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Vis-à-Vis



Nome do espetáculo é um expressão francesa que significa frente a frente

O grupo Pró-Posição apresenta o espetáculo Vis-à-Vis no dia 19 de outubro (sábado), às 20 horas, no Sesc Araraquara. Com recursos do teatro e da música, a acordeonista Janice Vieira e a atriz Andréia Nhur (mãe e filha) acertam as contas entre o engajamento artístico dos anos 1960/70 e o movimento radical chic, enquanto dançam.
Em sua terceira parceria na concepção e interpretação, histórias viram gestos, palavras e sons.
No palco, caminhos contrários. O que antes fazia sentido para a mãe – pensar a arte como protesto, não é mais preciso; já para a filha se reportar àquele tempo, ela tem de imaginar como seria fazer dança política.
Um exemplo das diferenças entre as gerações se dá pelo resgate das memórias infantis.
Andréia Nhur lembra o Michael Jackson, enquanto Janice Vieira dança o baião. “Tudo que apresentamos resulta da história de nossos corpos e está atravessada pela coletividade. As nossas vivências conversam com as de outras pessoas que dançaram as mesmas coisas”, fala Andréia.
Além de uma citação de Billie Jean (faixa de Thriller, de Jackson) sobreposta ao Baião, ruídos de alerta e canções com tom revolucionário, como as Czardas (Vittorio Monti), compõem a trilha. Responsável pela criação musical, Janice toca ao vivo, em alguns momentos, num pequeno acordeom. No repertório, uma composição própria, Valsa Maia (1999).

O nome
Em 2008, as duas “reativaram” o grupo fundado em 1973 por Janice. O uso do nome é uma forma de rememorar o que há pouco foi dito (ou dançado). O espetáculo é híbrido e mais próximo das propostas do Pró-Posição naquela época, por suas escolhas estéticas. “A dança atual está opaca e busca fugir da tirania dos significados, da representação, das mensagens, optando por uma plástica do quase nada”, diz Janice Vieira.
A dança daqueles tempos no Brasil — que era marcada pela ditadura militar e também pelos ecos de mudança no mundo todo – vem à cena pelo testemunho da mãe, que recorda, e pelo olhar historiográfico da filha, que investiga o passado.
Nos primeiros momentos, uma blusa de mangas muito compridas, similar a uma camisa de força usada por Janice no espetáculo Boiação (1976), como símbolo da repressão da época, volta à cena. Une as intérpretes num duo; depois serve como um prolongamento dos braços da mãe, num solo.
Roberto Gill Camargo, que é colaborador artístico e pai de Andréia, criou o desenho de luz. Não há cor, apenas um azul vindo de trás rebate o branco das cenas, usado para sugerir a ideia de que presente e passado são continuações e não instantes representados por oposições cromáticas.
O espetáculo conta com a colaboração de Isabelle Launay,pesquisadora francesa da história da dança do século XX. Ao ver as indagações que surgiam na parceria entre Janice e Andréia, ela sugeriu o nome Vis-à-Vis – expressão francesa que significa frente a frente.
Grátis, ingressos distribuídos na bilheteria. Acessibilidade para portadores de deficiência física. Tel.(16) 3301-7500.

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