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Cem Anos de Prontidão

Faz cem anos que a águia do obelisco da praça da matriz foi instalada ali e ao longo desse século foi a silenciosa testemunha do nosso jeito de ser

Águia do obelisco da praça da MatrizBeto Caloni
Texto e fotos

Faz cem anos que a águia do obelisco da praça da matriz foi instalada ali e ao longo desse século foi a silenciosa testemunha do nosso jeito de ser. Um dos principais símbolos da cidade, inaugurou um novo tempo da cidade, virando uma página dramática na história local. Olhando para a esquerda, a águia aponta o local do linchamento dos Britos e aponta a direção sul, para a capital do estado.

A águia sempre fez sentido pelo seu simbolismo solar:“aquela que pode olhar de frente o próprio sol”

No início a águia tinha um lampadário da cabeça, que foi retirado não se sabe quando, nem porque não foi recolocado no lugar. Compõem com outros elementos uma simbologia pouco notada, assim como o obelisco – o primeiro monumento da cidade (16/3/1917), o calçamento, feito em petit-pavet foi idealizado por pelo arquiteto Alexandre Ribeiro Marcondes Machado e realizado por pedreiros artífices portugueses (no início dos anos 20) ou os faunos nos vasos instalados no final da década de 1950.

Onde Nasceu a Cidade
O povoado de São Bento de Araraquara nasceu onde hoje está a praça da Matriz, numa área cedida pelo padre Duarte Novaes e delimitada por Bento Paes Barros – o 1º Barão de Itu, quem também doou a primeira imagem santa (São Bento) para o rústico altar. O povoado foi surgindo, aos poucos, em torno deste pátio.

Deste a fundação de Araraquara cinco igrejas já foram construídas ali, a quarta delas iniciada em 1887 e concluída quatro anos depois. Em 1905 o local não tinha ainda sido concluído por causa da epidemia de febre amarela que grassou a região e também devido à crise econômica que o país atravessava. Quem se encarregou desse acabamento foi o lendário padre italiano Antônio Cezarino. Foi esse padre quem promoveu o acabamento das obras, ornamentando a parte interna da igreja tendo, inclusive, aumentada a altura da torre original. Sua ostentação refletia a vaidade dos coronéis do café que pagaram a sua construção, o artista que lapidou o altar e pintou a tela com a imagem do São Bento, o sino, o órgão em que o maestro ítalo-araraquarense José Tescari sonorizou os eventos religiosos por mais de cinco décadas. Uma vez concluída foi considerada a primeira igreja em beleza no oeste paulista, conforme noticiou o jornal O Estado de São Paulo de 8/09/1907. O próprio bispo de São Carlos, D. Marcondes de Mello, elogiou a arquitetura e acabamento da igreja na época.

O padre Cezarino queria um coreto na praça, mas não foi atendido. As autoridades locais preferiram o chafariz, modificando de forma mais radical o cenário do linchamento dos Brito (tio e sobrinho) ocorrido em 7 de fevereiro de 1897. Foi então demolida a cadeia que existia no interior da praça, retirado os eucaliptos e calçada, e construído enfim um novo cenário mais sofisticado, condizente com as aspirações da aristocracia cafeeira. Em seguida a Câmara abriu licitação para o ajardinamento, pois os vereadores queriam que sua inauguração ocorresse junto com a da luz elétrica, em agosto de 1909. Mais atrasos e as obras só começaram em 1912, na administração do prefeito Dario de Carvalho. Nesta época toda a cidade sofria uma revolução urbana com o calçamento das ruas, luz elétrica, arborização, construção de prédios públicos etc…

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