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Cerca de 750 funcionários param Usina Maringá por falta de pagamento

Segundo sindicato rural, dívida da empresa chega a R$ 5 bilhões, entre impostos e dívidas trabalhistas

José Augusto Chrispim

Cerca de 750 funcionários, sendo 550 da indústria e cerca de 200 empregados rurais, cruzaram os braços e há dois dias pararam a produção e distribuição da safra 2013/2014 da Usina Maringá, localizada às margens da rodovia Antônio Machado Sant’Anna (SP-255), em Araraquara. Os funcionários reivindicam salários atrasados e cheques sem fundos que foram emitidos pela empresa.

Segundo o diretor do Sindicato dos Empregados Rurais de Araraquara, Edilson Alves da Costa (Popó), a empresa tem uma dívida acumulada entre impostos, dívidas trabalhistas e com fornecedores, de aproximadamente R$ 5 bilhões.Falando ao O Imparcial, Popó relatou que a maioria dos funcionários tem problemas com a falta de pagamento de férias, ticket alimentação, seguro de vida e plano de saúde.

Mas o problema mais grave seria a emissão de cheques sem fundos dados como pagamento pela usina aos funcionários, problema este recorrente desde 1.998, segundo o sindicalista.Os funcionários precisam receber antes de seguirem viagem para seus estados de origem, onde querem encontrar suas famílias que não veem desde o início da safra. “Eles contrataram ônibus particulares para fazerem a viagem para as regiões norte e nordeste e os contratos preveem horários e dias pré-estabelecidos, mas sem receber como eles vão para casa?”, indagou o sindicalista.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Araraquara, Josenildo Araújo, existem funcionários com 20 anos de casa que não tem sequer R$ 1,00 depositado na conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que é previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “O fundo de garantia dos funcionários não é depositado desde julho de 2012. A gente tenta conversar com a empresa, mas eles só prometem pagar e não cumprem”, relatou Araújo com exclusividade à reportagem de O Imparcial.Segundo os sindicalistas, no último mês de novembro foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre uma comissão formada por funcionários da usina, sindicalistas e os representantes da empresa, no Ministério do Trabalho de Araraquara. No TAC foi firmado um acordo entre as partes onde seria aberta uma conta bancária para ser depositado todo dinheiro arrecadado com a venda do álcool produzido pela Usina Maringá daquele dia em diante.

O dinheiro seria usado para honrar a folha de pagamento dos funcionários, que é da ordem de R$ 1,4 milhão.Segundo os sindicalistas, até agora já foram vendidos aproximadamente 2,8 milhões de litros de álcool, que renderia aos cofres da usina aproximadamente R$ 3,6 milhões. Mas a empresa diz que não tem como fazer os pagamentos. “A gente quer saber onde foi parar esse dinheiro que faz parte do acordo firmado no TAC e simplesmente sumiu”, falou Araújo.Por volta de 16 horas, a Polícia Militar foi acionada por funcionários da usina e enviou seis viaturas entre a equipe do Canil, motos da Rocam e a viatura do comandante Tenente PM Júlio.Os sindicalistas e funcionários conversaram com o tenente PM Júlio e relataram as reivindicações ao comandante, que disse que a manifestação era legítima, mas que os funcionários não podiam impedir a entrada de funcionários e caminhões na usina, senão os policiais teriam que intervir e resguardar o direito de ir e vir das pessoas.

O representante da usina, Narciso Zanin, esteve no local e conversou com os funcionários e sindicalistas que fizeram reivindicações e pediram para ele pagar os salários atrasados. O representante da usina reconheceu a dificuldade em fazer os pagamentos e prometeu resolver o problema em breve. “Estamos negociando o pagamento do pessoal”, disse Narciso.Os funcionários prometeram continuar parados enquanto não receberem e se for necessário, farão passeatas no Centro da cidade para chamar atenção das autoridades para o problema.

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