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“Apesar de tudo somos vitoriosos”, diz integrante do movimento dos caminhoneiros de Araraquara



Samuca lembra do apoio da população para o sucesso da manifestação e não descarta uma nova paralisação

“Apesar de tudo somos vitoriosos”, diz integrante do movimento dos caminhoneiros de Araraquara

“O Brasil teve a chance de ser parado e passado a limpo”. A conclusão é de Samuel Jarina, integrante do movimento dos caminhoneiros de Araraquara. Já em casa e acompanhado do filho Pedro (7 anos), ele fez um balanço dos dez dias de paralisação. “Ainda assim saímos vitoriosos. Lutamos pela classe e tentamos fazer mais pelo povo brasileiro. Saímos com a consciência tranquila, apesar de não ter alcançado 100% das nossas reivindicações”, diz.

Samuca, como é conhecido, é caminhoneiro autônomo, com 20 anos de estrada. Para ele, o movimento mostrou aos governantes, que “nós sabemos o que queremos e com união podemos mudar o Brasil”, afirma.

Ele lembra do apoio da população para o sucesso da manifestação e não descarta uma nova paralisação. “A base em frente a Ceasa (Central de Abastecimento), passou a receber, a partir do segundo dia, apoio da população, o que deixou a categoria impressionada e com a certeza de que poderia lutar por mais melhorias, além das reivindicações da classe. Há possibilidade de repetirmos outras manifestações nos próximos dias, mas tudo vai depender da população em geral”, explica.

Concentrados por dez dias em dois postos de combustíveis, às margens da Rodovia Washington Luis, o caminhoneiro reconhece a solidariedade da cidade com a categoria e conta que foi exatamente isso, que fez com que o movimento passasse a brigar por todos os brasileiros. “Quando percebemos a nossa força, com apoio do povo, que nos ajudou com alimentos, cobertores e materiais de higiene, passamos a lutar por toda a sociedade. Mas, infelizmente, não conseguimos a adesão que precisava”, justifica.

Para Jarina, as filas nos postos, com pessoas pagando preço alto pelos combustíveis, não contribuiu para a ampliação da reivindicação, e “por isso, tivemos que cessar a greve, até porque 60% da pauta dos caminhoneiros foram atendidas pelo governo”, fala com tristeza.

Principais medidas

O Governo Federal publicou três medidas provisórias isentando a cobrança de pedágio para eixo suspenso, a garantia de 30% de fretes para autônomos, e uma tabela com valores mínimos para os fretes rodoviários. Já o Governo Estadual irá repor as perdas às concessionárias. No lugar prorrogará a validade dos contratos de concessão.

Movimento apartidário 

Para alguns caminhoneiros, o movimento foi apartidário, sem participação de agentes e partidos políticos. Entretanto, é unânime a ideia de que a paralisação aconteceu por falta de apoio político, mais especificamente do Governo Federal. “Foram anos de desmandos e corrupção que levaram o Brasil a essa situação. Ainda precisamos, urgentemente, fazer um pacto com as poucas pessoas de bem que existem no judiciário, legislativo, meio empresarial e cidadãos comuns para colocar nos trilhos este país”, enfatiza Samuca.

Mesmo assim, os movimentos reconhecem que muitos oportunistas se aproveitaram do manifesto para se colocar como representantes da categoria ao tentar diálogo com Brasília. Vídeos com políticos, como Jair Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto, são considerados como promoção política e não apoio à classe.

Perguntado sobre a política brasileira, uma vez que havia faixas com frases, como ‘Fora Temer’ e ‘Intervenção Militar Já’, Samuca explica que, “não fomos movidos por movimentos políticos e quando percebemos que isso poderia acontecer, nós terminamos a greve. Para mim, o que pode mudar o país é a renovação total da política”, reforça. “As eleições estão chegando, temos que ser conscientes e votar em gente nova. Só assim, fugiremos de uma intervenção militar”.

Opinião de amigos

Para Tania Cristina Adorno, esposa de um caminhoneiro, “a greve começou a perder força e nós, familiares e caminhoneiros, ficamos com o sentimento da perda de um ente querido”. Ela conta do papel da família para que os caminhoneiros tivessem o que comer e vestir, e para que não desistissem. “Tínhamos que ser mais fortes, e não nos render ao governo nas filas de combustíveis. Faltava pouco para melhorarmos as condições de todos, não só dos caminhoneiros”.

A2 Comunicação – Assessoria de Imprensa

Jornalista responsável: Paula Cardoso

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