Select Page

Beneficência demite 280 funcionários



Sinsaúde pressionou hospital por pagamentos atrasados. Não encontrando meios de saldar a dívida, optou pelas demissões

José A C Silva
O hospital Beneficência Portuguesa de Araraquara tem atualmente R$ 40 milhões de dívidas. Desse valor R$ 10 milhões são em ações trabalhistas, colocando em risco o patrimônio do hospital. Em audiência realizada na segunda-feira (25), a diretoria do nosocômio decidiu demitir todos os seus 280 funcionários de forma imediata.
A decisão foi tomada após o Sinsaúde apresentar denúncia contra o hospital, propondo ações para bloquear seus bens, pois os funcionários ainda não receberam os salários de novembro e dezembro, 13º salário, seis meses de tíquete-refeição, além de estarem dois anos sem depósito do FGTS. A atual diretoria busca parceiros para continuar as atividades do hospital, mas por enquanto não tem nada concreto. A Prefeitura disse que não tem como intervir, por ser um hospital particular. Por outro lado a Beneficência Portuguesa desde que foi fundada continua como filantrópica, dificultando qualquer tipo de transação.
Ficou estabelecido também que o hospital deverá enviar as documentações necessárias para o Sinsaúde até sexta-feira (29) para continuar o processo das demissões. Cerca de 130 funcionários do hospital estavam do lado de fora aguardando o desfecho da audiência e aprovaram a decisão.
“Estamos satisfeitos com a decisão tomada na audiência. Os funcionários não recebem um centavo do hospital há meses e estão enfrentando grandes dificuldades para o sustento de seus familiares. Esta decisão irá possibilitar que os trabalhadores recebam o seguro-desemprego e retire o FGTS, que irão amenizar os problemas destes trabalhadores”, destaca a presidente do Sinsaúde, Leide Mengatti.
A presidente da Subsede do Sinsaúde em Araraquara, Claudete Defavere, reforçou que as ações de solidariedade que o Sinsaúde está promovendo a favor dos funcionários, em parceria com o ISI- Educação e Cultura, entidade mantida pelo Sindicato, irão dar condições de recolocá-los no mercado de trabalho.
“O objetivo do Sinsaúde é voltar a empregá-los em outra unidade de saúde por meio de treinamentos, aperfeiçoamento e cursos profissionalizantes. Desta forma, iremos recuperar a dignidade e a força de trabalho destes profissionais”, pontua Claudete.
Estavam presentes na audiência a presidente do Sinsaúde, Leide Mengatti; a presidente da Subsede de Araraquara, Claudete Defavere; e os diretores Rodrigo Donisete, Rui Aparecido da Silva e Eliana Maria Sabino e o advogado da Subsede de Araraquara, José Aparecido de Almeida.
Filantrópico
De acordo com a lei, o nosocômio é enquadrado como filantrópico e, por isso, não pode ser vendido. No caso de fechamento todos os bens devem ser doados a outra entidade com as mesmas características. Ainda não foi realizada uma assembleia, com publicação de convocação em jornal, qualquer decisão deve passar pelo crivo dos associados (salvador dos seus credores) mediante a verificação do ativo e passivo e com um consenso de 90% dos associados.

Últimos Vídeos

Loading...

Charge do Dia

Publicidade

Arquivos