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VANUSA PRA BEM PERTO DE NOSSOS OLHOS



Por_Lígia Egídia Moscardini Sem conseguir fazer um esforço pra me guardar na indiferença, dou de cara com uma mensagem sobre a cantora Vanusa, e me vem à tona as várias facetas sobre a “rainha da televisão”. Das poucas a despontar também como compositora, a aparentemente romântica Manhãs de Setembro, ao lado do Mario Campanha Sierra, […]

Vanusa

Por_Lígia Egídia Moscardini

Sem conseguir fazer um esforço pra me guardar na indiferença, dou de
cara com uma mensagem sobre a cantora Vanusa, e me vem à tona as várias facetas
sobre a “rainha da televisão”. Das poucas a despontar também como compositora, a
aparentemente romântica Manhãs de Setembro, ao lado do Mario Campanha Sierra, faz
referência a Geraldo Vandré no verso “Fui eu que, em primavera, só não viu as flores”.
Ainda com sua versatilidade vigorosa, teve voz para rock pesado, samba e valsa.
Versatilidade que, ademais, perpassou seu fugaz gosto por pintura.
Interpretou eternas versões. Consta que Belchior a presenteou com a
belíssima Paralelas. Ainda falando de flores, é pela voz dela que ouvi “e as borboletas
do que fui pousam demais/por entre as flores do asfalto em que tu vais” em contraste
com a versão do compositor “como é perversa a juventude do meu coração/que só
entende o que é cruel, o que é paixão”. Apesar da intensidade da última, fato é que a
imagem defendida pela Vanusa é mais delicadamente triste. Se, como ensina Vinícius
de Moraes, a vida é a arte do encontro, embora haja muitos desencontros pela vida,
fiquei fazendo um paralelo entre a música e os encontros em que eu faria uma
verdadeira arte de cinema, mas que restaram a água das ruas dos pneus. Considerando
as borboletas no estômago de ambos, fica a flor que furou algum asfalto.
Noutra das muitas artes e encontros, relembro uma apresentação dela.
Aquela presença estrondosa, num loiro encorpado com vestido rubro, com a banda
quase não dando conta do agudo imponente. Que só era capaz de se estatelar em um nó
de garganta ao lhe cair uma lágrima ao lado de um copo de vinho, prestes a interpretar
uma composição do Antonio Marcos. Com o qual, confessa, conheceu o amor.
Diferente de agressões físicas de outros maridos que, aliás, quiseram que ela parasse de
cantar. E a fizeram conhecer o feminismo antes mesmo desta palavra.
Episódios assim exorbitantes talvez sejam divergentes àquele do Hino
Nacional, que foi um dos piores. Não há relevância suficiente em elaborar uma resposta
aos que já são insipientes, mas considero que redes sociais não têm memória e destilam
ódio num circo sem igual quando só se tem coragem de permanecer detrás de uma tela.
Esclareço, outrossim, que foi a consternação que impulsionou um disco produzido por
Zeca Baleiro: pois foi ele que, em primavera, só conseguiu ver a artista-obra Vanusa
Santos Flores.
Mas, se é possível se esconder em tempos de redes sociais, não há como
queimar uma carta, nem mesmo há tempo para a dúvida de ler ou não. E lá vou abrir a
mensagem eletrônica e rude: é que seu filho Rafael fez um vídeo público contando que
a mãe fora internada, por depressão e alcoolismo, com trinta quilos a menos. E que não
é a primeira vez. E que não há previsão de volta. Fiquemos, pois, por enquanto, com
essa voz vigorosa de tendência dramática, que se transfigura como que um dos muitos
hinos nacionais, no que diz respeito à música brasileira.

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