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Coleta seletiva tem primeira queda em sete anos

Neste mês a redução chegou a 50 toneladas no volume de recolhimento

Vendo de longe, a montanha de lixo assusta. Parece muito, mas não é. Muito do volume é descartado pelos 180 catadores de recicláveis de Araraquara, que integram a cooperativa da Acácia. São toneladas de materiais que não podem ser vendidos e não se encaixam nos papéis, plásticos, latas e outros itens que, somados, viram estatística e, logo, dinheiro. Uma combinação que passa por incertezas com a primeira queda de venda nos últimos sete anos. Neste mês, a redução chegou a 50 toneladas no volume de recolhimento. Por isso, a vereadora Edna Martins (PV) está articulando alguns projetos para aperfeiçoar o serviço na cidade.
A projeção 11% menor do que aquela do mesmo período do ano passado leva em conta a quantidade recolhida na primeira quinzena em julho. Foi o ápice de um ano fraco. Neste primeiro semestre, o crescimento foi de apenas 3%, em relação a 2014. Um quadro ruim quando comparado com a média histórica, segundo o gestor de projetos da Acácia, David Teixeira Pinto. Em 2008, quando o controle passou a ser mais efetivo, a cidade recolhia quase 1.900 toneladas. No ano seguinte, o aumento foi de 57% ou quase 2.942 toneladas.
A curva passou a ser ascendente. De 2009 para 2010 subiu 25%. De 2010 para 2011, 16%. No ano seguinte passou para 6% e, de 2012 para 2013, 19%. De 2013 para 2014, o volume vendido foi 14% maior: um salto de 4,5 mil toneladas para quase 5,4 mil. O que equivale a quase 780 toneladas ou a carga de 60 caminhões basculantes. Dados que preocupam porque o município é o mesmo, mas o volume recolhido mudou e já assusta os cooperados.
“A Acácia tem metas de contrato com o Daae (Departamento Autônomo de Água e Esgoto) em relação a quantidade de material recolhido. E, desde 2008, nós vínhamos batendo essas metas, mas, neste mês de julho, talvez, por um reflexo da crise econômica no País, houve menos consumo da população e consequentemente um menor descarte de material reciclável”, diz o gestor de projetos da Associação. “É um problema muito sério porque ela (redução de vendas) reflete no salário dos cooperados.”
E a conta não está fechando positivamente. Como o volume recolhido está menor, a comercialização será reduzida na mesma proporção da remuneração dos catadores. E a concorrência com pessoas não associadas pode estar piorando tudo. “Está atrapalhando. Pedimos que a população guarde para nós porque muitos retiram o que tem de valor e deixam tudo bagunçado”, relata a 1ª secretária da Acácia e também catadora, Kely Regina Lopes.
Deivide Aparecido Ramos Pires é prensista há dois anos. Com volume menor de material a sua frente, já sente diferença no trabalho e teme mais reflexo no bolso. “Há alguns meses vem abaixando a quantidade retirada das ruas. É difícil porque diminui a nossa renda e você fica decepcionado quando recebe.” Por problemas como esses e nunca vistos em sete anos de coleta, a vereadora Edna Martins, que é vice-presidente da Câmara, reuniu-se com os representantes da Associação para buscar alternativas. /
“Podemos ajudar e fazer com que os órgãos públicos municipais destinem o seu lixo reciclável para a Acácia, além de colocar em prática algo que já é lei: a coleta seletiva nas escolas. Isso daria para eles uma tranquilidade em termos da arrecadação deste material”, destaca a parlamentar. Na tentativa de enfrentar a crise, a Acácia viabiliza projetos com os Governos do Estado e Federal e articula, ainda, uma espécie de cooperativa regional. Agora, Edna Martins tentará uma parceria com os grandes geradores como as indústrias, por meio dos seus representantes, criando uma espécie de premiação para quem se envolver. A medida será acertada com a Prefeitura e a própria Câmara.
Medo
Durante o encontro, as mulheres, que representam 85% dos cooperados da Acácia, reclamaram de um problema de segurança e infraestrutura no acesso à usina de reciclagem. A falta de asfalto e iluminação torna o caminho perigoso. Uma catadora relatou seguir armada para o trabalho, após ter sido perseguida. A faca passou a ser a única maneira de tentar se proteger de homens geralmente alterados pelo uso de drogas. “Vamos levar esse caso ao Prefeito porque é uma situação de urgência”, enfatiza Edna.

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