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Voto útil



Jorge Luís Bedran São inúmeros os motivos pelos quais o eleitor vota num candidato, do Executivo ou do Legislativo. São tantos que nem me atrevo a imaginá-los. É uma incógnita. Já discorri sobre isso noutra ocasião. Até mesmo no voto de último momento, ele pode digitar um número parecido com aquele em que pretendia votar. […]

Jorge Luís Bedran

São inúmeros os motivos pelos quais o eleitor vota num candidato, do Executivo ou do Legislativo. São tantos que nem me atrevo a imaginá-los. É uma incógnita. Já discorri sobre isso noutra ocasião. Até mesmo no voto de último momento, ele pode digitar um número parecido com aquele em que pretendia votar. E aí erra.
Errou mas não se arrepende, mesmo porque, logo em seguida, muitas vezes nem consegue mais se lembrar em quem votou. O que dirá então alguns dias, meses ou anos depois? “Em quem eu votei mesmo para prefeito ou para vereador?”.
Entretanto, existe uma espécie de eleitor que, de antemão, já sabe em quem votar, porém ainda não está totalmente seguro. Está indeciso. Espera até a véspera do dia da eleição. Antes, quer conhecer pesquisas de intenção do eleitorado; conversa com seus amigos para ouvir a opinião deles sobre os candidatos; estuda a situação, pois não é um eleitor ideológico — que é aquele que, mesmo sabendo que seu candidato não terá nenhuma chance de ser eleito, mesmo assim, convictamente, nele vota.
Afinal, o indeciso percebe que seu candidato já está perdido e que o seu adversário (o do candidato) praticamente já está eleito. Dessa forma entende que, para não perder seu voto, vota no adversário do adversário, como uma espécie de levar vantagem nisso. Ou então noutro qualquer que também pode ter muita chance de ser eleito.
Esse é o chamado voto útil. É uma estratégia do votante que pode ou não ser válida, a depender da visão que ele possa ter dos candidatos. Se um é ruim, vamos então votar, não no meu candidato, mas no outro que, aparentemente, é melhor do que aquele, mas, ainda assim, pior do que o meu.
Como em nosso país costuma-se votar mais na pessoa do que no partido, considero perfeitamente compreensível o chamado voto útil. É válido. Afinal, ninguém gosta de perder nada.
Sei que o meu amigo, candidato a vereador, não tem condições de ser eleito; os poucos votos que conseguirá apenas somarão aos do seu partido, dando oportunidade a outro desse mesmo partido (que não suporta) de ser eleito. Mudando-se o que deve ser mudado, essa estratégia também ocorre no escrutínio para prefeito.
Se assim é, então, pode até votar num ‘cara’, de outro partido, mas ‘gente boa’.
Qual é a opinião do eleitor?

Advogado, jornalista.
Blog: www.bedran.com.br

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