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José A C Silva
Parece que o sonho de todas as pessoas ainda está para se realizar: à procura do político perfeito. Uma pesquisa feita pela Data Press, ouviu 601 pessoas que analisaram o atual momento do Governo Municipal. A pesquisa apontou 1,83% como ótimo – 20,47% bom e 35,11% regular. Este percentual diminuiu – não muito – o número de votos obtidos na última eleição ganha por Marcelo Barbieri. A maior parte de voto contrário corresponde aos que não votaram em Barbieri – péssimo 24,29% – ruim 15,64% e 2,66% não optaram.Os governantes procuram dar o seu melhor e são grandes as ambições, como: vindas de indústrias, melhorias na saúde, ensino e transporte coletivo, mas infelizmente os projetos muitas vezes são frustados. Num verdadeiro jogo de poker apostam suas fichas, “essa é a chance perfeita de se livrar das mazelas”, o que não acaba acontecendo.Muitos nunca reconhecem o trabalho dos governantes e criticam o desempenho da gestão. Segundo o dito popular, promessa é dívida, “logo, nós temos não só a obrigação, mas o direito de cobrar os nossos governantes”.Infelizmente os parlamentares acabam sendo reféns de seus impulsos, mediante promessas não realizadas. Vários fatores contende contra o governo, o principal é a falta de dinheiro, precisando ser malabarista para adequar as despesas do município. Outro agravante é o grande número de veículos, o asfalto cada vez dura menos e isto, sem falar do efeito das fortes chuvas sobre o pavimento.Politicamente o caso Napeloso trouxe prejuízo para a administração e parlamentares em geral. Nestes últimos meses três vereadores saíram da base do governo na Câmara: Buchechinha, Sabonete e João Farias o que também colaborou com o enfraquecimento do governo na pesquisa.Dificuldades existem, é verdade, mas com trabalho, dedicação e boa vontade o prefeito tem potencial para sair desta crise, o que, afinal, será bom para a cidade. Aliás, qual o governo, em segundo mandato, que não está mal das pernas neste período?

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Depois de uma feliz iniciativa da Diretoria da 5ª Subseção da OAB de Araraquara, gestão 2010-2012, (Drs. João Luiz Ultramari, Jorge Luís Bedran, José Manuel Perosso Coutinho e Castro, Dra. Maria Floriza Pereira de Cordis Figueiredo e Dr. Sandro da Cunha Velloso de Castro) homenageando no ano que passou os 15 advogados mais antigos inscritos em nossa cidade, neste ano, no dia 11 de agosto, data em que se comemora o Dia do Advogado, a história se repete. E até já virou tradição. Desta vez serão 25 os homenageados, na sequência dos números de suas inscrições na OAB. Infelizmente, um deles, o Dr. Ary Vargas da Silva, simpático amigo, que, sempre brincando, arranhava o árabe, faleceu no dia 8 deste mês.

Não poderia deixar de nominar os colegas e também amigos de longa data. A começar pelo Dr. Fernando Cláudio Gonçalves Bazzoli, meu ilustre professor do curso de oratória; o Dr. José Carlos Terezan, com quem sempre tive o prazer de conversar e não somente sobre assuntos jurídicos; o Dr. Paulo de Rizzo que, entre tantas outras qualidades, além de ser grande causídico na área trabalhista, ensinou-me a fazer uma deliciosa salada de cebola (perdão pela inconfidência!).

O Dr. Valentim da Cunha, humilde, sempre afável; o Dr. Marcos Murad, que foi presidente da 5ª Subseção, um intelectual, profundo conhecedor de literatura e filosofia; o Dr. Wamberto Marcos Foschini, de vida social intensa e meu vizinho no bairro do Carmo; o Dr. Mário Joel Malara, de quem já tive oportunidade de fazer referência em artigo, um brilhante colega criminalista, aquele que, quando trabalhava na loja de seu pai, na Av. São Paulo, no Bairro da Estação, nos intervalos estudava com afinco o Direito.

O Dr. Sérgio Ney Koury Mussolino, meu simpático colega na Faculdade de Direito de Bauru, filho de sensível poeta; o Dr. Ferry de Azeredo Filho, juiz de Direito aposentado, professor e advogado militante; o Dr. Carlos Américo Sampaio César, também meu ilustre colega de faculdade e também de profissão, como procurador do Estado de São Paulo, um tenista de mão cheia.

O Dr. Eduardo Octaviano Diniz Junqueira, bravo defensor do Direito, de família tradicional do ramo jurídico e filho do saudoso Dr. Ronaldo Octaviano Diniz Junqueira, o leão do Fórum; o Dr. Alfredo Aparecido Esteves Torres, que foi presidente da 5ª Subseção, um gentleman; o Dr. José Maria Silvado Costa, com quem sempre tive o prazer de bater um papo, grande piadista; o Dr. Ercílio Pinotti, que também foi presidente da 5ª Subseção, e com quem participei, na ocasião, de estudos sobre a reforma da Constituição de 88. O Dr. Marcelo Arruda Stella, de antigos laços familiares, colega desde o então Grupo Escolar “Antônio Lourenço Corrêa”, do IEBA e da Faculdade de Direito de Bauru; o Dr. Lélis Priori Celibroni, de Jaú, ex-colega do Banco do Brasil, assim como o Dr. João Carlos Dupas Hubinger; o Dr. Sérgio José Capaldi, colega procurador do DER e criminalista.

O Dr. Dasser Lettieri, simpático e “briguento” — no bom sentido — , na intransigente defesa de seus clientes; o Dr. Rafael Luiz Monteiro Filardi, colega de lutas pela OAB e o Dr. Marcus Benedito de Lacerda, ex-colega, delegado de Polícia de nossa região. Serão homenageados também os Drs. Cleso Mendonça Jordão, ex-funcionário da Secretaria da Fazenda e José Gomes da Silva, oriundo da capital.

Por último, porém menos importante, este cronista. Pelo que, desde já, agradeço.

Está de parabéns a Diretoria da OAB pela valorização dos antigos advogados militantes da 5ª Subseção de Araraquara.

Luiz Carlos Bedran
Colaborador

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A propósito de mais um aniversário da fundação dos cursos jurídicos no País, em agosto, é oportuno analisar, ainda que superficialmente, sobre o entendimento do subprocurador geral da República que contesta a constitucionalidade do exame da OAB, por ela exigido para o exercício da advocacia.

Alguns juízes já prolataram sentença contra essa exigência, mas ainda as decisões não foram confirmadas em instância superior. E agora é o próprio representante do Ministério Público Federal, “ex officio”, que entende que o bacharel em Direito pode legitimamente advogar, porque o artigo 5º da Constituição Federal diz que “é livre o exercício de qualquer profissão”.

A OAB é contra, basicamente por dois motivos: primeiro, porque o referido artigo é condicional, isto é, o trabalho é livre, mas exige a qualificação que a lei estabelece previamente [e a lei é a federal (8906/94), que impõe a aprovação do bacharel em exame de ordem para poder exercer a advocacia]; segundo, porque o exame é feito para proteger o cidadão contra o mau advogado.

Décadas atrás, a única exigência para se poder advogar era o estudante ter feito um estágio num escritório de advocacia, de dois anos. Com sua carteira de estagiário, provisória, atestada pelo escritório e pelo presidente da Subseção, estava apto a exercer a advocacia e a receber a carteira definitiva.

E eram raras as faculdades de Direito: a das Arcadas, da USP, pública, a Mackenzie e a PUC, particulares, todas da capital e apenas duas (particulares) no interior: a PUC de Campinas e a da Instituição Toledo de Ensino, em Bauru.

Com a proliferação das faculdades em todo o País, na capital e em quase todas as cidades médias do Estado, não somente o nível de ensino decaiu, mas, sobretudo, a competição profissional tornou-se mais renhida, a ponto então de exigir-se uma pré- condição para exercer a advocacia: a aprovação no exame de ordem, cada vez mais rigoroso.

Neste último, então, 88% foram reprovados dos 106 mil inscritos em todo o País. Inadmissível um formado, após cinco anos de estudos, ficar impedido de exercer a profissão que escolheu, a de poder advogar. Como conseguiu o diploma pela faculdade onde se formou? Será que a deficiência é a do bacharel ou da própria faculdade? Além disso, todo exame implica numa competição que nem toda pessoa possui condições psicológicas para enfrentá-lo; é um concurso em que se é obrigado a concorrer.

Pois o próprio presidente da OAB federal reconhece: “a qualificação profissional está cada vez pior” e “a maior parte dos alunos é vítima de estelionato educacional”. E o direito constitucional ao livre exercício de qualquer profissão onde vai parar? Na verdade, parece que a exigência da lei federal não deixa de ser uma reserva de mercado de uma entidade corporativista.

Por outro lado, a argumentação de que o cidadão restaria prejudicado pelo mau advogado não pode vingar, mesmo porque há péssimos advogados, embora tenham sido aprovados no exame de ordem. A triagem é a própria reputação, o da excelência do profissional. Mania que se querer sempre ser paternalista em relação ao cidadão.

Entendemos que, apesar de tudo, ser aprovado em exame de ordem nada mais seria senão um título importante que o cidadão gostaria de ter conhecimento quando necessitasse de um advogado: seria, por assim dizer, um advogado de primeira categoria. O não-aprovado, de segunda, mas, mesmo assim, com todo o direito de exercer a profissão: um “para-advogado”, como nos EUA. Não se pode punir o bacharel pela incompetência da faculdade ou pela falta de condições psicológicas para enfrentar um verdadeiro concurso.

De qualquer forma, a exigência de exame da OAB ainda dependerá de manifestação do STF, mas é evidente que os ministros pouco estarão preocupados com o pobre do bacharel, formado a duras penas por uma faculdade de terceira categoria e que procura, legitimamente, conseguir sua ascensão social e econômica.

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Se porventura algum professor universitário, mormente da área das humanas, der de olhos neste artiguinho, vai achar que este cara está completamente ultrapassado no tempo, senão no espaço (no que talvez tenha plena razão).

É que ele vem falar de idealismo, conceito esse que vem do século 17, introduzido pelo filósofo Leibniz, e que, com o tempo, foi tomando outros significados. Mas o sentido que mais nos interessa é aquele mais comum, de fácil entendimento e que está até no dicionário: é a “atitude que consiste em subordinar o pensamento e a conduta a um ideal”.

Até aí, tudo bem, Inês é morta. Mas o que é um ideal? Também, entre outros significados, há um bem simples: aquilo que “é objeto da nossa mais alta aspiração, alvo supremo de ambições e afetos”. Modernamente, mas nem tanto mais, só se fala em ideologia, um conceito extremamente polêmico, mas que pode ser definido simplesmente como “um conjunto de ideias ou valores respeitantes à ordem pública, cuja função é orientar os comportamentos políticos coletivos”.

Pois o que se vê no mundo moderno é que não existem mais idealistas, principalmente os idealistas políticos. Sumiram completamente. Onde eles foram parar? Será que foram seduzidos pelas ideologias, das mais várias espécies, e deixaram de lado os mais belos ideais, os de modificar o mundo em que vivemos?

No passado eram encontrados. Brigavam e até morriam aspirando um mundo melhor, uma humanidade em que as pessoas procuravam ser mais felizes no viver em sociedade. Por isso eram idealistas da “pólis”, da cidade, esse pequeno núcleo, depois estendido para a nação, para o próprio mundo.

Pois a política, a arte do poder, não deveria servir para levar vantagens pessoais e sim para que as pessoas pudessem governar e ser governadas numa harmonia constante. Para o bem comum. E é isso o que não se vê.

É verdade que nem sempre os ideais são realizáveis. Como disse Hegel, “esses ideais, que na viagem da vida naufragam e perecem nos escolhos da dura realidade”. Pois “nada é mais frequente e costumeiro do que a lamentação da irrealizabilidade dos ideais”.

No entanto, se não houver ideais, não pode haver esperança. A História prova que a nossa civilização nasceu dos ideais vividos e realizados e isso independentemente dos inúmeros obstáculos que se interpuseram entre eles.

E nessa Era da Comunicação de nossa sociedade contemporânea, triunfam os mesquinhos interesses pessoais daqueles que se arvoram em liderar os outros. E o pior é que esses outros também, a grande maioria, bovinamente, sequer se dispõem a reagir contra esse estado de coisas. Tendo o que comer, onde gastar, se divertir, é o que basta.

Onde estão os políticos idealistas?

Luiz Carlos Bedran
Colaborador

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Dentre os vários indicadores financeiros usados para analisar demonstrações contábeis públicas, considero importante o que demonstra o percentual das despesas incorridas e não pagas no exercício, transformadas em dívida, denominadas tecnicamente Restos a Pagar, vencíveis no exercício seguinte, ou Dívida Fundada, quando vencível a longo prazo, após 12 meses, compondo o Passivo Financeiro.

Às vezes, por falta de controladoria ou incapacidade técnica do profissional, perde-se o controle e despesas do ano anterior são pagas no exercício seguinte. Auditando órgãos públicos, já vi despesas incorridas e não empenhadas, objetivando demonstrar dívidas menores nos finais dos exercícios.

No final do mandato, conforme determina o artigo 42 da Lei Complementar 101/2000 conhecida por Lei de Responsabilidade Fiscal, o prefeito só poderá deixar dívida a pagar para o sucessor, desde que deixe dinheiro em caixa para pagá-las. Infelizmente a referida lei está tão desmoralizada, que diversos prefeitos não têm obedecido e, se punidos, protelam contratando um bom advogado para defendê-los.

Informado por uma vereadora de que o governo Barbieri estaria tendo problemas de inadimplência financeira, além dos superfaturamentos e até desvio de recursos via terceirizações, resolvi pesquisar as prestações de contas quadrimestrais no Portal de Transparência, publicadas até março de 2011, portanto desatualizado. Somente o DAAE cumpre a lei de Transparência Fiscal, publicando os relatórios obrigatórios.

Demonstro, abaixo, a evolução das despesas incorridas, pagas ou não, comparadas com as evoluções dos saldos de Restos a Pagar nas gestões do ex-prefeito Edinho e nos últimos dois anos da gestão Barbieri. As fontes foram os Balanços Patrimoniais e Financeiros consolidados (incluindo autarquias e fundações). Os valores estão em milhões de reais.

Vejam que em ano de 2001 o total de Restos a Pagar correspondia a 9,58% das despesas realizadas. No ano 2010 este percentual aumentou para 20,87%. Confrontando as despesas realizadas no ano de 2010 com as do de 2001, nota-se que o crescimento foi de 198,56%. Em 2001 o total de Restos a Pagar era R$ 12,19 milhões, aumentando para R$ 79,31 milhões em 2010. Crescimento de 550,62%, situação que entendo muito grave em termos de gerenciamento financeiro.

De posse do Balancete Financeiro encerrado em 30 de junho, englobando Prefeitura e Câmara, me deparei com os valores abaixo:

As informações acima ajudam os leitores tecnicamente mais preparados aprofundar a análise. Para os demais gostaria que soubessem que, admitindo-se o encerramento de atividades da Prefeitura e Câmara, hipótese absurda, o Prefeito teria disponível R$ 24.686.232,47 para pagar R$ 54.852.984,13. Assim, ficaria com um Passivo Financeiro a descoberto no valor de R$ 30.166.927,52.

Neste segundo semestre com diminuições das arrecadações dos montantes de receitas próprias (historicamente o grosso do IPTU e IPVA são arrecadados no primeiro semestre), penso que o governo Barbieri vai encerrar o ano com dificuldades financeiras para pagar as despesas.

Walter Miranda
Contador e Economista, Pós-graduado em Ciências Contábeis pela PUC/SP, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil.
wm@sunrise.com.br

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Colaborador de jornal há muitos anos, este articulista às vezes encontra um amigo que pede para escrever sobre alguma reivindicação qualquer que gostaria de torná-la pública, para conhecimento e eventual execução por parte daquelas pessoas que têm por obrigação institucional, seja em função dos cargos públicos que exercem, concursados ou não, ou eleitos pelos votantes, Legislativo ou Executivo, vereador, prefeito, deputado e até governador.

Muitas das vezes têm razão em suas pretensões; raramente não as têm. Mas não só os amigos e conhecidos. Este mesmo articulista, ao longo dos anos, de vez em quando também serve-se desse importante canal de comunicação, que é o jornal, a imprensa escrita, para mostrar aos responsáveis pela coisa pública que eles poderiam tomar providências a respeito das reivindicações, ou se não, pelo menos dar satisfações públicas das razões pelas quais os pedidos, geralmente sem interesses pessoais, são impossíveis de ser atendidos.

No entanto, deve confessar que nunca, em todo esse tempo — e já se vão décadas — foi atendido e muito menos recebeu qualquer resposta, que, pelo menos no que se refere ao cidadão eleito pelo povo, teria essa obrigação democrática.

É o caso, por exemplo, de um artigo publicado há alguns meses, em que sugere ao poder público, Executivo ou Legislativo, estudos sobre a viabilidade de se liberar totalmente a chamada Área Azul para os idosos e deficientes físicos, além daquelas vagas já predeterminadas, estabelecendo um período de tempo que deveria ser fiscalizado pelas “azuletes”.

E agora o prezado amigo, Ladislau Zavarize, também pede que este articulista escreva sobre dois pedidos, que, por sinal, têm fundamento. O primeiro deles é o seguinte: por que os idosos não possuem desconto nas tarifas dos pedágios, uma vez que eles são protegidos pelo Estatuto do Idoso? Em toda a malha estadual ou federal e até mesmo a municipal?

Desde que o idoso prove que o é, guiando um veículo de sua propriedade — ou mesmo não —, por que ele é obrigado a pagar a tarifa idêntica àquele que não o é? Afinal, para que serve o Estatuto do Idoso, senão para protegê-lo? Por que essa prerrogativa apenas nas vias da cidade? Por que não nas rodovias estaduais, federais e municipais? O pagamento de tarifa idêntica a pessoas diferenciadas pela idade não equivale à justiça. Poder-se-ia até acrescentar: por que também não para os deficientes físicos?

A outra reivindicação, esta também perfeitamente pertinente, é a duplicação da rodovia “Antonio Machado de Santana” que liga Araraquara a Ribeirão Preto, a SP 255. Uma rodovia perigosa, extremamente movimentada, onde paga-se um pedágio absurdo, tanto na ida, quando na volta, mas que não há, para o usuário, a necessária tranquilidade para dirigir com segurança.

E justifica. Pois, de trevo a trevo, sua extensão é de 78 km e em apenas 40 km está duplicada. Uma temeridade, pois no trecho de pista simples, nessas duas cidades importantes, com milhares de habitantes, há um clube de campo em sua margem; duas usinas de moagem de cana, com um movimento intenso e perigoso de caminhões e dos chamados treminhões de cana, que, evidentemente, são obrigados a trafegarem em baixa velocidade.

Há até mesmo, próximo a ela, em Américo Brasiliense, um hospital de referência, o “Nestor Goulart Reis”, público, da USP, que, com o tempo, será muito procurado pelos pacientes em toda a região. O pior de tudo acrescenta, é que já tentou acionar, pacificamente, tanto a “ARTESP”, quanto a concessionária “Autovias” e nunca obteve qualquer resposta às suas reivindicações.

Este articulista, cético, duvida que algum político, tanto do Executivo, quanto do Legislativo, irá ler este artigo. Menos ainda os responsáveis pela “ARTESP e “Autovias”.

Em todo caso, fica aqui registrada a justa pretensão do prezado amigo Zavarize. Antes que aconteçam mais acidentes fatais.

Luiz Carlos Bedran
Colaborador

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Em se tratando de História, o livro de Vicente Henrique Baroffaldi, “Ferroviária em campo”, uma narrativaos sessnta anos da agrminação grená, deveria fazer parte de todas as bibliotecas escolares da cidade. Os alunos, com certeza, aprenderiam muito em relação ao patrimônio inestimável da “Morada so Sol”. Deixo aqui a sugestão.

A greve é o instrumento legal, usado em caso extremo, quando se trata de uma reivindicação. Ela pode acontecer por causa justa ou por outros motivos, inclusive políticos. A verdade, nua e crua, é que, de uma forma ou de outra, via-de regra, o movimento grevista gera resultados negativos. E o prejuízo é da coletividade, pagadora de impostos e outros compromissos, que se vê privada de serviços importantes, saúde e educação.

A greve produz conflitos, desentendimentos, agressões morais, colocando em posições antagônicas, favoráveis ou contra ela. Tudo seria diferente se os homens e mulheres se comportassem civilizadamente, respeitando-se mutuamente. Mas, infelizmente, não é isso que acontece.

A recente greve dos funcionários da Prefeitura Municipal de Araraquara, como não poderia deixar de ser, foi um desastre para a população: postos de saúde fechados e mães sem onde deixar os filhos pela desativação das creches. Um autêntico pesadelo para o usuário desses serviços.

Estabeleceu-se uma queda de braço entre o prefeito Marcelo Barbieri e os servidores, via sindicato. E a greve foi considerada ilegal, abusiva, pelo Tribunal Regional do Trabalho, TRT, de Campinas. E agora, José?

A greve provoca mal-estar e desalento à comunidade, atingindo aqueles que nela se envolvem. Trata-se, pois, de promoção extremamente nociva, embora seja um instrumento reivincatório: É preciso, todavia, que sejam analisadas as condições em que ela ocorre.

Eu trabalhava na então EEPSG “Francisco Pedro Monteiro da Silva”, na Vila Xavier, quando houve uma greve em âmbito estadual. A exemplo de alguns colegas, não participei do movimento, valendo-me, democraticamente, de um direito de opção. No anfiteatro da Escola Estadual “Bento de Abreu”, onde ocorriam às reuniões, eramos criticados e vaiados. Professores davam exemplo de imaturidade e intolerância. Um dirigente da APEOESP, que andava de escola em escola estimulando a adesão à greve, entrou em licença médica para não participar do período destinado à reposição de aulas. E os alunos tiveram o ano letivo prorrogado.

A greve, em todo e qualquer setor, gera complicações. Desenvolvida em qualquer setor, público ou privado, a greve é produtora de inúmeros malefícios à coletividade. Ela se constitui, em função das consequências, num flagrante terror.

J. Rufino
Colaborador

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Penso que o indiciamento do vereador Lucas Greco (PMDB) em crime eleitoral pelo fato de, quem sabe abençoado pelos irmãos da Igreja, ter em 2007 assinado documento prometendo, se eleito, empregar irmãos da mesma fé religiosa em cargos público, deve ser elogiado. O governo Barbieri, a exemplo do anterior, está sendo um dos maiores empregadores de apoiadores políticos sem concurso público, muitos tecnicamente incompetentes, comprometendo as despesas e, consequentemente, os reajustes dos servidores concursados, alguns ganhando altos salários, quando comparado com a maioria dos servidores que ralam. Ai nenhum vereador fala nada, mesmo porque a maioria tem rabo preso nesta farra com os recursos públicos.

Também penso que o “nobre” vereador não pode ser o “bode expiatório” de uma instituição política desacreditada e desgastada, por diversos motivos que a população julgará em 2012. No Torá, livro sagrado dos Judeus, é possível saber como surgiu em Jerusalém antiga, nas cerimônias religiosas, a figura do “bode expiatório”. Era um animal que no denominado “Dia da Expiração”, depois de ser usado para assumir os pecados de todos, era deixado no relento da natureza selvagem até a morte.

Greco, talvez politicamente ingênuo, fez o que a maioria absoluta dos seus pares fazem e se esforçam para não serem pegos “com a boca da botija”, como diz o dito popular. A diferença é que, por ser o primeiro mandato, usou o prestígio de uma entidade importante, no caso a Assembléia de Deus, para conseguir vantagens no reino de César para si e seus apoiadores. Os demais, na cara dura, usam a máquina pública para empregar apoiadores eleitorais, tudo dentro da lei que eles mesmos aprovam. Que bom seria se a Justiça Eleitoral tivesse legislação eleitoral justa para punir essas práticas. Infelizmente as leis eleitorais não são democráticas, e a Justiça raramente possui instrumentos legais e estrutura para punir os criminosos.

O episódio do mensalão, atualmente revivido por um Procurador Federal, é para mim um dos piores e maiores exemplos de crimes eleitorais praticados no Brasil por uma quadrilha que deveria estar na cadeia. Envolveu recursos em torno de R$ 75 milhões, recursos esses que poderiam ser destinados à saúde, educação e outros serviços públicos em crise. É triste ver pessoas com os quais convivi pessoalmente nas décadas de 80 e 90, estarem envolvidas em corrupções e crimes praticados para conquistarem e se manterem no poder. Penso que, com raríssimas exceções, os vereadores de Araraquara não têm isenção política para criticar Greco. O melhor é ficarem quietinhos e cumprirem suas obrigações votando, envergonhados, pela cassação do “nobre” colega, sob pena de criarem motivos para serem eleitoralmente desgastados em 2012. Para não serem considerados “farinhas do mesmo saco”, penso que é bom lutarem por mudanças urgentes nas regras eleitorais. Os princípios da vinculação partidária e do financiamento público de campanha são, a meu ver, regras que inibem o candidato de, pessoalmente, negociar apoios políticos em troca de empregos públicos, como fez o vereador Lucas Greco (PMDB) e fazem todos eles. “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra” (Jo 8:7)

Concluo reafirmando que o vereador Greco deve ser cassado, mas não merece ser usado como “bode expiatório” dos vereadores, a maioria politicamente cooptada pelo governo Barbieri, razão pela qual durante toda legislatura não usaram, como deveriam, uma das suas prerrogativas mais nobres, que é fiscalizar com dignidade os atos do Poder Executivo.

Walter Miranda
Militante da CSP-CONLUTAS-Central Sindical e Popular
wm@sunrise.com.br

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Neste mês de julho em que se comemora a Revolução Constitucionalista de 1932 — que teve início no dia 9 e terminou 85 dias depois —, o maior feriado paulista sempre é relembrado publicamente pela Polícia Militar, que, com sua antiga denominação, Força Pública, nela atuou decisivamente. Faz parte de sua tradição recordar os soldados que tombaram na batalha e os ainda alguns remanescentes.

O governador e seu staff costumam assistir ao desfile tradicional em São Paulo, geralmente transmitido pela TV Cultura; alguns pronunciamentos são feitos na Assembleia Legislativa; na imprensa um ou outro jornal noticia o evento em breves notas, certamente porque fatos ocorridos há décadas não são interessantes; nas escolas secundárias talvez ele seja relembrado; na universidade, a não ser por alguma tese acadêmica de algum candidato ao doutorado, ele não é visto; raros municípios comemoram a Revolução.

Interessante é que uma instituição particular, a Maçonaria, por sua constituição, determina que a luta pela reconstitucionalização do País seja essa data sempre comemorada por seus membros, talvez porque muito deles foram voluntários e também foram mortos.

É o caso de se pensar se ainda vale a pena o conflito ser comemorado, a não ser apenas como mais um feriado para o merecido descanso. No entanto, independentemente de ser considerado um fato histórico, ela ainda pode relembrada como exemplo da manutenção dos valores políticos mais caros de nosso país. E quais seriam esses valores?

A começar pela democracia, em contraposição à ditadura. Não se pode conceber mais vivermos sob um regime totalitário. Embora pareça ser coisa de um passado distante, é preciso não nos esquecer de sempre ficar atentos em manter a democracia a todo custo, pois sempre há os saudosistas de um governo forte, aparentemente sob o respaldo popular.

Por outro lado, é fundamental a existência de uma Constituição que garanta os direitos individuais, o voto secreto e universal, a plena liberdade de manifestação de pensamento, a independência dos três Poderes, entre tantos outros valores conquistados a duras penas, por aqueles mortos, pelos mutilados, pelos desaparecidos nos combates.

Pois a guerra civil de 32 provocou uma nova Constituição para o País, não importa se depois houve um golpe de Estado, mas a democracia veio, embora aos trancos e barrancos até os nossos dias. Na Revolução de 32 houve intensa participação popular e isso numa época em que as dificuldades, principalmente as de comunicação eram extremamente precárias. Fosse hoje, com a internet, com a televisão, com o celular, com a motivação que teve, São Paulo poderia ter se separado do País, embora não fosse esse o objetivo.

Se a Revolução de 32 não servir para mais nada, apenas para registrar uma efeméride paulista, para gozar de um feriado como outro qualquer, que, pelo menos, possa servir de exemplo às futuras gerações sobre a importância em mantermos sempre vivo o ideal democrático.

Luiz Carlos Bedran
Colaborador

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Lamentavelmente a saúde pública no Brasil tem sido alvo de gerenciamento irresponsável, fraudes e corrupções. Constantemente sou abordado nas ruas de Araraquara por pessoas pedindo ajuda para resolver péssimos atendimentos do SUS. As filas nos corredores da morte em todo país está também em Araraquara. É inadmissível os pobres na cidade esperarem até um ano para uma cirurgia. Enquanto isso vemos alguns empresários e profissionais do ramo se enriquecendo com a crise no SUS-Sistema Único de Saúde.

Segundo a pesquisadora Dra. Maria Alicia Dominguez, da Fundação Oswaldo Cruz, os gastos públicos com saúde no Brasil giram em torno de US$ 153 anual por pessoa. É muito pouco e ainda vemos todos os dias matérias na mídia denunciando desvios de recursos da saúde pública para corruptos, fraudadores, boa parte políticos desonestos. Falta fiscalização e punição rápida por parte da Justiça e outro órgãos responsáveis pela fiscalização como, por exemplo, Ministérios Públicos, Receita Federal e outros.

A crise é tão grave que até os médicos cooperados de um famoso plano privado de saúde se mobilizaram no mês de abril, para exigirem aumentos das remunerações. O incrível é que são cotistas, portanto proprietários da cooperativa, lutando contra suas próprias empresas. A partir do mês que vem, segundo matéria do “O IMPARCIAL”, no dia 2, médicos prometem não atender usuários de dez planos de saúde. Considero absurdo alguns planos de saúde gastarem valores elevados com publicidade, bancando até times de futebol e não remunerar dignamente seus cooperados. A melhor publicidade, a meu ver, é a feita pelos clientes quando bem atendidos.

Dos cerca de 6,3 mil hospitais no Brasil, 69% são particulares e destinam apenas 38% de seus leitos para o Sistema Único de Saúde (SUS). É o que revela estudo feito pela pesquisadora Dra. Célia Maria de Almeida, coordenadora do Programa de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca. Ela afirma que houve aumento expressivo do setor privado na saúde, estimulado pelos governos através de incentivos fiscais e financiamentos. São poucos hospitais no Brasil oferecendo mais de 400 leitos, mostra o estudo, a maioria conveniados com planos privados.

A Dra. Célia elogiou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) presente, segundo ela, em 1.150 cidades brasileiras, assegurando 74% da assistência domiciliar de emergência. Registro aqui o meu elogio ao Claudemir Conte, servidor municipal do SAMU de Araraquara. Além de gostar do que faz, com muita competência e respeito aos usuários, Conte luta em defesa de incentivos para este importante serviço público, principalmente financeiro, incluindo remuneração digna para os servidores. Comparo-os com os bombeiros, trabalhadores respeitados principalmente no Rio de Janeiro, após o enfrentamento contra o governo Sérgio Cabral (PMDB).

Em meio à crise, fico emocionado com o exemplo do nosso querido HEAB – Hospital Estadual de Américo Brasiliense, cujo atendimento é 100% público. Penso que a prioridade número deve ser conseguir o máximo de recursos para o HEAB, que infelizmente só tem 60 leitos. Visitei este maravilhoso Hospital durante internação da minha amiga D. Maria Tereza Carraschi, moradora em Itápolis, e vi a beleza do atendimento. A minha esposa esteve ao lado dela como acompanhante e ficou emocionada com o ambiente de muita paz e amor proporcionado pelos servidores. Ali está o exemplo de que é possível se proporcionar saúde pública de qualidade aos pobres. Espero que a privatização não se aproxime do HEAB, e que Dimas Ramalho e Edinho Silva consigam mais recursos do Estado e União para aquele hospital. Aguardo com ansiedade a conclusão do Hospital Gota de Leite. O Prefeito afirma que o atraso da entrega se deveu ao abandono da obra pela “Construtora” C.R.Pereira (estou analisando com muita atenção parte dos documentos dos processos de licitações). Espero que seja totalmente público, sem convênios com planos privados de saúde, como dizem que vai acontecer. Se não tem grana, que venda ou privatize o Estádio da Fonte Luminosa e direcionem os recursos para o Hospital. As mulheres agradecem. A saúde pública em nosso município e região deve ser pública e de boa qualidade.

Walter Miranda
Militante da CSP – CONLUTAS – Central Sindical e Popular e Conselheiro do SINSPREV – Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Estado de São Paulo
wm@sunrise.com.br

Artigo

Especialistas em Direito Criminal apontam que a Lei 12.403 pode provocar aumento da sensação de impunidade na população.

Em declaração ao jornal O Estado de São Paulo, o desembargador federal Fausto De Sanctis, um dos principais críticos da nova lei, afirma que a proibição da prisão preventiva para quem comete delitos com pena igual ou inferior a 4 anos é negativa. “Além de ofensa às Convenções da ONU contra a Corrupção ou o Crime Organizado, que consideram graves os delitos já na hipótese de 1 a 4 anos, retirou-se do juiz a tarefa de verificar sua necessidade, o que comprometerá a busca da verdade.”

O promotor do 1º Tribunal do Júri em SP Marcelo Rovere diz que a prisão imediata é significativa. “Mesmo sendo crimes de menor potencial ofensivo, a sensação de impunidade para a população será muito grande. A pessoa que é presa e colocada imediatamente em liberdade vai desacreditar o trabalho da polícia. Bandido não é bobo. Ele sabe que, dependendo do que estiver fazendo, será colocado imediatamente na rua, com fiança ou medidas protetivas. Temos todos os casos de pequena violência em que a prisão imediata seria a melhor solução, como em uma briga, por exemplo. O interesse, pelo que vemos, é esvaziar a prisão. Estão resolvendo pelo caminho mais rápido. Em vez de solucionar a falta de vagas, estão colocando presos nas ruas”, avalia o promotor.

Caro leitor (a) imagina um grão de areia à beira mar, a onda vem joga para lá, volta e arrasta para dentro do mar, e assim este grão fica de um lado para outro sem nada poder fazer, é exatamente assim que estou me sentindo neste momento.

O que os pobres mortais como nós podemos fazer diante a tantas irresponsabilidades dos homens e mulheres que nós colocamos no poder para nos defender?

Outro dia escrevi um artigo que dizia que deveríamos receber dos bandidos uma cartilha de como nos tornarmos vítimas de assaltos, pois os comandantes das policias passam a público a orientação de não reagir mediante assaltos, quando deveriam nos tranquilizar, pois o poder público já havia tomado as providências para acabar com a impunidade e as cidades estariam seguras. Acho uma falta de respeito com a população, subestimam nossa inteligência com orientações desse tipo: “Não reajam, fiquem calmos, entreguem tudo, forneçam ao bandido tudo que ele pede”, afinal o bandido está na plena execução do seu trabalho diuturnamente.

Hoje me deparo com a lei que legaliza a cartilha, ocorreu-me que devamos negociar com os bandidos, quem sabe se perguntarmos quando seria a fiança do delito em questão e repassarmos para o indivíduo o valor e assim ele deixaria de cometê-lo, uma espécie de pedágio para não sermos assaltados. “É uma vergonha”, mas quem se importa, o alto escalão está rindo, pois não sofrem dos males que nós os trabalhadores, os pagadores de impostos estamos sujeitos.

O Brasil já é um país sem lei, muitas leis que não se cumprem, a nova lei favorece ainda mais a impunidade. Imagine que incluindo crimes graves a lei não permite mais a prisão preventiva, mesmo se houver ameaças a testemunhas e flagrantes.

Hoje o criminoso é preso, quando menor de idade vai para a casa de recuperação. Dentro de pouco tempo o menor está na rua. O criminoso é condenado, passa em torno de 3 anos preso, é solto por “bom comportamento”, como se matar e estuprar fossem bom comportamento. Vocês sabem o que é bom comportamento na cadeia? É não desobedecer ao carcereiro? Matar, roubar e estuprar pode, o que não pode é desobedecer ao carcereiro.

As estatísticas mostram que em torno de 1,5% da população comete crimes, é inacreditável que os outros 98,5%, incluindo eu, nos acovardamos e nos ajoelhamos diante destes “marginais” e das leis regidas por homens e mulheres pagos por nós.

Os criminosos em horas descobrem brechas e meios para levar vantagens sobre leis que o Estado leva meses elaborando. Por isso, o Estado está sempre passos atrás com medidas paliativas. As leis existentes devem ser aplicadas de forma rígida, porém humanas, havendo trabalho para que não tenham tempo ocioso, colocando este povo para trabalhar, pagarem seus custos e ainda ter uma parcela do sustendo de seus familiares, mas na atualidade nós os contribuintes que arcamos com a bolsa que o Estado repassa para os bandidos encarcerados. A Transamazônica esta lá, quem sabe o Estado poderia usar mão-de-obra barata e assim como todo cidadão brasileiro paguem sua estadia com suor do seu rosto.

O ditado popular de que “a polícia prende e a Justiça solta todo mundo”, fica fortalecido.

Quem ira ficar horas no banco de uma delegacia para dar queixa? Com certeza as estatísticas irão mostrar que a violência caiu no Brasil.

Caro leitor (a), só rindo para não chorar.

Irene Candeu
Colaboradora
E-mail: cidadeararaq@hotmail.com

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A cidade comemora o seu aniversário em 22 de agosto. Mas, na realidade, 22 de agosto de 1817 foi a data da criação da Freguesia de São Bento de Araraquara, por ato de D. João VI, no Rio de Janeiro, firmado também pelo Ministro Visconde Vilanova da Rainha, que atendeu a uma manifestação da “Mesa de Consciência e Ordens”, datada de primeiro de agosto de 1.817, nos seguintes termos:

No. 32 – Reino – Resolução de Consulta da Mesa da Consciência e Ordens. Cria uma Freguesia no bairro de Araraquara, da Comarca de Itú e Bispado de São Paulo.
Foi ouvida a Mesa de Consciência e Ordens sobre a representação do Revmo. Bispo de São Paulo que, em nome dos moradores dos campos de Araraquara, e de acordo com o párocho da freguesia de Piracicaba, da Comarca de Itú, pede a criação de uma freguesia nos ditos campos.Responderam o Procurador Geral das Ordens e o Desembargador Procurador da Coroa e Fazenda que não se opunham à súplica.
Parece à Mesa consultar a V. Majestade ser de necessidade a criar-se uma nova freguesia no bairro de Araraquara, dividida da freguesia de Piracicaba, do Bispado de São Paulo, em servindo de divisa a mesma Serra de Araraquara e estabelecendo-lhe V. Majestade a côngrua anual de duzentos mil-réis e vinte e cinco mil-réis para guisamentos. Vossa Majestade, porém, determinará o que for servido”.

Don João VI assim se manifestou: “Como parece, Rio 22 de agosto de 1.817.”

A Freguesia de São Bento de Araraquara foi elevada à categoria de Vila por decreto datado de 10 de julho de 1.832, firmado no Rio de Janeiro.

A bem da verdade, naqueles tempos a Igreja de São Bento de Araraquara, já existia, mas não passava de um simples rancho de palha; mesmo assim, não faltou o cuidado do padre Francisco Manoel Malachias ao anotar num simples caderno o seguinte assento: “Aos dezesseis de março de 1.817, nesta matriz, batizei, sub-conditione, a Joaquim, filho legítimo de Salvador Rodrigues e sua mulher Tereza Maria, padrinhos Severino José e sua filha Maria Inácia, solteira, todos desta freguesia. Francisco Manoel Malachias”

A escolha de São Bento como padroeiro parece ter ocorrido com a doação feita por Pedro José Neto de uma imagem entalhada em madeira daquele Santo. Posso estar enganado, mas quando fui “coroinha” (e isto, reitero, faz quase cinqüenta e tantos anos!!!), tenho uma vaga lembrança de ter conhecido esta imagem, ainda naquela época, existente no altar central.

Com a demolição do templo anterior, não sei do seu paradeiro. Há quem afirme que ela ainda está algures, entre nós, mas existem outros que dizem que ela tomou o mesmo destino do relógio ou do órgão do coro, este duplamente histórico: por ser o primeiro da Matriz e por ter sido tocado pelo nosso maestro José Tescari, que com ele realizou diversas composições dentre tantos e tantas artistas “pratas da casa”, orgulho de todos nós.

Interessante: se a freguesia foi criada em 22 de agosto de 1.817, como o Padre Malachias, de fato, o primeiro Vigário de Araraquara realizou um batizado, mencionando: “desta freguesia”? Ele poderia estar exercendo o sacerdócio “in itinere”, mas foi otimista ao mencionar: “desta freguesia”.

Ainda em relação ao decreto de D. João que criou a Freguesia de Araraquara, esclareço que naquela época a Igreja estava umbilicalmente ligada ao Estado, a concordância do Regente Dom João VI, era necessária até para se cumprir o necessário com o custeio de uma “freguesia”, pelo menos no seu início; isto é, era dever do Estado proporcionar a tão reclamada assistência religiosa aos cidadãos esclarecendo ainda que: “Côngua” era uma pensão que se concedia aos párocos para a sua conveniente sustentação. E que “guisamentos”, eram as alfaias, ou seja, os utensílios utilizados nos cultos de serviços divinos. Os Vigários de São Bento de Araraquara receberiam da coroa, pelo menos no início da Freguesia, como ordenado, duzentos mil-réis por ano; e de uma só vez, cinco mil-réis para comprar paramentos, turíbulo, castiçais, cálice, Missal, patena e tudo o mais que fosse necessário para realizar os cultos religiosos. Depois era de se esperar que a Igreja começasse a se manter sozinha, com as cobranças de espórtulas e os moradores do local conseguissem sustentar suas necessidades por iniciativa própria, daí surgindo as quermesses, festas de padroeiros, etc.

É importante também salientar que o Catolicismo era a religião oficial dos estados Portugueses. P.S.: Muita gente me perguntou sobre esta história de ser Papa. Calma! Ainda tem muita coisa para contar da Igreja Matriz.

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Tenho me divertido muito com as crônicas bem humoradas do distinto amigo Tito de Abreu Cassoni. Ele é professor aposentado da Faculdade de Ciências Farmacêutica de Araraquara, UNESP. Numa época áurea do rádio, foi um dos locutores da Cultura Araraquara. Marta, sua irmã, médica, residente em Botucatu, e eu, terminamos, no ano de 1957, em classes diferentes, no IEBA, a quarta série ginasial. Bons tempos. Continue companheiro!

***

É o cúmulo do absurdo. O cidadão ou cidadã, por uma razão ou por outra, tem o seu veículo apreendido. O mesmo é conduzido ao pátio de recolhimento sem a mínima proteção, exposto ao sol, à chuva, ao vento, ao sereno…

O proprietário do automóvel, moto, caminhão ou ciclomotor tem uma série de despesas, pagando guincho, estadias e outras coisas mais. A dor de cabeça é intensa.

Por que, então, o Estado não dá a contrapartida, zelando pelos veículos recolhidos? É uma questão de bom senso. Afinal, quem paga taxas e outros compromissos faz-se merecedor de um mínimo de consideração e respeito, você não acha, amigo leitor?

Certa vez, a minha Monareta, ciclomotor, foi apreendida, conduzida ao pátio, abandonada, em meio a tantos outros veículos. Paguei tudo o que me era imposto e resgatei o meu meio de transporte. Mas foi uma tristeza observar a maneira como ela foi tratada. E o sentimento, com certza, é o mesmo de todos quantos experimentam tal situação. E isso não é coisa de país civilizado. Parece até que as condições em que são tratados os veículos apreendidos são uma forma de punir os seus proprietários.

O bom senso determina ou deveria determinar que, no pátio de recolhimento, os veículos deveriam ser protegidos, abrigados em local dotado de cobertura. Quem arca com as despesas da apreensão deveria ser alvo de respeito. A situação deveria ser bilateral. Mas eu gostaria de saber onde está o bom senso.

Os presidiários pagam pelos delitos que cometeram. O Estado tem responsabilidade sobre eles, devendo, em consequência, tratá-los com dignidade: Não se admte, em sã consciência, que seres humanos sejam tratados como inferiores, jogados em celas superlotadas. Não é possível que num compartimento onde cabem quarenta detentos fiquem noventa ou cem. Zelar pelo presidiário é dever do Estado. Fiz este comentário para enfatizar a obrigação do Estado de proporcionar proteção aos seus cidadãos, independentemente de suas condições. E proteger veículos apreendidos é, igualmente, obrigação do Estado.

Seria extremamente positivo se, em ralação ao recolhimento de veículos infratores, deixasse de ocorrer o famigerado cúmulo do pouco caso. J. Rufino Colaborador

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Meu prezado amigo do Facebook e conterrâneo de Vila Botelho, distrito de Santa Adélia, José Eduardo Massarente, sugere-me o tema educação para um artigo. E, na sequência, sobre formação de pessoas e informação — mas estes ficam para outra ocasião. Embora seja licenciado em Sociologia pela UNESP — até dei algumas aulinhas dessa disciplina no Colegial há muitos anos — , reconheço que, para conseguir sobreviver, optei pelo Direito. E olhe que cheguei a gostar de tentar retransmitir aos adolescentes um pouco de conhecimento. Até fui convidado em ministrar algumas aulas em faculdade.

As circunstâncias da vida levaram-me a outros rumos, mas nunca deixei de valorizar imensamente o trabalho do professor, não somente porque minha mãe chegou a lecionar numa fazenda nas proximidades da serra da Vila Negri, como também casei com uma professora do curso primário, abnegada, idealista, a ponto de tirar dinheiro de seu próprio bolso para comprar material que o governo do Estado fornecia precariamente e até mesmo inventar cartilha para facilitar o aproveitamento de seus alunos.

Além disso, meu pai, que fez somente o primário na Escola Luiz Dumont, em Santa Adélia, até o fim da vida não se cansava de elogiar o seu mestre-escola, Pompílio Leme de Souza. Mas não só ele: minha mãe, meus tios, todos os da antiga geração que conheci veneravam-no pela sua postura, integridade, espírito cívico, um verdadeiro educador no sentido mais amplo do termo, que formou gerações e gerações de santadelienses.

Também não poderia nunca esquecer-me das minhas professoras do primário, senhoras dedicadas, nem dos professores do ginásio e colegial, os quais, apesar das exigências rigorosas desses cursos na escola pública, tornaram-se meus amigos depois de adulto. Na faculdade de Filosofia, então, admirava-os pelos seus profundos conhecimentos e pela transmissão das ideias mais contemporâneas possíveis.

No passado distante os professores, as professoras, sempre foram valorizados pela sociedade, pelo Estado, que os pagavam tão bem quanto um juiz de Direito porque não desconheciam do extremo valor que possuíam na educação de seus filhos, um ensino de qualidade.

Nem é preciso dizer que as coisas mudaram e radicalmente. Não vem ao caso, aqui e agora, discorrer sobre o óbvio que todos conhecem. Esta não é uma página política e o passado apenas fica na lembrança.

O que o País precisa é olhar para o futuro, para as próximas gerações. E a educação é o ponto fundamental. Essa tese vem de longe. O professor Fernando Henrique Cardoso, entre outros, é um defensor ferrenho da ideia de que a radical transformação de um país deve começar pela educação.

Os EUA ainda continuam sendo a maior potência mundial em todos os setores, graças à educação, à escola pública, desde a Revolução Americana, país esse colonizado por refugiados religiosos que sabiam ler e escrever para conhecer a Bíblia. Os países, os tigres asiáticos, prosperaram recentemente porque investiram maçiçamente na educação.

É o que está ocorrendo na China, um dos países emergentes dos chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) que, logo estará — se já não ultrapassou — dominando a economia mundial. E o investimento em educação lá não tem moleza.

Nosso país precisa também entrar nessa competição. Acabar com os 19 milhões de analfabetos e os 39 milhões de analfabetos funcionais: melhorar a educação básica, valorizar os profissionais da educação, propiciar condições para as pesquisas nas universidades e aprimorar o ensino técnico-profissionalizante.

O nosso futuro depende da educação.

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Se quem conta um conto aumenta um ponto, imaginem quantos pontos aumentará uma pessoa que gosta de contar várias vezes o mesmo conto; é um daqueles caboclinhos que gosta também de aumentar os feitos e ainda por cima, para variar, é caçador e,… pescador inverterado. Contava os maiores “causos”, mas nem de longe se intimidava. Seu linguajar caboclo e bem brasileiro se desenrolava numa voz sempre gritada, para dar mais força à expressão. Espalhafatoso, chamava pelos santos, pelos testemunhos dos amigos e falava com tanta certeza, que mesmo sabendo que só poderia ser mentira, a gente ficava torcendo para que fosse verdade. “As vezes pode ser…”, pensávamos. -”…Ééé, pode até ser possível”.

Pois é, o Paulo era assim, e como acontece sempre com pessoas deste tipo era um ótimo companheiro. Quem pretendesse realizar uma boa pescaria era só convidar o Paulo. Se você não pescasse nada ou se apenas conseguisse só alguns peixinhos, não havia nenhum problema pois o Paulo garantiria o sucesso.

“- Puta que pariu, seu Osvardo! Eu tava lá no varjão, … lá em baxo no Rio, pescando com a minha varinha. De repente; Pel´amor de Deus, comecei a ouví um puta dum baruio, parecia desses avião grande; … não, parecia um motor de Scania sem silencioso vindo na minha direção! Minha Nossa! Tô ferrado, pensei! Fiquei quetinho cagando de medo, e sabe o que era, seu Osvardo?! Era um bando de Pintado e de Jahú, no rio, tudo com as cabecinha de fora… pastando a capinzera que nem vaca,… roncando que nem um trator. Subi correndo prá cá,…vamos pegá os garfo ,… é só puxá os pexe,… é melhor levar o trator ou o caminhão; vamo enchê o saco de pegá pexe”.

“ – Hoje nâo pesco mais. Já perdi tudo os meu anzor; mais de deis carreter de linha. Puta que pariu! preparei tudo pra pescá uns lambarizinho pro aperitivo, mais começô a dá aqueles Lambari do rabo vermeio de treis kilo, e me arrebentaram as linha e abriram todo os anzór. Quase num cunseguí tirá nenhum deles. Joguei tuda aquela traia fora; se quisesse pexe grande eu ia pescá aqueles Doradinho comum de duzentos kilo lá no meio do rio”.

As suas histórias muitas vezes o ajudavam. Foi numa dessas interpretações que havia conseguido precocemente a sua aposentadoria. Eu conto: O Paulo, pescador apaixonado, ganhava a vida como motorista profissional de uma empresa de ônibus, o que lhe impunha escalas cada vez mais apertadas, quase nunca dando tempo para a pescaria. Um dia ele chegou para o seu chefe e disse:

“- Patrão acho que tô ficando cego!
“- Não está, Paulo, imagine! Você é o meu melhor
motorista.
“- Não, eu tô ficando cego! Oia! só vejo nebrina!
“- Não, Paulo, é alguma ramelinha.
“- É mais eu sei que tô ficando cego, vejo tudo de
dois; duas casa, dois ônibus, dois patrão.
“ – Não Paulo, é só vista cansada.
“ – Mais, eu tô ficando cego, uai!
“ – Isto não é nada, Paulo; descansa um pouco
“ – Mais eu quero ficá cego, catso!
“ – Então fica, … Paulo.

Inventou que estava ficando cego. Bateu propositadamente a cabeça em algumas paredes, cumprimentou alguns postes, principalmente quando havia alguém olhando, trocou algumas cores, contou alguns objetos a menos, “viu” árvores em duplicata e finalmente, conseguiu que o seu chefe, tivesse uma grande conclusão: de fato, achava que o Paulo estava ficando cego!. Mandaram ele para o oftalmologista, e quando este perguntou:

“- Que letra é esta, Sr. Paulo”?
“- Aonde, doutor”?
“- Lá na tela luminosa, Sr. Paulo,… ali na parede”.
“- Que parede, doutor! Até o senhor está me gozando!
– Puta que pariu,… que parede?

Como é muito difícil discutir com alguém que pretende ficar cego, aposentaram o Paulo por invalidez. O doutor fizera um relatório sucinto, mas substancioso, … caprichado, … daqueles para justificar a nomeação, chegando á brilhante
conclusão, em resposta aos quesitos que:

1 – O paciente está vivo ou morto? – Sim, vivo!
2 – Possui os dois olhos? – Sim, os dois!
3 – Enxerga bem através deles? Justifique.
Respondeu:

“…As imagens captadas por ambos os aparelhos oftálmicos do paciente, não transferem com presteza e corretamente as informações imágeno-luminosas ao seu cérebro, pois, submetido à testes projetados, e à exposição que foi lhe feita de elementos gráficos bastante conhecidos, reagia com interpretações errôneas, não correspondendo à realidade, sugerindo à opacidade dos Cristalinos, deformidade parcial do globo ocular, possivelmente pelo acúmulo da conjuntiva palpebral, com esforço mecânico sobre e conjuntiva bulbar, e sua conseqüente pressão na esclerótica, a proporcionar desvios de informações ao nervo ótico, sugerindo duplicidade dos contornos, opacamento das imagens provocando perda de luminosidade e descoloração das cores, com perda de brilho”.

4 – Pelo exame aplicado pode ele dirigir veículos automotores, movidos à motor à explosão, destinado ao transporte coletivo?
R: Não!

E assim quando todos pensavam que o Paulo havia dado um “Tomé” na Previdência para poder pescar sossegado descobriu-se a verdadeira razão para a sua tendência à “cegueira”. Ele ficara livre das terríveis escalas, podia pescar quando quisesse, e chovia ou fazia sol a aposentadoria, apesar de pouca, era sempre depositada no banco, todo quinto dia útil do mês, nem precisava se dar ao trabalho de ir buscá-la. E o que era melhor podia fazer alguns “bicos” como motorista, para engordar a magreza que vinha do INSS.

Precisava só ser esperto. Não poderia ser motorista de qualquer um. Um deputado, um juiz, um ricaço, alguém parecido; um emergente, Nunca!. Se o guarda pedisse a sua carteira nacional de habilitação, já devidamente cassada era só acionar o passageiro ao lado e a resposta vinha em seguida a famosa “carterada”.

“- Oh!,… Desculpe doutor! Com continência e tudo.

Levava sempre um deputado conterrâneo para as reuniões da Assembléia Legislativa em São Paulo. Seu cliente e amigo, era Federal, mas estava sempre na Assembléia Legislativa, conversando com os companheiros de partido. Enquanto esperava, Paulo levava o carro para o estacionamento e ficava conversando com os demais motoristas.

Um dia, não pôde atender ao chamado do deputado, mas enviou um substituto. Este, chegando ao prédio da Assembléia, lá no Ibirapuera, deixou o deputado na entrada principal e foi, como de praxe estacionar na garagem.

“- Cadê o Paulo? … O Paulo mentira”. Indagaram os motoristas que lá estavam.

“ – Nós gostamos muito dele, mas às vezes pensamos que ele não é mentiroso não, mas quer mesmo é nos gozar. – Disse o funcionário que estava dentro da cabine de controle da garagem.

“ – Há, ele é legal! disse um negro alto e forte que limpava um Santana preto com chapa de bronze “AL – 05”. “- Mas, nós brigamos com ele, da última vez que esteve aqui. Ele conta as suas mentirinhas, … nós damos risadas, e,… vamos levando”.

“ – É, mais a última que ele contou, nós não agüentamos. Pensa que a gente é tonto? Mentirinha sim, … histórias de pescaria, caçadas, até que são legais, mas querer gozar a gente, essa não! Disse um outro alto e vermelho, suando por todos os lados.

“ – Imagine, você, continuou, que na última vez que ele esteve aqui contou que lá na sua cidade, em Araraquara, uma moça pulou do décimo terceiro andar de um prédio e NÃO MORREU! … E NÃO MORREU! Pensa que nós somos tonto? Tá
querendo é gozar a gente! … A MOÇA NÃO MORREU!!!.

O motorista do deputado que também era de Araraquara, meio acabrunhado, cauteloso, com muito receio, arriscou;

“ – Desculpem eu dizer,… mas,… eu conheço o Paulo, às vezes pesco com ele, … esta acho que,… esta,… foi a,… única verdade que ele falou.

“ Mas será possível que em Araraquara, só tem mentirosos?!” Indagaram uns; “Mentirosos ou gozadores!?” perguntaram outros; “Você vem aqui, chega agora, nem é conhecido e já vem querendo gozar a gente?!”

“ – Vá á merda! Disse ameaçador o negro alto e forte.

“- Vá gozar da tua vó”, disse o alto e vermelho.

“ – É melhor você se afastar da gente”! gritou o outro lá de dentro da cabine, enquanto atendia o telefone

Contudo, foi verdade. O Paulo contara uma das únicas verdades de sua vida.

Se quem conta um conto aumenta um ponto, imaginem quantos
pontos aumentará uma pessoa que gosta de contar várias vezes o mesmo conto; é um daqueles
caboclinhos que gosta também de aumentar os feitos e ainda por cima, para variar, é caçador
e,… pescador inverterado. Contava os maiores “causos”, mas nem de longe se intimidava.
Seu linguajar caboclo e bem brasileiro se desenrolava numa voz sempre gritada, para dar mais
força à expressão. Espalhafatoso, chamava pelos santos, pelos testemunhos dos amigos e
falava com tanta certeza, que mesmo sabendo que só poderia ser mentira, a gente ficava
torcendo para que fosse verdade. “As vezes pode ser…”, pensávamos. -”…Ééé, pode até ser
possível”.

Pois é, o Paulo era assim, e como acontece sempre com pessoas
deste tipo era um ótimo companheiro. Quem pretendesse realizar uma boa pescaria era só
convidar o Paulo. Se você não pescasse nada ou se apenas conseguisse só alguns peixinhos,
não havia nenhum problema pois o Paulo garantiria o sucesso.

“- Puta que pariu, seu Osvardo! Eu tava lá no varjão, … lá em
baxo no Rio, pescando com a minha varinha. De repente; Pel´amor de Deus, comecei a ouví
um puta dum baruio, parecia desses avião grande; … não, parecia um motor de Scania sem
silencioso vindo na minha direção! Minha Nossa! Tô ferrado, pensei! Fiquei quetinho
cagando de medo, e sabe o que era, seu Osvardo?! Era um bando de Pintado e de Jahú, no
rio, tudo com as cabecinha de fora… pastando a capinzera que nem vaca,… roncando que
nem um trator. Subi correndo prá cá,…vamos pegá os garfo ,… é só puxá os pexe,… é melhor
levar o trator ou o caminhão; vamo enchê o saco de pegá pexe”.

“ – Hoje nâo pesco mais. Já perdi tudo os meu anzor; mais de
deis carreter de linha. Puta que pariu! preparei tudo pra pescá uns lambarizinho pro
aperitivo, mais começô a dá aqueles Lambari do rabo vermeio de treis kilo, e me
arrebentaram as linha e abriram todo os anzór. Quase num cunseguí tirá nenhum deles.
Joguei tuda aquela traia fora; se quisesse pexe grande eu ia pescá aqueles Doradinho
comum de duzentos kilo lá no meio do rio”.

As suas histórias muitas vezes o ajudavam. Foi numa dessas
interpretações que havia conseguido precocemente a sua aposentadoria. Eu conto: O Paulo,
pescador apaixonado, ganhava a vida como motorista profissional de uma empresa de ônibus,
o que lhe impunha escalas cada vez mais apertadas, quase nunca dando tempo para a
pescaria. Um dia ele chegou para o seu chefe e disse:

“- Patrão acho que tô ficando cego!
“- Não está, Paulo, imagine! Você é o meu melhor
motorista.
“- Não, eu tô ficando cego! Oia! só vejo nebrina!
“- Não, Paulo, é alguma ramelinha.
“- É mais eu sei que tô ficando cego, vejo tudo de
dois; duas casa, dois ônibus, dois patrão.
“ – Não Paulo, é só vista cansada.
“ – Mais, eu tô ficando cego, uai!
“ – Isto não é nada, Paulo; descansa um pouco
“ – Mais eu quero ficá cego, catso!
“ – Então fica, … Paulo.

Inventou que estava ficando cego. Bateu propositadamente a
cabeça em algumas paredes, cumprimentou alguns postes, principalmente quando havia
alguém olhando, trocou algumas cores, contou alguns objetos a menos, “viu” árvores em
duplicata e finalmente, conseguiu que o seu chefe, tivesse uma grande conclusão: de fato,
achava que o Paulo estava ficando cego!. Mandaram ele para o oftalmologista, e quando este
perguntou:
“- Que letra é esta, Sr. Paulo”?
“- Aonde, doutor”?
“- Lá na tela luminosa, Sr. Paulo,… ali na parede”.
“- Que parede, doutor! Até o senhor está me gozando!
– Puta que pariu,… que parede?

Como é muito difícil discutir com alguém que pretende ficar
cego, aposentaram o Paulo por invalidez. O doutor fizera um relatório sucinto, mas
substancioso, … caprichado, … daqueles para justificar a nomeação, chegando á brilhante
conclusão, em resposta aos quesitos que::
1 – O paciente está vivo ou morto? – Sim, vivo!
2 – Possui os dois olhos? – Sim, os dois!
3 – Enxerga bem através deles? Justifique.
Respondeu:

“…As imagens captadas por ambos os aparelhos oftálmicos do
paciente, não transferem com presteza e corretamente as informações imágeno-luminosas ao
seu cérebro, pois, submetido à testes projetados, e à exposição que foi lhe feita de elementos
gráficos bastante conhecidos, reagia com interpretações errôneas, não correspondendo à
realidade, sugerindo à opacidade dos Cristalinos, deformidade parcial do globo ocular,
possivelmente pelo acúmulo da conjuntiva palpebral, com esforço mecânico sobre e
conjuntiva bulbar, e sua conseqüente pressão na esclerótica, a proporcionar desvios de
informações ao nervo ótico, sugerindo duplicidade dos contornos, opacamento das imagens
provocando perda de luminosidade e descoloração das cores, com perda de brilho”.

4 – Pelo exame aplicado pode ele dirigir veículos automotores,
movidos à motor à explosão, destinado ao transporte coletivo?
R: Não!

E assim quando todos pensavam que o Paulo havia dado
um “Tomé” na Previdência para poder pescar sossegado descobriu-se a verdadeira razão para
a sua tendência à “cegueira”. Ele ficara livre das terríveis escalas, podia pescar quando
quisesse, e chovia ou fazia sol a aposentadoria, apesar de pouca, era sempre depositada no
banco, todo quinto dia útil do mês, nem precisava se dar ao trabalho de ir buscá-la. E o que
era melhor podia fazer alguns “bicos” como motorista, para engordar a magreza que vinha
do INSS.

Precisava só ser esperto. Não poderia ser motorista de qualquer
um. Um deputado, um juiz, um ricaço, alguém parecido; um emergente, Nunca!. Se o
guarda pedisse a sua carteira nacional de habilitação, já devidamente cassada era só acionar o
passageiro ao lado e a resposta vinha em seguida a famosa “carterada”.

“- Oh!,… Desculpe doutor! Com continência e tudo.

Levava sempre um deputado conterrâneo para as reuniões da
Assembléia Legislativa em São Paulo. Seu cliente e amigo, era Federal, mas estava sempre
na Assembléia Legislativa, conversando com os companheiros de partido. Enquanto
esperava, Paulo levava o carro para o estacionamento e ficava conversando com os demais
motoristas.

Um dia, não pôde atender ao chamado do deputado, mas enviou
um substituto. Este, chegando ao prédio da Assembléia, lá no Ibirapuera, deixou o deputado
na entrada principal e foi, como de praxe estacionar na garagem.

“- Cadê o Paulo? … O Paulo mentira”. Indagaram os motoristas

que lá estavam.

“ – Nós gostamos muito dele, mas às vezes pensamos que ele
não é mentiroso não, mas quer mesmo é nos gozar. – Disse o funcionário que estava dentro
da cabine de controle da garagem.

“ – Há, ele é legal! disse um negro alto e forte que limpava um
Santana preto com chapa de bronze “AL – 05”. “- Mas, nós brigamos com ele, da última vez
que esteve aqui. Ele conta as suas mentirinhas, … nós damos risadas, e,… vamos levando”.

“ – É, mais a última que ele contou, nós não agüentamos. Pensa
que a gente é tonto? Mentirinha sim, … histórias de pescaria, caçadas, até que são legais, mas
querer gozar a gente, essa não! Disse um outro alto e vermelho, suando por todos os lados.

“ – Imagine, você, continuou, que na última vez que ele esteve
aqui contou que lá na sua cidade, em Araraquara, uma moça pulou do décimo terceiro andar
de um prédio e NÃO MORREU! … E NÃO MORREU! Pensa que nós somos tonto? Tá
querendo é gozar a gente! … A MOÇA NÃO MORREU!!!.

O motorista do deputado que também era de Araraquara, meio
acabrunhado, cauteloso, com muito receio, arriscou;

“ – Desculpem eu dizer,… mas,… eu conheço o Paulo, às vezes
pesco com ele, … esta acho que,… esta,… foi a,… única verdade que ele falou.

“ Mas será possível que em Araraquara, só tem mentirosos?!”
Indagaram uns; “Mentirosos ou gozadores!?” perguntaram outros; “Você vem aqui, chega
agora, nem é conhecido e já vem querendo gozar a gente?!”

“ – Vá á merda! Disse ameaçador o negro alto e forte.

“- Vá gozar da tua vó”, disse o alto e vermelho.

“ – É melhor você se afastar da gente”! gritou o outro lá de
dentro da cabine, enquanto atendia o telefone

Contudo, foi verdade. O Paulo contara uma das únicas verdades

de sua vida.

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