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Comércio araraquarense sofreu muitas mudanças nestes últimos dez anos

Abertura da descentralização, de novos polos e a miscigenação de produtos, como a abertura de especialidades como os pet shops foram algumas das transformações

Célia Pires
Nossa reportagem convidou o presidente do Sincomércio, Antonio Deliza Neto, para falar do ‘comportamento ‘ do comércio araraquarense nos últimos dez anos, que segundo ele evoluiu muito haja vista o crescimento exponencial que houve nos corredores comerciais dos bairros, a exemplo da Alameda, Vaz Filho, comércio no Vale do Sol e isso independentemente da crise. Foram criados novos corredores comerciais e a cidade foi saindo desse eixo-centro que é o comércio tradicional da Rua Nove de Julho.
Ele, por experiência própria, pois manteve um estabelecimento comercial por mais de 20 anos, na Rua 2 acima da Barroso, ressalta que historicamente a Rua São Bento(3) sempre foi mais difícil de ter comércio e que a Rua Nove de Julho acima da Barroso era praticamente ‘morto’, mas hoje está ultrapassando a barreira da referida avenida Barroso. “Isso também foi um marco, pois o comércio era concentrado, pois o centro econômico e administrativo se resumia ali, ou seja, o Paço Municipal e os bancos. Então, o pessoal fala: vou para cidade! Mas estamos na cidade!. Culturalmente Araraquara tem isso de ir ao centro e dizer que vai para a cidade”.
O advento do shopping
Quanto aos shoppings, Deliza diz que quando o Tropical Shopping veio para a cidade, o mesmo era um modelo diferente, cópia de um shopping de Miami, com galerias abertas e que o nosso clima favorecia aquele tipo de shopping que foi um sucesso num primeiro momento.
Para ele o que não deu certo foi o investimento, onde o lojista era dono do espaço.”Isso em um shopping tradicional, em um empreendimento imobiliário onde vai haver uma concentração de comércio está provado que não funciona, pois o lojista passa a ser dono do espaço dele e já acha que não deve pintar na cor que os outros vão pintar, não deve investir no investimento de natal ou fazer campanhas tão cobradas na nossa cidade e que começa a inibir e a gerar atrito nesse que passa a ser um condomínio de lojas e não um shopping”, acrescentando que essa é a diferença do shopping que tem sucesso, que é um empreendimento imobiliário onde existe uma verba especifica para campanha, para publicidade e o dono do imóvel garante em contrato levar pessoas para esse local. “Isso inibiu um pouco o crescimento de outros shoppings em nossa cidade, a meu modo de ver, pois shopping precisa de investimento em grande quantidade de terra,enormes quantidades de metros quadrados para poder fazer”.
Deliza diz que, hoje, teoricamente, depois de mais de dez anos, o shopping Jaraguá está fazendo a segunda implantação do aumento das suas lojas, da metragem quadrada. “Um shopping para maturar tecnicamente demora no mínimo uns cinco anos.Isso está provado haja vista shoppings,por exemplo, em Ribeirão Preto que ainda não estão ‘maduros’, pois não completaram seu período de transição de cinco anos. Ai a gente vem em um mercado recessivo como o nosso, atrapalha enormemente e esse prazo pode se tornar dez anos porque é muito difícil o retorno do investimento num curto prazo”.
Não deve nada a ninguém
Agora,segundo Deliza, o comercio em Araraquara não deve e não deixa a desejar a ninguém. “Temos grande segmentos de varejistas, grandes aparelhos em supermercados.Tivemos uma concentração de supermercados na cidade há alguns anos e hoje já não temos mais. Estamos sendo observados pelas grandes redes, haja vista a Renner, C& A, Pão de Açúcar que estão com olhar bastante positivo para Araraquara que é um centro consumidor bastante exigente, próximo a um grande centro varejista que é Ribeirão Preto que tem como um reverencial a comparação, pois todo mundo compara que Ribeirão é assim, Ribeirão é assado’. Ribeirão não tem nada de diferente do que nós temos. O que ele tem é uma cidade com 600 mil habitantes, ou seja, três vezes a nossa cidade, e que é um pólo regional de medicina e prestação de serviços. O que acontece? Tem uma população flutuante muito maior que a nossa, o que traz uma diferença de prestação de serviço e de comércio muito grande, mas Araraquara atende perfeitamente as cidades pequenas da região e isso está mais do que comprovado pelas placas dos veículos que vem ao nosso shopping e ao centro da cidade, principalmente, aos sábados”.
Mudanças
O comércio mudou muito nesses dez anos: a abertura da descentralização, de novos pólos e a miscigenação de produtos. “Tivemos a abertura de especialidades, como a história dos pet shop que cresceu enormemente nos últimos anos; o advento da internet que fez com que o consumidor mudasse de uma maneira muito forte. A Internet hoje faz concorrência hoje com o comércio de rua porque ‘funciona’ durante 24 horas, diferentemente da loja que é um comércio de espera, ou seja, tem que esperar o consumidor ir até a sua loja. Por esse motivo a quem diga que a gente não faz campanha, mas é necessário explicar como funciona uma campanha: Primeiro o auto custo, pois tudo deve ser regulamentado pela Receita Federal através da Caixa Econômica. “ É preciso ser feito um depósito judicial no valor da campanha, por exemplo: se você vai sortear um carro tem que depositar o mesmo valor do carro como garantia, ou seja, uma campanha de uma TV custa duas; de um carro, custa dois; de uma mota custa duas, enfim, é sempre dobrado e isso encarece demais. Na hora que se vai fazer um rateio disso para o comerciante, às vezes, ele não está interessado em fazer, pois o modelo está esgotado na minha maneira de ver”.
Atribuição primordial
Quanto às campanhas, como a do Dia dos Pais, por exemplo, o Sincomércio sempre teve essa participação antigamente, que na realidade, não querendo fugir à nossa responsabilidade, mas a atribuição primordial de um sindicato patronal é a convenção coletiva de trabalho, a regulamentação da relação do capital com o trabalho. As campanhas, o processo de decoração de Natal, todo esse movimento de marketing que envolve toda a comunidade de empresários do comércio nós temos como parceiros as associações comerciais. São elas que tem esse papel fundamental para poder fomentar esse tipo de coisa. Obviamente, que sempre fomos parceiros da Associação Comercial. Sempre.Tanto que ao longo dos anos, nós tivemos o presidente da Associação juntamente com o presidente do Sindicato.Eram a mesma pessoa. Se confunde isso. Com a modernidade dos últimos dez anos, a evolução do comércio houve a necessidade dessa ruptura, pois o dinheiro que o sindicato patronal recolhe através de suas contribuições é carimbado, ou seja, não posso gastar o dinheiro que não e estritamente na atividade sindical, ou seja, cursos de formação, cursos de capacitação, medicina no trabalho, parcerias de fomento ao desenvolvimento tecnológico, fornecimento de feiras, enfim, o desenvolvimento técnico e humano da relação do capital e trabalho. Agora, nos não podemos mais gastar dinheiro decoração de Natal, podemos sim, se o associado pagar uma contribuição associativa ao sindicato e não uma contribuição sindical. Essa é a diferença. O orçamento do dinheiro destinado a essas campanhas são muitos restritos”.

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