Select Page

Vida de político corrupto



Vida de político corrupto

Luís Carlos Bedran *
Corrupto tanto pode ser aquele que corrompe quanto aquele que se deixa corromper. O ativo e o passivo: duas faces da mesma moeda, o ‘vil metal’. À vezes as posições podem se inverter: aquele que, aparentemente se deixa corromper, na verdade, ao contrário, é o sujeito ativo: ele exige do aparente corruptor algo em troca para realizar o que este pretende. Mas aí então o nome do crime muda: deixa de ser corrupção para virar concussão.
De qualquer forma a vítima é sempre o Estado, a nação politicamente organizada, ou seja, o povo, você cidadão, você cidadã, que um dia votou num sujeito (homem ou mulher) que supunha que iria fazer algo para melhorar a sua vida, a de sua família, a de seus filhos e netos, dos amigos, de todos, da nação.
Alguns políticos idealistas, honestos, desprendidos, tentam fazer aquilo que os cidadãos almejam: são os nossos dignos representantes. Nem sempre o conseguem, mas, pelo menos, tentam. Outros, ao contrário, fizeram de tudo, o diabo, para ser eleitos: usaram de todos e quaisquer meios, ilícitos até. Eleitos, fazem de tudo para não perder o poder.
Mas, estou divagando. Vou por um caminho e acabo enveredando por outro, aliás, não por coincidência, direcionado para o político achacador (pois ele não deixa de ser um servidor público) ou para o corrupto, o corrompido, isso quando não seja também corruptor. De qualquer forma, em qualquer posição, o objetivo é sempre levar vantagem indevida: qualquer uma, seja em dinheiro, para ele e/ou para o partido, bens, favores sexuais, uma infinidade delas.
Fico então a imaginar como deve ser a vida particular de um político corrupto. Geralmente ele obtém vantagem com o dinheiro recebido, em espécie, seja nacional ou estrangeiro, mesmo porque, como diziam os antigos romanos, o dinheiro, limpo ou sujo, não cheira, “non olet”. Mas ele não pode aparecer porque senão teria de comprovar sua origem.
Então, o que ele faz? Há mil maneiras. Coloca-o em nome de um parente, da mulher, do filho, do cunhado, da amante, do amante. O dinheiro é diluído, desaparece. Mas ele quer aproveitar a vida. De que adianta ter dinheiro se não pode gastá-lo? Então ele constrói uma mansão, outra na praia ou no exterior, viaja sempre para lá. Lava o dinheiro de alguma forma num paraíso fiscal e ele (o dinheiro, claro) depois retorna limpo.
Na declaração de bens que se exige de qualquer político pouco ou nada tem; os bens não são atualizados. Esperto, não demonstra sinais exteriores de riqueza. Ao contrário. Quem o vê parece um Zé coitado. Como as aparências enganam!
O que ele come? Caviar? Bebe o quê? Champanhe francês? A cama é confortável? Tem amantes? Sua mulher sabe de tudo? Ou finge que não sabe? Os filhos sabem que papai é corrupto?
Tudo muito fácil. Difícil mesmo é estar preso.
* Sociólogo (UNESP)

Últimos Vídeos

Loading...

Charge do Dia

Publicidade

Publicidade

Arquivos