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Costa: a sina do escravo Damião continua

O Baile do Carmo atraiu  5 mil pessoas de outras cidades, movimentando a economia de Araraquara

José A C Silva

Como noticiamos em primeira mão o Baile do Carmo foi parar nas mãos do Dr, Raul de Mello Franco Júnior, promotor do MP- Ministério Público de Araraquara. O promotor de justiça, acatou a denuncia pelo fato da festa ter recebido dinheiro público e ter cobrado ingressos.
O organizador do “Biale do Carmo”, Daniel Amadeu Martins Filho, o Costa, este ontem na redação d´O Imparcial, triste com os acontecimentos após baile, desabafando disse que as perseguições continuam. “Sofremos preconceito político, não tem cabimento as coisas que estão falando, querem especificar o show do Arlindo Cruz como se fosse o único gasto do evento. Temos a diretória da Apprecaba – Associacão Para Preservação, Resistencia e Resgate da Cultura Afro Brasileira de Araraquara, fazemos tudo com critério. O baile é conhecido no Brasil, é a festa mais tradicional de Araraquara e região”. Segundo Costa, foram gastos R$ 210 mil reais, a verba que recebemos da Fundart foi de R$ 57 mil – o evento deu prejuizo. “ Só para se ter uma ideia, demos alimentação para mais de cinquenta pessoas, gasto com hotel, 35 seguranças, e 6 porteiros. A Semana Cultural Baile do Carmo, que tem 126 anos de história, não podemos manchala fazendo de qualquer maneira o nome de Araraquara também está atrelado, é muita responsabilidade”. Os músicos foram escolhidos a dedo o Sombrinha começou cedo a tocar aos 14 anos, ganhou do pai um violão de 7 cordas e aos 16 anos passou a tocar em casas noturnas. Em 1977, aos 18 anos, já era profissional, e gravou com Baden Powell e Originais do Samba, a atração custou R$20 mil reais, pagamos barato ele cobra bem mais. “Foram 5 dias de festa, trouxemos uma orquestra de 28 músicos, Simoninha, Negra Li, Fled Jorge, Quem Sabe Samba e outros”. A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil. Lembra que a festa começou 3 messes depois, no dia 16 de julho de 1888,.no Quilombo do escravo Damião, que ficava onde hoje está localizado o ginásio do SESC. “ Muitos negros depois da abolição da escravatura sairam da cidade, outros preferiram ficar com seus senhores. Damião foi acometido de banso – os negros ficavam de coque e morriam naquela posição – que era um tipo de depresão, causada pela tristeza. Naquele momento de enfermidade, apareceu uma mulher branca muito bonita e falou que os negros tinham que parar de sofrer no Quilombo e começar a festejar a vida com batuques, danças e canticos, segundo a história Damião teve um contato com Nossa Senhora do Carmo. Com isso, eles inventaram a tradicional dança Umbigada. O coronel da mata recebeu uma denuncia que os negros estavam festejando, mandou amarrar Damião no pelourinho e teve suas pernas cortadas, servido como lição e exemplo aos outros negros”. Costa, principal organizador do evento, conta que recebeu o legado de organizar o baile há 26 anos, e que não têm sido facil. “Creio que fui escolhido para continuar a missão que Nossa Senhora do Carmo passou par o escravo Damião, querem cortas as minhas pernas para que não tenha mais a festa, podem investigar a minha vida, sou uma pessoa simples”, finalizou.

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