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Morre Gonzalo Cortês, o príncipe do bolero

Foi um grande cantor da Orquestra Cassino de Sevilla. Nasceu em Montevidéu,no Uruguai, mas vivia no Brasil há mais de 50 anos, fazendo de Araraquara seu lar Nesta segunda-feira, 4, o cenário artísticoe familiar ficou infinitamente mais triste, tal como um tango ou bolero que nos faz chorar quando temos o coração partido. E foi […]

Foi um grande cantor da Orquestra Cassino de Sevilla. Nasceu em Montevidéu,no Uruguai, mas vivia no Brasil há mais de 50 anos, fazendo de Araraquara seu lar


Gonzalo Cortês deixou o Uruguai em 1950 e construiu uma bela carreira Nesta segunda-feira, 4, o cenário artísticoe familiar ficou infinitamente mais triste, tal como um tango ou bolero que nos faz chorar quando temos o coração partido. E foi assim que familiares, amigos e muitos dos que conheceram o cantor Gonzalo Cortêz se sentiram com a sua partida. Ele faleceu na madrugada, às 1h30, de uma parada cardiorrespiratória, de problemas decorrentes da idade.
Seu verdadeiro nome não era Gonzalo e sim Wertther Pablo Raurich Alvarez. Iniciou a carreira profissional em 1941, com 17 anos, como crooner da Orquestra Miami Serenaders. Depois continuou como solista cantando tangos, boleros e outras canções espanholas e mexicanas. “Deixei meu país de origem, o Uruguai, em 1950. Já no Brasil, atuei em várias cidades do Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre consegui um contrato para Belo Horizonte, onde atuei nas rádios Guarani e Mineria”, conta o cantor.
O sucesso de suas apresentações lhe garantiu um contrato para a TV Tupi de São Paulo, onde estreou no dia 31 de dezembro daquele ano, tornando-se assim o primeiro artista uruguaio a realizar um programa de televisão no continente sul-americano. Gonzalo conta que em 1953, já no Rio de Janeiro, depois de estrear na Radio Nacional, no Programa Cezar de Alencar, gravou seu primeiro disco, o LP de tangos, pelo selo Mocambo. “Depois gravei na Continental com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo duas músicas latinas”. Mas foi nos discos Copacabana em 1955 que alcançou as paradas de sucesso, com os boleros “Tu precio”, “Angústia” e “História de um amor”, que ficou nas paradas de todo país. Em 1957, gravou o LP ‘Cancion de mi alma’.
Em janeiro de 1958, ingressou na Orquestra Espanhola “Casino de Sevilla” com participação de todas as gravações da orquestra gravadas para RCA Victor, inclusive interpretando músicas brasileiras, tais com “Ave Maria”, de Vicente Paiva, Conceição de Jair Amorim e Dunga. “Em 1974 deixei a Orquestra e continuei em carreira solo até 1978, quando, juntamente com outros músicos espanhóis e paraguaios, formei o conjunto de ‘Mariachis’, interpretando músicas mexicanas”.
Em 1990 gravou o CD “México Canta”. Gonzalo Cortez passou a residir em Araraquara em 1977. Em 1998, gravou em São Paulo em CD “Canções inesquecíveis”. Em 2003 no estúdio de seu inesquecível e amigo Wolfarrht, gravou “Sempre Romântico”, que serviu para encerrar a sua longa carreira.

Amor
Trabalhando como divulgador da Som Livre, Gonzalo viajava pelo interior do Estado de São Paulo. Numa dessas andanças, em 1972, veio fazer um baile no Clube Palmeiras, onde conheceu a araraquarense Elena, que viria a ser sua esposa e mãe de seus dois filhos Rodrigo e Maria Helena. Mesmo casado e com a esposa a tiracolo, Gonzalo continuou viajando. Resolveu morar definitivamente em Araraquara, depois do nascimento de sua primeira neta.

Realização pessoal e profissional
Gonzalo Cortez se considerava um homem realizado pessoalmente e profissionalmente, pois já cantou para as mais diversas platéias, tais como argentinas, chilenas, peruanas, paraguaias, bolivianas e equatorianas, além de todo território nacional. Uma de suas alegrias foi receber o título de Cidadão Araraquarense em 2005. Atualmente cantava para seus amigos em festas particulares, shows beneficentes ou convidado para cantar alguns tangos com o show de Elza Pimentel. Também auxiliava a empresária Sandra Muniz em seus eventos.
E seu filho Rodrigo Alvarez repete as palavras do ministro da igreja ditas na segunda-feira. “O amor não morre mesmo a pessoa não estando presente entre nós”. E é por isso que Gonzalo Cortêz sempre será eterno.

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