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Teat(r)o Oficina pede socorro

Teat(r)o Oficina pede socorro

Sem dinheiro, Zé Celso e Oficina criam vaquinha para remontar peça ‘Roda Viva’ 

 

O Teat(r)o Oficina, lendário grupo teatral brasileiro que chega aos 60 anos de vida neste 2018, sempre sob comando do araraquarense José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, passa por uma forte crise financeira. A trupe deixou de receber em 2016 o patrocínio da Petrobras, que apoiou o grupo paulista por 11 anos.
Sem dinheiro no caixa e sem patrocínio, a companhia não tem condições de levantar 50 anos depois a peça icônica “Roda Viva”, de Chico Buarque, que autorizou a remontagem depois de proibi-la por décadas.
Por isso, o Oficina faz uma vaquinha na internet, na qual pede R$ 790 mil para colocar o projeto de pé e também restaurar e dar manutenção à sua sede na rua Jaceguai, 520, no Bixiga, em São Paulo.
Os apoiadores podem doar de R$ 20, o que garante o nome no programa da peça, até R$ 60 mil, que dá direito a ganhar a túnica branca do personagem Antonio Conselheiro usada por Zé Celso e criada por Olinto Malaquias para a célebre saga teatral “Os Sertões”, além de ter também o nome no programa.
O espetáculo “Roda Viva” foi feito originalmente em 1968, quando sofreu forte repressão da ditadura, com atores espancados por integrantes de um grupo de extrema direita. A montagem de Zé Celso revolucionou o teatro brasileiro e foi marco de resistência à ditadura. O elenco original tinha nomes como Marília Pêra, Marieta Severo, Zezé Motta e Pedro Paulo Rangel, entre outros.
Internacionalmente conhecido, o Teat(r)o Oficina é o mais importante grupo de teatro brasileiro. Por sua equipe já possaram mais de 2.000 artistas, com nomes como Leona Cavalli, Reynaldo Gianecchini, Bete Coelho, Marieta Severo, Pedro Paulo Rangel, Zezé Motta, Renato Borghi, Etty Fraser, Maria Alice Vergueiro e Ítala Nandi, entre outros.
Sua sede, projetada por Lina Bo Bardi e Edson Elito, foi eleito o mais belo teatro do mundo pelo jornal britânico The Guardian.
Em 2017, o grupo remontou com sucesso 50 anos depois a peça “O Rei da Vela”, originalmente montada em 1967, com o mesmo protagonista, Renato Borghi, a mesma direção de Zé Celso e a mesma cenografia de Helio Eichbauer. O espetáculo levou o Grande Prêmio da Crítica da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) em 2017, que ainda premiou Renato Borghi como melhor ator.
Os interessados em colaborar devem entrar no site https://benfeitoria.com/rodaviva

(Texto publicado originalmente por Miguel Arcanjo Prado em seu blog no Portal UOL).

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