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Alberto Vais Sobrinho é Ouro Fino

Uma das maiores alegrias do cantor sertanejo são as modas de viola. “Muitas contam a minha história”, diz ele

Da redação

Ouro Fino mostra o primeiro CD que gravouDepois de Deus e a família, música é tudo para mimAlberto Vais Sobrinho mora em Américo Brasiliense. Faz dupla com Tião Canhoto e seu nome artístico é Ouro Fino. Em seu programa de rádio a música mais pedida é ‘Minha história’, uma espécie de autobiografia de Alberto e que retrata vários momentos de sua vida.
E por falar em vida, esse homem de coração sertanejo nasceu em Petrolândia, Santa Catarina, no dia 24 de maio de 1951. Filho de Paulo Luis Vais e de Laureci Vieira Vais. É irmão de Roberto, Gilberto, Célio, Maria Paulina, Zenita e dos saudosos Maria Liberaci, Norberto e João.
Na cidade natal ficou até a idade de 20 anos, onde começou atrabalhar na roça aos 14 anos, na fazenda Rio D’Jango da família Guetta que praticamente o adotou. Só voltava para casa nos finais de semana.

O problema foi a escola, pois só cursou até a quarta série na escola Hermes Fontes. “A gente precisava ajudar os pais. Éramos em oito”.

Para ir para casa nos finais de semana ia a pé. Eram 8 quilômetros de pernada para ir e também para voltar.

Nesta fazenda ficou durante cinco anos, pois em determinado momento achou que aquilo não era vida para ele. Assim acabou indo se aventurar no Paraná, na cidade Vila Mercedes, onde trabalhou na ‘enxada e no machado’.

A passagem no Paraná foi curta, pois ficou doente por conta de comer o miolo do abacaxi e acabou com as ‘paredes’ de seu estomago. Até hoje não pode nem ver abacaxi! “Chegava da roça e comia abacaxi que tinha em volta da casa. Como adoeci acabei retornando para Petrolândia”.

Alberto conta que Petrolândia, que tem como meio de subsistência a lavoura, tinha como referência uma fecularia. Não tinha quase nenhum tipo de diversão como cinema. Para se distrair a rapaziada pescava e jogava bola aos domingos quando sobrava uma brechinha. “Hoje tem até umas praças legais lá, mas pouco frequentadas, pois o pessoal rala a semana inteira e quer mais é descansar, ficar sossegado nos finais der semana”.

Depois de recuperado foi novamente trabalhar na roca, por empreitada até que decidiu ir tentar a sorte em São Paulo. Como a irmã Liberaci já morava na cidade ficou um tempo na casa dela até se acostumar com a cidade. Posteriormente foi morar em uma pensão. “A viagem para São Paulo foi feita junto com um amigo que levava uma carga de cebola para o Ceasa. Foram 12 horas de viagem”.
Questionado sobre qual foi a sua percepção de São Paulo, conta que chegou assustado como a maioria.

Um metalúrgico

Quando chegou, o cunhado Narbal o esperava no Ceasa. “Durante o tempo que fiquei na minha irmã, em Santa Adélia, foram quatro meses sem trabalhar. Não podia começar, pois os meus documentos que havia esquecido no hotel não chegavam. Quando chegaram fui trabalhar em uma metalúrgica, a Nordon, que ficava em Santo André. Isso foi em 1972”.

Depois de três anos na Nordon como ajudante de caldeiraria achou que a coisa não estava muito boa e novamente retornou para a terra natal, onde novamente foi trabalhar na roça até que arrumou serviço na metalúrgica Rio Sulense. Desta vez como ajudante de soldador. ‘Fiquei nesta metalúrgica durante cinco anos. Quando já dominava o ofício senti que era hora de retornar para São Paulo. E já na capital voltei a trabalhar no mesmo lugar, na Nordon. Ali fui contratado como meio oficial de soldador. Permaneci ali de 79 a 2003 onde acabei me aposentando”, conta ele acrescentando que quando entrou novamente na empresa fez uma prece, no banheiro, profetizando que só sairia dali aposentado.

Na Nordon, de meio oficial passou a soldador, depois para soldador especial. “A firmaprestava serviços para a Petrobras, cervejaria, para a Rhodia, entre outros”.

Alberto conta que em 97 se aposentou, mas continuou trabalhando. Em 98/99 a Inepar (depois IESA) comprou a Nordon e em determinado momento, em 1999, veio para Araraquara. “Entre as centenas de soldadores fui um dos escolhidos para vir para a Araraquara. Fui trabalhar em Américo. Fiquei na empresa até 2003, quando a empresa me demitiu”.

Quando veio para Araraquara foi montada uma república na Vila Xavier para os funcionários e aos poucos cada um foi buscando a família. “A mudança da família foi feita no dia do meu aniversário, 24 de maio. Fomos morar em Américo Brasiliense onde estou até hoje”.

Alberto casou com a Maria do Socorro Moura Vais que conheceu em São Paulo. O grande amor morava na mesma rua onde morava sua irmã. “Nos casamos em 1982. Temos dois filhos, Juliana e os gêmeos João Paulo e Júlio Cesar. Vai fazer 19 anos que moramos em Américo, Vila Cerqueira, mas minha mulher brinca que não quer morrer na cidade não. E eu digo brincando: e a gente tem lugar para morrer?”.

Sempre que pode Alberto vai para Santa Catarina, especialmente para a cidade natal visitar os familiares que ficaram por lá.

Recanto Caipira

Alberto é um apaixonado por música. “Sempre gostei. Desde o tempo da Radio Nacional de São Paulo, quando meu pai ligava o rádio às 20h30 e a gente ficava escutando os caipiras. Meu pai tocava cavaquinho e, ele e o irmão, estavam sempre juntos bem como os tios por parte da mãe eram todos músicos, tocavam gaita (sanfona). Acho que essa coisa de música está no sangue”.

Quando já estava em São Paulo, Alberto conheceu o saudoso Rondon, um senhor que tocava viola e cantava muito bem. Começamos a cantar junto e gravamos a música ‘Ferreirinha’. Eu tocava viola e foi Rondon que me ensinou a tocar”.

Com Rondon a dupla se separou somente por conta da vinda de Alberto para Araraquara, mas sempre que podia o amigo vinha para a região para tocarem juntos. Assim cantaram em muitos emuitos aniversários. “Esse não era parceiro, era amigo que ainda a gente sente muita falta dele”.

Em dado momento, Alberto conheceu João Platino, de Araraquara, que ministrava a ele aulas de viola. “Juntos gravamos o disco ‘Seresteiro da Lua’ e em seguida o volume 2 que entra uma música intitulada ‘Minha historia’ composta em parceria com o compositor Rubens Simões, de Brotas. é a minha vida. Fala de Araraquara e de Américo Brasiliense, dos meus filhos, de quando eu trabalhava em Petrolândia na junta de boi, do cachorro Guarani”.

Posteriormente, através do amigo locutor Donizete de Paula entrou para a rádio Maranatá FM, de Américo. A parceria com Platino, mas a amizadecontinua.

Alberto apresenta seu programa ‘Recanto Caipira’ há seis anos, das 17 às 19 horas, de segunda a sábado ao vivo e a cores. Uma das músicas mais pedidas e a ‘Minha história’.

Atualmente Alberto faz dupla comAguinaldo Ribeiro Feitoza, oTião Canhoto, que conheceu através da esposa do mesmo, Conceição que ligava na rádio pedindo músicas. “Um dia ela disse que seu marido já tinha tocado muita viola e cantado. Outro dia em que ela ligou perguntei se poderia falar com ele. Depois de um bom bate papo resolveram se conhecer. Nasceu a dupla Tião Canhoto e Ouro Fino.

Alberto tem o nome artístico de Ouro Fino, nome que sonhou. “No sonho alguém me perguntava qual o nome do meu parceiro. Eu disse que era João Platino e a pessoa me sugeriu que colocasse Ouro Fino. Assim ficou João Platino e Ouro Fino. Pegou”.

Antes de trabalhar no rádio trabalhou na Metal Brás, cujo proprietário Vanderlei que me chamava de violeiro me deu uma viola de presente. “Comecei a me dedicar somente ao rádio e à música e tocava em casa com meu filho João Paulo, que é professor de viola, até conhecer o Tião Canhoto. Já o meu filho Júlio trabalhacomo programado na rádio. Já a Juliana, minha filha, fez psicologia”.

A dupla com Tião já e o primeiro trabalho juntos é o CD ‘Recordação de mineiro’. O bar do Baixinho, em Américo, acolhe a dupla todos os domingos, do meio-dia às 16 horas, com muito modão sertanejo.

Pode se encontrar no You Tube trabalhos de uma antiga parceria com João Platino e no Facebook da rádio informações sobre seu programa.

Contato: 9997132733.

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