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Vexame inesquecível

Vexame inesquecível

Gabriel Bocorny Guidotti *
Na tarde de 8 de julho de 2014, a família brasileira se reuniu em volta da TV para um evento histórico: a semifinal da Copa do Mundo – em solo nacional. Após duas duríssimas batalhas contra Chile e Colômbia, a seleção dava mostras de que, na raça e no coração, poderia almejar o título. Eis que surgiram os dissabores. A decepção foi grande demais para suportar.
Cinco gols – apenas no primeiro tempo – deixaram a torcida de boca aberta. Os alemães ainda marcariam duas vezes antes de decretar nossa vexatória eliminação. Ao final da partida, o 7 x 1 inauguraria uma nova era na história do Brasil. O futebol sempre foi um alento para um povo que sofre com tantos problemas diariamente. Nesse sentido, o desenho de outra derrota se aproximava.
Para gerir um time, planejamento é essencial. E para gerir um governo? Igualmente. Cada balaço da seleção alemã representa diversos gols que a nação tupiniquim sofreria nos meses seguintes. Por exemplo, a inflação alta. Hoje, o brasileiro não vive; sobrevive. Pensa no futuro com temor, pois observa o custo de vida disparar. Na esteira da crise econômica, o desemprego assusta. Filme triste, muito triste. 2 x 0 no placar.
A corrupção vale ao menos dois outros gols. A operação Lava Jato desnudou um dos maiores escândalos da história do país. Viu-se que, por dinheiro e poder, a podridão das pessoas não vê limites. A internet também não vê limites. A exemplo do registrado nas eleições de 2014, a cultura do ódio na rede atingiu seu ápice – se institucionalizou. É o quinto gol tomado. Pessoas estão morrendo em função da intolerância.
O futebol envolvente da equipe alemã deixou a seleção canarinho desnorteada. É assim também com a ousadia do crime organizado. As instituições públicas de segurança enfrentam sérios problemas de orçamento e gestão. Sobra à população o encargo de aguentar a ação dos bandidos. Sem uma boa defesa, esse gol foi fácil demais para os adversários. A defesa também não se manifesta quando o assunto é interesse partidário. Está difícil discernir quem é oposição e situação – qualquer um pode entrar na área. 7 x 0, para sacramentar a vergonha.
Em suma, o Brasil está sendo eliminado, com a diferença de que a nossa Copa do Mundo é disputada diariamente. Entretanto, o gol de honra no segundo tempo – 7 x 1 – mostra que o broto de uma planta pode sobreviver a um terrível incêndio. Assim como a seleção, o país tem a capacidade de se reerguer, afinal, não há vida sem esperança. Acreditar num futuro melhor é tudo que nos resta.
* Gabriel Bocorny Guidotti. Bacharel em Direito e estudante de Jornalismo.

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