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Dez anos do adeus ao repórter Mário Henrique Zampieri

Desde a infância, viveu ao redor da Estação Ferroviária, na Rua Antônio Prado, onde existia um ponto de charretes, vários hotéis, bares e um insistente convite à boemia. Aliás, repórter nenhum dorme cedo. Acolhido pelo casal Paulo e Cecília Silva, Mário se sentiu em casa. O mestre Paulo o ensinou a legendar foto, resumir a […]

Repórter fotográfico que marcou época em Araraquara partiu no dia 20 de outubro de 2007



Repórter fotográfico e redator policial, colunista sertanejo, presidente da Associação dos Cronistas Esportivos, atirador do Tiro de Guerra, torcedor da Ferroviária. Por onde passou, Mário Henrique Zampieri, o Marião, conquistou uma legião de amigos. Ele partiu no dia 20 de outubro de 2007, aos 51 anos.

Desde a infância, viveu ao redor da Estação Ferroviária, na Rua Antônio Prado, onde existia um ponto de charretes, vários hotéis, bares e um insistente convite à boemia. Aliás, repórter nenhum dorme cedo.

Na juventude, Marião se interessou pela fotografia e pouco pelos estudos, apesar de ter passado pelo Senac e pelo Colégio Progresso. Aprendeu a revelar filmes em laboratório improvisado no porão do Hotel São Luiz, de propriedade da família à época. Ele descobriu os segredos do laboratório, o que mais tarde
foi útil para arrumar emprego no jornal O Imparcial, como auxiliar de José de Arruda Corrêa da Silva, o Zezinho, fotógrafo profissional e do primeiro escalão na redação.

Acolhido pelo casal Paulo e Cecília Silva, Mário se sentiu em casa. O mestre Paulo o ensinou a legendar foto, resumir a informação, destacar o principal e cortar o desnecessário.

No jornal O Imparcial, Marião bateu cartão por duas décadas, entre os anos 1980 e início dos anos 2000. Com certeza, teve mais de 5 mil fotos publicadas na primeira página.

Também assinou capa de Veja, Estadão e páginas internas da revista Placar naquela memorável campanha da Ferroviária na Taça de Ouro de 1983. Clicou o gol de Claudinho, no Maracanã, na vitória da Locomotiva por 1 a 0 diante do Botafogo (RJ), em 29 de janeiro — uma semana após o velório de Garrincha, maior ídolo do clube da Estrela Solitária, que foi velado no Estádio Mário Filho.

Retratou invasão na delegacia do Centro e rebeliões na cadeia do 13º BPM/I e na Penitenciária Regional, manifestações, assassinatos, decisões no esporte, eleições, vitórias da Ferroviária, ídolos da música. Sempre com emoção e o faro apurado pela notícia.

Inspirado em ícones da reportagem fotográfica, como Domício Pinheiro, Sebastião Salgado e JB Scalco, Mário aperfeiçoava seu estilo. Avesso aos modismos, impunha seu conceito de imagem nua e crua, sem truques, mas cheia de ação. Nunca se intimidou com ameaças. Até virou notícia quando desarmou bandidos em tentativa de assalto ao seu pai, nos anos 1990. Defendeu a classe dos repórteres e lutou pelos direitos autorais.

Com sua precoce partida, Marião deixou esposa, filhos, netos e amigos amargurados e levou o romantismo de carregar a câmera com o filme, a expectativa pela revelação, o corte da foto na ampliação e também o estridente barulho das máquinas de escrever. Hoje, as redações são mais silenciosas. Ele pouco desfrutou da tecnologia.

Família

Os saudosos pais Clodoaldo Zampieri e Luiza Zampieri foram proprietários dos hotéis São Luiz e Vila Rica. Além de Mário, o casal teve mais três filhos: Clodoaldo Filho (falecido), Regina (falecida) e Izilda.

Do casamento com Maria José Iost, a Zezé, Mário teve as filhas Corina, que está com 38 anos (mãe de Pedro, 2), e Bruna, 34 (mãe de Agatha, 17, Logan, 11, e Maria Eduarda, 6), além do filho Lucas, 33 (pai de Gabriel, de 2 meses). Ele conheceu dois dos cinco netos.

Depoimentos

“Meu pai era carinhoso com as crianças e colocava apelido em todas. Levava a gente em shows, jogos de futebol e eventos, nos fotografava com os artistas e jogadores e ainda conseguíamos autógrafos. Também nos ensinou sobre a culinária oriental e nos levava para passear no bairro Liberdade, em São Paulo. Tivemos uma convivência incrível”, recorda Bruna Zampieri.

“No final da década de 1990, eu cobria uma blitz policial contra um grupo de jovens suspeitos de uso de entorpecentes no Cemitério São Bento. Um policial me impedia de fotografar e, de repente, chega o Marião do Imparcial e explica ao policial que eu era credenciado pela Federação Nacional do Jornalistas (Fenaj) e estava a serviço do jornal Tribuna. Cumpri a pauta com muitas fotos e ao lado do Marião, que fotografava sem parar com sua impecável Nikon F2″, recorda o repórter fotográfico Cláudio Lara Ruiz.

“No meu primeiro dia de trabalho no jornal O Imparcial, em 1999, o Marião me mostrou todas as dependências desde a recepção, o arquivo, o laboratório fotográfico, a redação e o departamento comercial. Um grande companheiro”, afirma a jornalista Célia Pires.

“Cobrimos juntos mais de trezentos jogos da Ferroviária. Teve uma vitória afeana diante do Santos FC, por 2 a 1, em 1994, em que um repórter de rádio atrás das redes do Peixe comentou que a bola, no gol do centroavante Silvinho, entrou empurrada pela vibração dos fotógrafos de Araraquara. Outra cobertura
marcante foi o show do Raul Seixas, no Gigantão. Ficamos próximos ao camarim tentando um contato com o ‘maluco beleza’. Entre uma e outra latinha de cerveja, o Raul nos acenava e nós entendemos que ele necessitava de forças para subir ao palco. Foi um respeito mútuo e sem palavras. Indescritível. E o show, inesquecível”, conta o repórter fotográfico Tetê Viviani.

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