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Beneficência Portuguesa fecha as portas

O hospital está com uma dívida de mais de R$ 45 milhões e teve que interromper suas atividades

José A C Silva
Ontem, após o último paciente receber alta, o hospital Beneficência Portuguesa, sem nenhum aviso prévio fechou as portas. Na parte da tarde, a assessoria emitiu um comunicado:
“A Santa Casa de Misericórdia Nossa Senhora de Fátima e a Beneficência Portuguesa de Araraquara comunicam que nesta sexta-feira, 15 de janeiro de 2016, estão suspensas as atividades médicas desenvolvidas pela instituição por motivos de força maior.
A diretora presidente Valéria Lopes de Oliveira reforça que as atividades administrativas de rotinas internas continuarão sendo desenvolvidas normalmente. Esta suspensão é temporária e tão logo as atividades médicas, reduzidas gradativamente desde a venda do Plano de Saúde BENEMED, retornem ao seu fluxo normal, o hospital voltará ao seu atendimento imediatamente”.
Conversamos com pessoas ligadas a Beneficência, que informaram que não foram levados em conta os artigos 81 e 82, que reza a instituição para ser vendido, administrado por outro grupo ou fechado.
De acordo com a lei, o nosocômio é enquadrado como filantrópico, não pode ser vendido. No caso de fechamento todos os bens devem ser doados a outra entidade com as mesmas características. Ainda não foi realizada uma assembleia, com publicação de convocação em jornal, qualquer decisão deve passar pelo crivo dos associados (salvador dos seus credores) mediante a verificação do ativo e passivo e com um consenso de 90% dos associados.
Apesar do hospital ter perdido o SUS, ainda é beneficiado como filantrópico, em janeiro de 2007, o Conselho de Saúde Municipal, decidiu tirar o SUS da Beneficência, com o aval da Prefeitura. Não foi o hospital, como muitos pensam, que tomou a decisão de forma isolada. Hoje a dívida da beneficência é de R$ 45 milhões, anteriormente tinha uma receita de R$ 2 milhões com serviços prestados ao Grupo São Francisco. Por causa do sucateamento, com falta de leitos na UTI, aparelhos, quimioterapia, cozinha, falta de médicos, mobília e laboratório, o São Francisco foi obrigado a fazer procedimentos em outros hospitais e construir várias clínicas de atendimento em Araraquara. O hospital ainda não sabe como vai pagar dívidas dos funcionários, envolvendo SINDSAÚDE e Ministério Público.

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