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Cana: um setor que vem sendo castigado pelo governo

Fornecedores de cana temem que a safra não seja comprada pelas usinas, e o presidente da associação explica sua atuação nesse sentido

Suze Timpani
A Associação dos Fornecedores de Cana de Araraquara (Canasol), que já conta com 63 anos de existência, entrou em 2015 com sua diretoria reformulada, com novas perspectivas e visão arrojada no incentivo aos produtores associados.
No comando está o presidente Luís Henrique Scabello de Oliveira que assumiu o cargo em 17 de março deste ano e no segundo dia de sua gestão já estava a caminho de Brasília para um evento promovido pela Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, junto a parlamentares do Congresso Nacional. Todos os anos esse encontro é promovido para que haja uma interação entre a classe dos plantadores de cana e o Parlamento, para que os anseios dos produtores sejam apresentados.
Segundo Luís Henrique, ele não foi apenas participar, mas sim, manifestar a preocupação da categoria, principalmente em relação à região de Araraquara.
Para o presidente, o setor vem sendo “castigado” por conta da política adotada pela presidente Dilma Roussef em relação a gasolina, onde ela procura controlar a inflação através da não correção dos preços públicos administrados. O álcool como também é um combustível, o custo de sua produção continuou subindo, mas não poderia aumentar pois sua balizadora de preço é a gasolina que não subia, onde o setor teve uma compressão de margem de receita muito grande e atualmente está com um prejuízo muito alto na atividade agrícola da cana-de-açúcar.
Hoje a preocupação dos produtores é que sua safra fique nos campos, pois há uma dificuldade em comercializar uma parte da produção, pois algumas usinas já não estão comprando. Existem fornecedores que ainda não venderam sua cana.
O presidente explica que a Associação vem atuando fortemente nessa questão, procurando todas as usinas da região para um diálogo e provavelmente não terão associados que ficarão com sua produção sem ser colhida, a cana vai ser absorvida por todas as unidades.
Havia anteriormente uma expectativa que haveria sobra de cana neste ano, mas isso vem se desvanecendo por conta da seca dos últimos 30 dias.
Houve um início de safra muito chuvoso que apontava um crescimento muito forte, porém com o transcorrer da safra tem mostrado o contrário e provavelmente teremos uma perda de produção. E, além disso, hoje há um problema de qualidade, o teor de açúcar está menor, portanto para cada tonelada de cana processada este ano teremos menos açúcar e menos álcool, que é chamado de Açúcar Total Recuperada (ATR).
O anseio maior da associação é que os produtores possam viabilizar a produção de cana nesse momento de crise. Existem algumas agendas a serem cumpridas, inclusive sobre a produtividade onde eles pretendem investir fortemente, existe também a questão da mecanização, do pequeno e do médio produtor que exige uma atenção especial, pois colher em áreas menores pode ficar inviável, uma questão complexa, mas que Luís Henrique pretende encarar.
O presidente diz que a entidade agora quer ser mais democrática e participativa, com as portas abertas para todos os fornecedores e também para a sociedade, pois ele acredita que é necessário que a sociedade conheça o trabalho que vem sendo feito.
Embora a associação tenha em seu quadro o Plano de Saúde UNIMED com quatro mil associados, abriu novamente mais duas mil vagas e convida os produtores a fazer parte dessa nova etapa.
A cana ainda é a cultura principal da região e é necessário uma entidade forte, responsável e com visão de futuro para que nossos campos possam permanecer doce como o açúcar.

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