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Voto consciente

Voto consciente

Luís Carlos Bedran *
No passado o vereador exercia suas funções sem qualquer remuneração do tesouro público, como contraprestação aos seus serviços prestados à comunidade. Trabalhava de graça, porque os munícipes consideravam essa função como um “múnus” público, um dever, uma obrigação que o homem de bem eleito por eles prestava à sociedade da qual fazia parte.
De seu lado, o vereador também se considerava como uma pessoa honrada, homenageada pela confiança que lhe prestavam os eleitores face ao seu desprendimento pessoal em trabalhar para eles. Possuíam profissões próprias e parte de seu tempo privado era dedicado aos outros.
A partir do Movimento de 1964 dos militares, quando tomaram o poder, talvez para obterem o apoio dos municípios, posteriormente eles passaram a receber subsídios, previstos depois em todas as Constituições, como a atual de 1988, em seu artigo 29, VI.
É inegável estar a classe política em baixa atualmente, toda ela, em todos os níveis. Os índices que as pesquisas publicam de vez em quando evidenciam isso. As cidades desenvolveram-se, a população aumentou, as complexidades administrativas para governar um município, até mesmo o menor deles, são imensas e implicam numa série de responsabilidades legais que exige de seus administradores, do prefeito e dos vereadores, um amplo conhecimento das leis e dos problemas municipais, além de um considerável tempo tomado, inclusive em suas vidas particulares, tudo para bem exercerem suas funções.
Não há mais como voltar ao passado. Isso não quer dizer, porém, que recebendo seus subsídios legais os vereadores abdiquem de suas honradas funções, tais como antigamente elas eram consideradas. Hoje os munícipes encaram como normais e justos o recebimento de uma remuneração pelos serviços que eles prestam.
No entanto, apesar disso, o cidadão desconfia que muito daqueles que pleiteiam o cargo na Câmara, o almejam para levar vantagem pessoal, a pretexto de trabalhar para a população de modo desprendido, tamanha a insatisfação com a classe política.
Além disso, como se afirma por aí, não há lugar para amadores na política, tal como no passado, o que não se quer dizer com isso que o político tenha de ser um profissional da política, ou então que possa viver, exclusivamente dela, eventualmente eleito, apenas de seus subsídios.
Tudo irá depender do grau de confiabilidade e, sobretudo, de honradez que os candidatos a esse cargo possam inspirar no eleitorado, pois o cidadão não se conforma em ser enganado, ninguém se conforma em ser enganado.
Por isso é preciso que o eleitor consciente saiba distinguir com sabedoria o candidato que quer ser eleito ou reeleito apenas para conquistar o poder ou então continuar nele, não efetivamente trabalhar para a cidade, mas tão somente apenas para obter vantagem pessoal ou por mera vaidade.
O caos institucional e político que ora se verifica no País não deve, embora possa contaminar as eleições municipais próximas, pois, afinal, não vivemos na pessoa jurídica da União, nem na do Estado, mas tão simplesmente em nosso município, em nossa cidade, em nosso bairro, com todos os problemas que nos atingem.
As eleições se aproximam rapidamente. O eleitor, embora descrente da política, tem de “cair na real”. Vamos votar, não em branco, nem anular o voto, mas votar em pessoas representativas de nossa sociedade. Gente de bem, não arrivistas, nem aventureiros.
* Sociólogo

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