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Com o aumento da drogadição, PADS precisa de prédio próprio

Jovens estão utilizando uma droga pior que o crack, o oxi

José Carlos Porsani, secretário de Assistência SocialCÉLIA PIRES

A faixa etária de jovens que se envolvem com drogadição tem diminuído muito em Araraquara. Uma notícia alarmante é que a maioria vem se utilizando de uma droga ainda pior que o crack, o oxi, abreviação de “oxidado” e é uma mistura de base livre de cocaína e combustível (como querosene ou gasolina). É mais barata e tem um efeito devastador que mata mais rápido.

A gestora do PADS, Programa de Acompanhamento e Assistência aos Dependentes de Substâncias, Eliana Branco Veiga, informa que a maior demanda geralmente vem de famílias em situação de vulnerabilidade social, desestruturadas, crianças e adolescentes sem referências, com vínculos familiares fragilizados, falta de limites, ausência de diálogos, pais que não têm autoridade, pais que já têm histórico em dependência de substâncias sendo referência para transpor essa realidade para seus filhos. “A maioria dos casos em que se vai avaliar pode se perceber que a criança já presenciou isso em casa”.

De acordo com o secretário de Assistência Social, José Carlos Porsani, o PADS surgiu por conta da grande procura relativa aos problemas de drogadição. “O programa deu tão certo que muitas vezes deixamos de internar por conta do trabalho realizado pela psicóloga e assistente social com a família.”

Segundo ele, muitas vezes a Justiça envia todos os casos de internação para o PADS. “Temos trabalhado e hoje se não fosse esse programa o município não teria possibilidade de arcar com os custos das internações que são muito onerosas e o governo do estado e federal não oferecem um programa, uma clínica na qual podemos colocar gratuitamente. Para se ter uma idéia, o mínimo que se paga é um salário mínimo.”

Mais profissionais
Porsani diz que já ‘cobrou’ o prefeito de que o PADS precisa de mais psicólogos e assistentes sociais. “Também teremos um local somente para atender esses casos e as famílias, pois é realizado o acolhimento aos dependentes de substâncias e seus familiares, triagem psicológica e encaminhamentos para a rede municipal, como o Centro de Referência do Jovem e do Adolescente, Conselho de Referência de Saúde Mental e grupos de apoio como o Ameara (Amor Exigente), AA (Alcoólicos Anônimos), Alanon (Associação de Parentes de Alcoólicos), NA (Narcóticos Anônimos), Naranon (Familiares dos Dependentes de Drogas).

Atualmente é forte a demanda que chega à secretaria de Assistência Social, vinda de diversos órgãos e instituições do município e também por demanda espontânea. “A secretaria é constantemente intimada pela Vara da Infância da Juventude e do Idoso para avaliar o comprometimento de crianças e adolescentes em relação ao uso de substâncias psicoativas e também para internações em clínicas especializadas como medida protetiva, sendo que algumas internações são involuntárias e sob regime de contenção.

O programa também interna adolescentes e adultos em comunidades terapêuticas em Araraquara e em localidades, já que a cidade não possui uma comunidade voltada para o sexo feminino e nem clínica para internação involuntária. “Sentimos a necessidade da implementação de um serviço que organize e viabilize essa demanda de atendimento.”

GG1
O juiz da Infância e Juventude e do Idoso, Silvio Moura Sales, solicitou ao prefeito Marcelo Barbieri que viabilizasse um projeto de integração entre todas as secretarias, o GG1, Grupo de Gestão Integrado. “O prefeito vai coordenar e as secretarias como a Saúde e Educação, Esporte, por exemplo, vão apresentar projetos todos os meses e, além disso, cada uma vai estar ciente do que acontece em cada secretaria, com todos os dados referentes a esses adolescentes que são atendidos pelo município.

Para se ter uma idéia da importância de se ter esses dados, recentemente Guarda Municipal fez um levantamento de que aproximadamente 170 jovens estão nas praças fumando ao invés de estarem nas escolas. “Muitos pais desconheciam o fato. A hora que os pais despertam pode ser muito tarde. Por isso, a importância de todas as crianças serem uniformizadas para uma melhor identificação das escolas, tanto públicas quanto particulares.”

Aumento de casos
Para a gestora, os pais devem ficar atentos à mudanças de comportamento, evasão escolar, se passam grandes períodos na rua, falta de higiene pessoal, se cometem atos infracionais devido às companhias e a necessidade de adquirir drogas. “Tudo isso é problema de saúde pública, pois desencadeiam crises familiares, atos violentos e internações em clínicas especializadas”.

Durante todo o ano passado foram 30 casos de adolescentes e 24 de adultos. “De janeiro a abril foram atendidos 97 casos e neste ano, no mesmo período, foram 246 casos.”

Em relação às internações em 2010, de janeiro a abril, foram 11 casos de adolescentes e 4 adultos. No mesmo período neste ano, são 14 casos de adolescentes e 6 adultos.

Uma coisa que acontece muito, de acordo com a gestora, é que recebem pais que dizem que sabem que o filho usa maconha, por exemplo, há dez anos, mas que somente agora estão sumindo coisas, que usa crack e comete atos infracionais. “Você percebe que pela idade desses jovens, não seria normal uma criança de dez anos utilizar maconha.”

A gestora ressalta que a não reincidência é 3% , pois a maioria volta às drogas depois de algum tempo. “Por isso a importância do acompanhamento familiar e a participação da família em grupos de ajuda.”

Porsani diz que recebem vários depoimentos de jovens que conseguiram se recuperar, como um que trabalha numa clínica como monitor e outro que vai prestar vestibular para medicina. “Isso acendeu um gás na gente. É um grande incentivo para os outros.”

O PADS fica localizado na Rua Circular Mario H. Arita, 498, Jardim Primavera, Fonte. Os casos são atendidos por demanda espontânea e principalmente por agendamento pelos telefones 3301-2953 ou 3301-8000.

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