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Ativista virtual araraquarense recebe condecoração



“O ativismo virtual é uma possibilidade de incluir muitas pautas até então silenciadas, algumas vozes estão tornando-se fortes e esse espaço vem sendo tomado”, diz Stephanie Ribeiro

Célia Pires
Recentemente a araraquarense Stephanie Ribeiro, estudante de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas e integrante do coletivo de escritoras Blogueiras Negras, recebeu a Medalha Theodosina Ribeiro, que tem como objetivo reconhecer o trabalho e as ações de mulheres que empoderam, impactam e influenciam decisivamente a vida de pessoas pertencentes a grupos vulneráveis da sociedade.
A Medalha Theodosina Ribeiro foi concedida a 15 mulheres durante sessão solene realizada na Assembleia Legislativa e é uma iniciativa da deputada Leci Brandão (PCdoB), A medalha foi instituída neste ano, após a aprovação de um projeto de resolução da autoria de Leci e como foi instituída sob a forma de resolução, a entrega da medalha passou a ter caráter permanente e a integrar o calendário anual da Assembleia Legislativa.
Stephanie conta que tem 22 anos. “Estudo Arquitetura e Urbanismo na PUC de Campinas, onde eu entrei pelo PROUNI em 2012. A minha militância virtual começou assim que entrei na universidade e comecei a me deparar com coisas que não concordo, como por exemplo, vagas de estágio restrita para homens, depois ela se estendeu da questão só da mulher para as questões relacionadas a ser mulher e negra. Foi aí que minha presença começou a incomodar mais ainda meus colegas. Então devido a diversas agressões que tive, inclusive meu armário pichado com ofensas, eu escrevi um texto em 2014 sobre as opressões que eu estava sujeita. Foi quando, devido a esse primeiro impulso, outros vieram e comecei a escrever sobre racismo, feminismo e todas as questões que eu achava que devia em alguns blogs, em especial no Blogueiras Negras, um site colaborativo feito só por mulheres negras”, explica Stephanie.
Ativismo virtual
A blogueira explica que o que a levou a escrever foi a auto identificação com aquelas mulheres e histórias. “Eu literalmente me encontrei. Assim eu comecei a me destacar, principalmente, no Facebook pelos meus posicionamentos e alguns textos e ações foram ganhando visibilidade. Fiquei muito contente com a homenagem vinda da ALESP por meio da deputada Leci Brandão. Acho que o mais importante foi o reconhecimento da militância virtual, muitas pessoas falam mal de quem usa as redes sociais, mas é fato que conseguimos sim mobilizar pessoas e agora no campo real”, acrescenta.
Stefanie ressalta que o ativismo virtual é uma possibilidade de incluir muitas pautas até então silenciadas. “Algumas vozes estão tornando-se forte e esse espaço vem sendo tomado. Infelizmente tem sempre o lado oposto a isso, mas estamos disputando narrativas e algumas vitórias estão acontecendo. O caso da mobilização contra o Blackface, que aconteceria numa peça no Itau Cultural, mostrou isso. Devido a várias postagens em redes sociais, textos e mobilizações, a peça foi cancelada e um debate foi feito, do qual eu participei. Temos que reverter os meios ao nosso favor, já que infelizmente quem pauta as questões de forma ampla não nos representa”, destaca.
Ela, que é de Araraquara, mas mora em Campinas, sempre está na terrinha, e conta que atualmente continua seus estudos, que falta um ano e meio para se formar e que foca em continuar escrevendo em todos os espaços em que é convidada. “Também venho conversando com amigos formas de manter algumas ações no campo artístico”, completa.

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