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O artista plástico, ilustrador e escritor Eliardo França fala sobre projeto Literatura Viva no Sesi

Gosto de figuras humanas em movimento. Não saberia desenhar paisagem e nem natureza morta”, conta Eliardo

Célia Pires

Recentemente o casal Eliardo França e Mary França esteve em Araraquara para participar no Sesi do projeto ‘Literatura Viva’, criado e organizado em São Paulo para várias cidades do estado. Eles contam que Araraquara é a 11ªcidade que visitam neste ano ministrando palestras. “Sabemos que vários outros autores foram convidados para esse projeto com o objetivo de dinamizar a ação da bibliotecária, envolver o professor na dinâmica da leitura e incentivar os alunos a ler mais”.

O casal tem mais de 300 livros publicados . A maioria do público é de crianças até nove anos, mas há alguns livros que podem ser trabalhados com crianças até a sexta série.Eliardo, que é nascido em 1951, em Santos Dumont, Minas Gerais tem uma ligação bastante estreita com Araraquara, pois aqui reside Maria Aurélia Minervino, sua prima. “Brinco que lá é a terra dos Irmãos Wright, quase me matam por isso, mas claro que é uma brincadeira, pois na verdade, é terra do Albert Santos Dumont, um dos grandes brasileiros, inventor do avião”, ressalta Eliardo se referindo ao fato de que os Irmãos Wright utilizaram de uma espécie de catapulta para fazer o avião deles voar. “Figura que muitos anos mais tarde quando a gente estava fazendo livro profissionalmente, uma das primeiras histórias de Mary foi sobre Santos Dumont quando criança e que eu ilustrei. Foi nosso primeiro livro juntos”, diz referindo-se a esposa Mary, que é escritora.

A partir daí Eliardo foi para Juiz de Fora estudar, pois Santos Dumont não tinha curso científico. Acabou ficando por lá e nunca mais voltou para morar na cidade natal. “Sempre quis ser desenhista, mas meu pai sempre exigiu que a gente tivesse um diploma para ter uma vida melhor, mas eu bati o pé e até tentei uma vez arquitetura, pois achava que era a coisa mais próxima do desenho: tinha réguas, pranchetas, lapiseiras, mas na verdade, o que eu queria era desenhar. Até que um professor disse para que procurasse sua turma, pois arquitetura era outra coisa. Nunca mais voltei”.Assim, morando em Juiz de Fora e já namorando a Neire, colocou uma pasta de desenhos debaixo do braço. Foi para o Rio de Janeiro disposto a trabalhar com história em quadrinhos.

Era 1968. “Fui para a Editora Brasil América, que publicava vários quadrinhos importantes, como Super Homem e Tarzan. O dono da editora, hoje uma lenda, Adolfo Hazen, me recebeu muito bem, apesar de eu não ter marcado nada, e chegado de supetão. Ele me disse que fazer histórias em quadrinhos no Brasil não iria dar certo, pois todos os quadrinhos publicados no país eles compravam fora do Brasil e a um preço muito barato, mas disse que eu teria uma chance de se fizesse livros para crianças, pois era algo que estava começando a acontecer, pois os livros infantis da época eram importados e mal traduzidos e com ilustrações nada atrativas. Nada muito bem apresentável. Ele me deu essa chance de fazer livros me dando duas histórias para ilustrar. Ilustrei rapidamente. Voltei lá, mostrei pra ele que gostou e me disse que eu iria partir para um terceiro livro. Pagou as duas histórias, mas nunca publicou.

Muitos anos mais tarde fiquei sabendo que ele havia comprado as histórias para me incentivar, não para publicar. Mas na terceira história foi diferente, fiz uma série de livros para escritores importantes da minha pré-adolescencia ,o Malba Tahan, autor de um livro que vende até hoje, ‘O Homem que Calculava’. Quando eu o conheci tive imensa surpresa de saber que ele não era nenhum oriental, era brasileiro, carioca e professor de matemática do colégio Pedro II, do Rio. Acabei ilustrando seis de seus livros. Posteriormente fui para outra editora, a Conquista. Tive a sorte de encontrar um segundo editor também disposto a publicar os meus trabalhos. Só que ele não tinha quem escrevesse as histórias, não tinha autores. Como a Nery, minha namorada, era escritora da sala no curso de magistério fez a primeira história.

Exatamente aquela já citada, a do Santos Dumont. A história foi publicada. A partir daí continuamos a nossa carreira, eu desenhando, ela escrevendo. Fomos convidados para fazer uma coleção de livros de uma grande editora de São Paulo que estava começando a publicar livros infantis, a Ática.” Ele conta que são 35 títulos pela Ática que são publicados até hoje da mesma maneira que foram publicados no princípio e que já venderam milhões de exemplares, pois são muito utilizados nas escolas. “Isso contribuiu muito para nossa carreira Só para citar: a coleção ‘Gato e Rato’. Cada título da coleção são determinados personagens e que são diferentes do título seguinte. Assim resolvemos criar uma família de personagens que pudessem habitar e aparecer em vários títulos, ai nasceram ‘Os Pingos’. Hoje com mais de 30 livros, parte publicada pela Ática e parte pela nossa editora”.Também há livros publicados fora do Brasil como em iuguslavo, mandarim, japonês, coreano, inglês e em espanhol. “Às vezes vejo uma ou outra edição pirata em línguas que eu nem imaginava que existia”.Atualmente o casal trabalha num projeto com pequenas histórias com o mesmo personagem, a ‘Coleção do Bidu’. Deve sair pela Global no início de 2012.

Pintor

Hoje, Elivardo ilustra e pinta, mas começou a pintar seriamente no princípio da década de 90 quando foi para Dinamarca. Por estar na Europa visitando museus, com as obras de grandes mestres partiu para pintura. Começou a pintar e não parou mais. “Quando não estou fazendo ilustração estou pintando, inclusive já expus em Araraquara, Nova Iorque, várias na Suíça, tem inclusive um quadro em óleo sobre tela no Museu da França, na Maison de l’Amérique Latine. Um museu dedicado a autores latino americanos, desde o México a Patagônia. Gosto de figuras humanas em movimento. Não saberia desenhar paisagem e nem natureza morta”, conta Eliardo.

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