriam R$ 8 mil de aluguel, e o que nós estávamos tentando era um aluguel mais baixo, porque também vínhamos trabalhando na obtenção de recursos para a restauração da sala e de suas características. A finalidade sempre foi a implantação de um centro cultural no local, que, com certeza ajudaria muito na revitalização da Avenida 7 de Setembro”, assinalou.

O empresário, apesar de tudo, ainda não se deu por vencido e imprimiu folhetos convocando à população a se mobilizar pelo movimento “Salve o Coral”, distribuindo-os por toda a cidade. “Depois da demolição que se viu ali não sei mais qual é a viabilidade do projeto, mas acho que ainda devemos insistir”, falou.

Para, logo depois, registrar seu protesto e indignação. “Olha: tudo isso chateia, mas, para quem já perdeu um teatro como o Municipal, perder mais um cinema não é novidade alguma. Acho que a cidade deveria acordar e se mobilizar, porque daqui a pouco não vai restar nada para se orgulhar por aqui”.

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