Selecione a página

Du Rodrigues: um artista que traz mais colorido ao mundo

De qualquer modo, ele é alguém especial, seja cultivando agricultura orgânica ou produzindo sua arte na chácara onde mora

Célia Pires
O artista plástico Eduardo Rodrigues da Silva, ou simplesmente Du Rodrigues, nasceu no dia 1º de junho de 1984, em Araraquara. É filho de Nilo Sergio Rodrigues da Silva e Rita de Cássia Pereira Silva. É irmão do meio de Sérgio Luis e de Fernando.
Cresceu no bairro de Santa Angelina. Uma infância onde todos os primos moravam um ao lado da casa do outro. Eram os ‘donos ‘da rua. “A gente vivia na rua o tempo todo e nessa época os melhores amigos eram os primos”.
Passou pelo Progresso, Coeducar, Anglo, Externato, Sapiens até chegar a fazer designer gráfico na Unesp de Bauru.
A arte surgiu na sua vida muito cedo, pois a vó Glória dos Santos Silva dava aulas de pintura em um barracão que havia em frente de sua casa e vendo o pessoal montando cavalete, pintando, ela a vó, teve a ideia de dar para o querido neto uma telinha e umas tintas para que fosse também pintando e o menino foi começando a gostar. “Nesse comecinho eu ia para umas coisas bem espaciais. Até achava que ia ser astronauta. Sempre tinha um foguete ou algo que ia para o espaço”.
Sua vó Glória juntamente com seus pais foram os primeiros que o incentivaram na arte da pintura. “Mas foi a minha avó que deu os meus primeiros livros de arte. Quando comecei a fazer o curso de desenho com o Kiko Lopes foi ela que fez questão de pagar. Ela que dava as primeiras tintas, os materiais de arte. Ela sempre dizia para os meus pais: isso daí vocês deixam comigo. Ela assumiu isso, pois viu que também ela era uma inspiração minha”, conta emocionado, acrescentando que essa avó, hoje saudosa, significa muita coisa. “Eu não a trago através de traços, mas de sentimentos muita coisa. É muito forte. Foi muito significativo. Até quando eu larguei o emprego e disse eu vou para arte foi em uma época logo após o falecimento da minha avó e ela tinha me dito: você vai atrás dos seus sonhos. Ela mandou meus pais ficarem do meu lado e me apoiarem independente do que fosse acontecer. E foi ai que eu senti algum apoio para me jogar nesse mundo que é cheio de incertezas. Ela, minha avó nunca ganhou um real com a arte dela. Todos os quadros que ela fazia ela dava de presente. Ela era sensacional”.
Na faculdade os professores eram ‘top’, mas o desenhista e professor Kiko Lopes foi o seu grande mestre. “Ele pegou uma criança e foi trabalhando. Aprender a usar cor eu devo muito ao Kiko que ensinou técnicas, composição”.
Du conta que escolheu o curso pela parte de desenho muito forte e, para ele que já estava envolvido com programas gráficos de computador, era tudo de bom. É da turma de 2009 da Unesp de Bauru.
Chacrinha
Du Rodrigues chegou a trabalhar em algumas agências de publicidade, como na Contexto em Araraquara. “Depois me joguei na arte fazendo desenhos que estavam começando a repercutir”.
Ele conta que chegou a fazer eventos culturais quando morava em uma chácara que era uma mistura de exposição de arte, bandas ao vivo. Era chamado de Projeto Chacrinha. Foi há três anos. “Foi bem legal, mas sabíamos que tinha um prazo de validade. Dali fui morar com minha esposa na fazenda da minha família, a Capão Bonito. Estávamos bem isolados,sem internet, TV. Foi um isolamento produtivo”.
Posteriormente se mudou com a esposa para a chácara onde residem atualmente.
Salvação do mundo
Ele vive em uma divisão entre o contato com a natureza, do cultivo da agricultura orgânica de forma profissional e a arte que produz por encomenda, ou seja, um prestador de serviços visuais, tanto de pinturas e como de identidade visual para empresas. Agora também está prestando serviços referentes à agricultura onde monta cestas em pequena escala para algumas pessoas. São produtos orgânicos que cultiva junto com a esposa na chácara onde moram.
E por falar em esposa, é casado com Carolina Moinhole. Há três anos encontrou na parceira a companheira ideal não só para o cultivo de sonhos, mas ambos colocam a mão na massa sem medo. “Família para mim é porto seguro, minha base. Sou muito ligado em pai e mãe”.
Embora seja muito jovem, Du acredita que estamos fazendo parte, querendo ou não, de um processo de mudança do mundo, de como se viver, pensar, agir, as atitudes. “Estamos no início, mas estamos percebendo a movimentação de várias pessoas que confirmam que isso está acontecendo e que uma dessas coisas envolve a agricultura de forma política, ou seja, a responsabilidade do alimento para alimentar e não para intoxicar, sem a utilização de veneno. Levantar florestas onde não existe nada como faz o Ernst Gotsch do Instituto Toca que cria recursos ao invés de explorá-los, melhorar o solo, floresta de comer. O que quero fazer? Floresta de comer!”, diz acrescentando que tem muito jovem se ‘jogando’ nesse movimento que ele enxerga como a salvação do mundo. “Não existe mudança que você queira ver no mundo que não passe pela agricultura. Não vai ter sociedade se não ter solo e planta saudável antes”.
Para ele, o caminho vai ser a produção de alimento orgânico, o que vai ocorrer um êxodo ao campo, pois o orgânico demanda mão de obra e exige muitos cuidados.
A arte
A arte para ele, é uma vitrine para mostrar um pouco do que pensa e do que gosta. Por exemplo, alguns trabalhos de arte dele são mais políticos. Tanto que quando participou de uma exposição na Copa do Mundo aproveitou para expor suas ‘garras’ contra o futebol que acredita ser mais pão e circo do que qualquer outra coisa. “Enquanto isso, fazem as falcatruas. O carnaval entra no mesmo esquema. Muitas vezes tentam calar a nossa voz enquanto artista”.
Du Rodrigues fez um trabalho bem legal no Almanaque só para citar e participou de várias exposições desde adolescente, como no Centro Paulo Mascia, no Mondrian, Caixa Preta (Mastrangelo Reino), da Copa do Mundo no Brasil (Hilton Hotel em Sampa), no COC, entre outras.
Mas ele é um artista completo e sua formação em design permite que transite por vários caminhos, utilizando as mais variadas técnicas, atendendo desde o decorativo residencial ou comercial, com a manufatura e personalização de luminárias, painéis e móveis, até a criação de estampas exclusivas para moda e vestuário.
Uma experiência recente foi seu ‘Live Painting’ durante o show do Liniker no Sesc Araraquara, onde teve pouco mais de 2 horas para começar e finalizar um painel de 2×3,7m, pintado com pincéis e tinta acrílica. “Foi uma experiência linda”.
Sua marca registrada são as cores vibrantes e contagiantes. Em uma entrevista, Du Rodrigues disse que acreditava ser impossível ficar indiferente ao se deparar com algo tão colorido! “As cores acabam por penetrar no inconsciente das pessoas, resgatando lembranças e sentimentos felizes, propondo assim um passeio de volta à infância, muitas vezes esquecida diante do cotidiano racional e conturbado da vida adulta”.
Facebook – https://www.facebook.com/durodrigues.arte
E-mail – design.eduardo@gmail.com

Últimos Vídeos

Carregando...

Charge

Publicidade

Publicidade

Arquivos

Publicidade