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Símbolo degradado

Capelinha é um monumento erigido há muitos anos, símbolo de fé e esperança de trabalhadores e imigrantes

Célia Pires

O olhar atento do pesquisador, historiador e professor Rogério Belmiro Tampellini não deixa mais passar o descaso quando se trata da preservação do patrimônio histórico.
Ele conta que quem passa pela rodovia Washington Luís no local conhecido por ‘curva do Chibarro’ (km. 260), logo se encanta com a graciosa e solitária capelinha da Fazenda Marilú, situada no meio de muito mato e uma natureza bastante agredida.
Tampellini explica que a referida capelinha é um monumento erigido há muitos anos, símbolo de fé e esperança de trabalhadores e imigrantes que muito contribuíram para o desenvolvimento de nossa cidade e que o local permaneceu ativo até pouco tempo atrás e era frequentado por moradores das proximidades em missas quinzenais e algumas festas.”Estive na ‘capelinha’ cerca de quatro anos atrás e ela estava bem cuidada, e em seu interior possuía todos os utensílios próprios de um templo religioso como bancos, mesas, cadeiras, altar, imagens, quadros, sino, etc”, conta.
Mas neste domingo, de passagem pela rodovia, decidiu entrar rapidamente na ‘Marilú’ para rever a ‘igrejinha’ e fazer algumas imagens. “Eu me deparei com mais uma cena triste: o abandono e o início da depredação do local. Isso não deveria me surpreender, muito menos me encorajar a procurar um jornal para esta pobre e caótica reflexão, afinal, estou mesmo cansado de ver e rever cenas como esta em minhas andanças e pesquisas, mas…”, lamenta.
Uma vela derretida
O pesquisador conta o que viu: o local está sem portas e nenhum móvel ou qualquer outra coisa. Simplesmente vazio e com o teto a desabar. No chão ainda resta uma vela derretida com um terço no local onde ficava o altar. “Subi até a torre e nada de sino, e em volta do edifício, alguns objetos característicos de cultos de umbanda e candomblé. Um morador das proximidades informou que nunca mais houve missas e o local foi abandonado, porém, em seus arredores, é comum a realização de cultos e rituais de umbanda, candomblé e xamanismo, que ainda dão vida e caráter sagrado ao local. Sagrado ou profano, santo ou pecador, invocando anjos, índios ou orixás; a verdade é que o local merece nossa proteção. É complicado ver nossa cidade ficar mais pobre e nada fazer. Umbandistas, católicos, protestantes, xamanistas, espiritualistas e ateus; não é a hora de celebrarmos, juntos, uma liturgia de amor, cidadania e democracia pela preservação deste local?”, questiona.
O historiador finaliza dizendo que fica ao poder público de nossa cidade um ‘outro’ desafio: “Instituir e desenvolver políticas públicas para incentivar a preservação e conservação de monumentos históricos localizados em propriedades particulares; certamente o proprietário da fazenda e a instituição religiosa que detém a posse da ‘capelinha’, agradeceriam nossa ajuda”, completa.

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