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Artistas da resistência



“É tempo, sim, de rever a história de algumas décadas e tentar reverter o estado de exceção pelo qual o país passa no momento”

Artistas da resistência

Nesta sexta, 20 de julho, às 21 horas, no Teatro Wallace Leal, será realizado a peça teatral do dramaturgo e ator Jair Antonio Alves ‘Boca Negra’ ou ‘Por que Luís Antônio morreu tal e qual Rosendo e Manuel?’.
Vale ressaltar que para Alves, a perspectiva é de que a cidade de Araraquara possa ser um local de referência da Arte e Cultura nacional.”Foi em Araraquara que ocorreu minha “iniciação” artística, primeiramente como músico quando participei do grupo “de Jangos”(The Jungles) e, quero depois de 40 anos de teatro encerrar minha participação nos palcos com este espetáculo”.
Estimulado por um dos um dos principais diretores de teatro, Wallace Valentin Leal Rodrigues, Jair deixou a cidade em 1972, na mesma época que Luis Antonio Martinez Correa também foi tentar a sorte fora de Araraquara, primeiramente em  São Paulo e posteriormente Rio de Janeiro, onde lamentavelmente foi brutalmente assassinado.
Alves, de volta a Araraquara desde 2015, é amigo de amigo de longa data do prefeito Edinho Silva e conta que o mesmo comentou com ele sobre a importância da cultura, especialmente em nosso país . ”Coincidências a parte, neste último final de semana o prefeito e ex-ministro da então presidenta, Dilma Rousseff publicou um artigo no Caderno de Debates da Folha de São Paulo – ‘Convocando a Nação para que não abandonemos a Democracia’, mas longe de fazer qualquer crítica à sua gestão, não é bem isso o que acontece na prática do dia a dia da cidade que ele, Edinho, governa, pois ele à exceção dos que selecionam os espetáculos,foi que percebeu a oportunidade de estrearmos a peça no mesmo lugar onde há 48 anos fui descoberto por Wallace Valentin Leal como dramaturgo. Enfatizo que é possível fazer muito mais e com muito pouco dinheiro e que a mesma está muito distante de temas culturais na dança, na música e, principalmente, no teatro onde atua”.
Para o ator e diretor é tempo, sim, de rever nossa história de algumas décadas, principalmente tentando reverter o estado de exceção pelo qual o país passa no momento”. ”Em cena, por exemplo, vai ser possível refletir sobre o que perdemos com o desaparecimento de LuisAntonio Martinez Correa e sua relação com o ainda vivo, compositor, poeta, escritor e amante de futebol – Chico Buarque de Holanda”.
Ele explica que, assim, será possível entender com maior clareza porquê Walace Valentin Leal Rodrigues foi um precursor da moderna dramaturgia, nos idos da década de cinquenta e que, durante todos esses anos estamos vivendo uma incógnita, senão, um equívoco de avaliação. ”O nosso colaborador, comentarista, amigo e escritor Liu Sai Yam defende que, de forma geral, podemos estabelecer uma relação intrínseca entre o desenvolvimento econômico interno desigual, e o estabelecimento de relações socioculturais, baseados no compadrio e na “desvaloração” das atividades artísticos e culturais. Diz ele que Luís Antônio Martinez Correa é descendente direto da inquietude intelectual do artista, confrontado com a tarefa de redefinir os caminhos da criação desde a apresentação da estética (enquanto “vida”), e inserido na luta por uma arte consciente de sua tarefa histórica. Acrescenta ainda, que como partidário do teatro-verdade, da vertente Brecht/Weill recusa, no entanto, o “realismo” doutrinário dos encaminhamentos dos CPC’s, ligados ao Partidão tradicional envereda por elaborações de caráter internacional-popular, operístico (de cabaré) e intensamente alegóricos, na tentativa de ir ao encontro de uma “democracia” dramatúrgica que dialogue em condições de igualdade com todas as plateias, independentemente de pré-repertórios acadêmicos e educacionais”.
Para Liu, segundo o dramaturgo Jair Alves,é evidente que um projeto cultural de cunho popular, que levasse o povo a “pensar” era e ainda é contrário aos interesses das classes dominantes e que o ideal seria que a partir de 1964 houvesse um maior “cuidado” e o aumento de equipamentos públicos, impedindo a formação de nichos, burocracia e (em alguns casos), o abandono total do patrimônio histórico e cultural. Como se vê, muito “diferente” daquilo que estamos vivenciando hoje em dia. Daí, de acordo com Liu, a urgência de se retomar a história (e os sonhos) dos artistas da resistência, como Luís Antônio Martinez Correa, e Wallace que escreveu um artigo em 1964 intitulado “ARARAQUARA -ano de 2017”, deixando para a posteridade algumas alusões de como estaria sua cidade no futuro.

Serviço
Espetáculo: BOCA NEGRA, ou, ”Por que LuisAntonio morreu tal e qual Rosendo e Manuel”?
Autor e diretor: Jair Antonio Alves
Textos complementares: de Debora Stter, ZyonColber e Walace Valentin Leal
Elenco: Débora Stter, ZyonColber e Jair Alves
Dia: 20/07
Horário: 21 horas
Endereço: Avenida Espanha (ao lado da Casa de Cultura)
Contato:  3397.1072

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